{"id":6770,"date":"2023-08-23T11:33:11","date_gmt":"2023-08-23T14:33:11","guid":{"rendered":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/?p=6770"},"modified":"2023-08-23T12:15:54","modified_gmt":"2023-08-23T15:15:54","slug":"artigo-de-opiniao-literatura-coreana-em-reescrita-criando-imagens-de-castella","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/?p=6770","title":{"rendered":"ARTIGO DE OPINI\u00c3O | Literatura Coreana em Reescrita: criando imagens de Castella"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"6770\" class=\"elementor elementor-6770\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<section class=\"has_eae_slider elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-39d9e84 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"39d9e84\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"has_eae_slider elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-1837b4d\" data-id=\"1837b4d\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-59ad305 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"59ad305\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t<style>\/*! elementor - v3.6.2 - 04-04-2022 *\/\n.elementor-widget-text-editor.elementor-drop-cap-view-stacked .elementor-drop-cap{background-color:#818a91;color:#fff}.elementor-widget-text-editor.elementor-drop-cap-view-framed .elementor-drop-cap{color:#818a91;border:3px solid;background-color:transparent}.elementor-widget-text-editor:not(.elementor-drop-cap-view-default) .elementor-drop-cap{margin-top:8px}.elementor-widget-text-editor:not(.elementor-drop-cap-view-default) .elementor-drop-cap-letter{width:1em;height:1em}.elementor-widget-text-editor .elementor-drop-cap{float:left;text-align:center;line-height:1;font-size:50px}.elementor-widget-text-editor .elementor-drop-cap-letter{display:inline-block}<\/style>\t\t\t\t<section class=\"elementor-element elementor-element-edit-mode elementor-element-13b2548 elementor-section elementor-top-section elementor-section-boxed elementor-section-height-default\" data-id=\"13b2548\" data-element_type=\"section\" data-model-cid=\"c30\"><div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default ui-sortable\"><div class=\"elementor-element elementor-element-edit-mode elementor-element-426f897 elementor-element--toggle-edit-tools elementor-column elementor-top-column ui-resizable\" data-id=\"426f897\" data-element_type=\"column\" data-model-cid=\"c31\" data-col=\"100\"><div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated ui-sortable\"><div class=\"elementor-background-overlay\">\u00a0<\/div><div class=\"elementor-element elementor-element-edit-mode elementor-element-d97daf2 elementor-element--toggle-edit-tools elementor-widget elementor-widget-text-editor elementor-widget__width-initial ui-resizable\" data-id=\"d97daf2\" data-element_type=\"widget\" data-model-cid=\"c32\" data-widget_type=\"text-editor.default\"><div class=\"elementor-element-overlay\">\u00a0<\/div><div class=\"elementor-widget-container\"><div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix elementor-inline-editing\" data-elementor-setting-key=\"editor\" data-elementor-inline-editing-toolbar=\"advanced\"><p>O presente trabalho \u00e9 um estudo de caso que pretende oferecer uma reflex\u00e3o acerca dos elementos capazes de influenciar a produ\u00e7\u00e3o e a recep\u00e7\u00e3o de um texto traduzido em sua cultura receptora. A partir de tem\u00e1ticas oriundas dos Estudos da Tradu\u00e7\u00e3o, analiso os constituintes paratextuais de Castella, de Park Min-Gyu, publicado no Brasil em 2022 pela editora Martin Claret, em tradu\u00e7\u00e3o de Nick Farewell.\u00a0<\/p><p>O eixo te\u00f3rico que embasa minha investiga\u00e7\u00e3o est\u00e1 situado numa interse\u00e7\u00e3o entre tr\u00eas campos que t\u00eam se mostrado bastante produtivos dentro dos Estudos da Tradu\u00e7\u00e3o. O primeiro deles \u00e9 o sub-ramo do campo conhecido pelo nome de Estudos Descritivos da Tradu\u00e7\u00e3o [DTS], uma das correntes mais influentes por d\u00e9cadas a fio. Uma das principais contribui\u00e7\u00f5es dessa corrente \u00e9 a concep\u00e7\u00e3o da \u201ctradu\u00e7\u00e3o como um fato da cultura de chegada\u201d [Toury, 2012, p. 18], que suscita uma atitude epistemol\u00f3gica que concebe a investiga\u00e7\u00e3o do texto traduzido a partir de quest\u00f5es que surgem na cultura que o produz. A orienta\u00e7\u00e3o descritivista do ramo, tamb\u00e9m depreende que o texto traduzido deve ser analisado para que se compreenda a sua fun\u00e7\u00e3o sist\u00eamica no sistema liter\u00e1rio receptor. Dentro dos DTS, me afilio particularmente ao pensamento de Andr\u00e9 Lefevere [1992] e aos desdobramentos dos seus conceitos de reescrita e patronagem, que ser\u00e3o centrais ao estudo aqui proposto.\u00a0<\/p><p>O segundo campo a que recorro para embasar este trabalho \u00e9 o que ficou conhecido nos Estudos Liter\u00e1rios como a Teoria do Paratexto, a partir do conceito de paratexto, \u201caquilo por meio de que um texto se torna livro e se prop\u00f5e como tal a seus leitores\u201d [Genette, 2009, p. 9]. Nos Estudos da Tradu\u00e7\u00e3o, a partir de \u015eehnaz Tahir-G\u00fcr\u00e7a\u011flar [2002], o conceito de paratexto tem sido utilizado para pensar o potencial que essa produ\u00e7\u00e3o textual (num sentido semi\u00f3tico) tem de produzir sentidos acerca do texto traduzido que ela acompanha e como esses discursos influenciam a recep\u00e7\u00e3o de tais textos. McRae [2012], Wu e Shen [2013] e Carneiro [2014] desenvolveram problem\u00e1ticas importantes a respeito do pref\u00e1cio do tradutor, e Gerber [2012], com sua reflex\u00e3o acerca das capas e ilustra\u00e7\u00f5es do livro traduzido agrega ainda mais ao debate acerca dos paratextos.\u00a0<\/p><p>Por fim, outro campo que alimenta a fundamenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica deste estudo \u00e9 o que, a partir dos anos 1990, come\u00e7ou a se chamar de Sociologia da Tradu\u00e7\u00e3o. O campo, de matriz te\u00f3rico-metodol\u00f3gica m\u00faltipla, tem sido pioneiro em produzir estudos que tenham como foco os agentes por tr\u00e1s do processo tradut\u00f3rio, especialmente os tradutores. Neste trabalho, especificamente, aplico o conceito de habitus do tradutor, desenvolvido por Gouanvic [2005] a partir de Bourdieu [1986].\u00a0<\/p><p>Breve descri\u00e7\u00e3o de Castella, de Park Min-Gyu<\/p><p>Castella \u00e9 uma antologia de contos do escritor sul-coreano Park Min-Gyu, publicada no Brasil em junho de 2022, pela editora Martin Claret, com tradu\u00e7\u00e3o de Nick Farewell. Publicada originalmente em 2005 sob o t\u00edtulo \uce74\uc2a4\ud14c\ub77c [kaseutera, em romaniza\u00e7\u00e3o[ na Coreia do Sul, a antologia re\u00fane dez contos escritos entre 1999 e 2004. A edi\u00e7\u00e3o brasileira pode ser enquadrada dentro do que \u00e9 conhecido no mercado editorial como edi\u00e7\u00e3o de luxo, com um projeto gr\u00e1fico original assinado por Jos\u00e9 Duarte T. de Castro, com capa, quarta capa e guarda ilustradas pela artista coreano-brasileira Ing Lee; conta ainda com capa dura e fitilho para marcar as p\u00e1ginas.\u00a0<\/p><p>Em rela\u00e7\u00e3o aos pref\u00e1cios, Castella apresenta uma introdu\u00e7\u00e3o, assinada pelo tradutor Nick Farewell, e um texto de Park intitulado \u201cPalavras do autor para a edi\u00e7\u00e3o brasileira\u201d, que antecedem os contos. Concluem o exemplar uma se\u00e7\u00e3o denominada \u201cCr\u00edtica\u201d, que conta com o ensaio \u201cEm zigue-zague, vapt-vupt, pulando obst\u00e1culos\u201d, assinado pelo cr\u00edtico liter\u00e1rio Su-Jung Sin e mais uma \u201cPalavra do autor\u201d, presentes na edi\u00e7\u00e3o de 2005.\u00a0<\/p><p>A folha de copyright da obra vem ao final do exemplar, listando os profissionais envolvidos na publica\u00e7\u00e3o. \u00c9 neste espa\u00e7o que os agentes da tradu\u00e7\u00e3o tem o seu cr\u00e9dito devidamente garantido. Por lei, este \u00e9 o \u00fanico espa\u00e7o em que o tradutor precisa ser creditado. Qualquer espa\u00e7o extra que ele possua no exemplar \u00e9 uma demonstra\u00e7\u00e3o de sua visibilidade. Essa se\u00e7\u00e3o ser\u00e1 de particular import\u00e2ncia para a an\u00e1lise aqui empreendida, assim como o pref\u00e1cio do tradutor e a capa de Castella.\u00a0<\/p><p>Os agentes da reescrita\u00a0<\/p><p>A concep\u00e7\u00e3o de sistema liter\u00e1rio de Lefevere [1992] prev\u00ea dois fatores de controle da literatura escrita e reescrita, sendo um interno e outro externo. O primeiro deles, que exerce um controle interno dos procedimentos liter\u00e1rios, encontra-se na figura dos profissionais, \u201ccr\u00edticos, resenhistas, professores, tradutores\u201d [Lefevere, 1992, p. 14], figuras que tamb\u00e9m podem ser apontadas como reescritores, aqui denominados \u2018agentes da reescrita\u2019. O outro fator regulador do sistema liter\u00e1rio, de ordem externa, situa-se no que Lefevere chama de patronagem, os \u201cpoderes [pessoas, institui\u00e7\u00f5es] que podem promover ou impedir a leitura, a escrita e a reescrita da literatura\u201d [Lefevere, 1992, p. 15]. Os poderes, refor\u00e7a Lefevere, devem ser entendidos como uma formula\u00e7\u00e3o foucaultiana de poder, que tem menos a ver com a ideia de repress\u00e3o e mais a ver com a ideia de controle. A patronagem preocupa-se, portanto, com aspectos ideol\u00f3gicos e econ\u00f4micos, delegando aos profissionais a parcela do trabalho que est\u00e1 preocupada com a po\u00e9tica, que \u00e9 manipulada sob os princ\u00edpios da patronagem. Neste trabalho, o foco recai sobre os agentes da reescrita.<\/p><p>A tradu\u00e7\u00e3o, enquanto pr\u00e1tica de reescrita, tem o poder de criar a imagem de um autor, de uma obra, de uma literatura, como afirma Lefevere [1990; 1992]. A partir do exame dos paratextos de Castella, selecionei dois agentes que se destacam particularmente. A partir da introdu\u00e7\u00e3o ao livro assinada pelo tradutor fa\u00e7o uma an\u00e1lise em que aciono a discuss\u00e3o feita pela Sociologia da Tradu\u00e7\u00e3o a respeito do papel dos tradutores como agentes da tradu\u00e7\u00e3o, assim como uma an\u00e1lise do pref\u00e1cio \u00e0 luz das discuss\u00f5es concernentes ao paratexto. Destaco tamb\u00e9m a ilustradora da capa do livro, Ing Lee, analisando capa do livro mediante outros trabalhos de Lee e capas de outras edi\u00e7\u00f5es do Castella pelo mundo, a fim de destacar a atua\u00e7\u00e3o da capista.<\/p><p>O tradutor<\/p><p>Sob o pseud\u00f4nimo de Nick Farewell, o coreano naturalizado brasileiro Lee Gyu Seok, escreveu 7 romances, dentre eles o best-seller GO [Devir, 2007], selecionado pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Cultura para integrar o cat\u00e1logo das bibliotecas de escolas por todo o pa\u00eds. Em seu website e em suas redes sociais, Farewell se apresenta como escritor e roteirista, tendo escrito, al\u00e9m dos romances, roteiros para o cinema e a televis\u00e3o. A tradu\u00e7\u00e3o de Castella \u00e9 uma tarefa at\u00e9 ent\u00e3o in\u00e9dita em seu portf\u00f3lio.<\/p><p>Genette [2009] identifica todo texto que precede e sucede o texto propriamente dito no livro como pref\u00e1cio, sejam eles intitulados \u201cpref\u00e1cio\u201d, \u201cintrodu\u00e7\u00e3o\u201d, \u201cpr\u00f3logo\u201d, \u201cposf\u00e1cios\u201d, \u201cnota do editor\u201d etc. A introdu\u00e7\u00e3o \u00e0 Castella, assinada pelo tradutor, faz as vias de pref\u00e1cio \u00e0 tradu\u00e7\u00e3o. Carneiro [2014] afirma que \u00e9 poss\u00edvel \u201cencarar o pref\u00e1cio de tradutor como um subg\u00eanero em rela\u00e7\u00e3o ao g\u00eanero pref\u00e1cio, que guarda semelhan\u00e7a na organiza\u00e7\u00e3o ret\u00f3rica, mas que possui caracter\u00edsticas pr\u00f3prias, espec\u00edficas ao contexto da tradu\u00e7\u00e3o\u201d [Carneiro, 2014, p. 109]. Para Genette [2009], trata-se de uma quest\u00e3o de autoridade exercida pelo autor\/editor do original, que influencia na leitura de seu texto por meio do pref\u00e1cio. Na tradu\u00e7\u00e3o, os pref\u00e1cios adotam uma s\u00e9rie de atitudes poss\u00edveis. O(s) pref\u00e1cio(s) em an\u00e1lise ter\u00e1(\u00e3o) um comportamento que, em parte, \u00e9 \u00fanico, mas que tamb\u00e9m pode ser enquadrado num horizonte minimamente controlado de efeitos discursivos. Dois trechos do pref\u00e1cio de Farewell s\u00e3o elucidativos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s possibilidades do pref\u00e1cio.\u00a0<\/p><p>Logo no in\u00edcio da sua introdu\u00e7\u00e3o, que recebe o t\u00edtulo de \u201cComa um peda\u00e7o de Castella e tome um gole de estranha alegria\u201d, o tradutor informa ao leitor:<\/p><p>\u201cMas o que quero fazer neste pref\u00e1cio \u00e9 acrescentar uma dimens\u00e3o a mais no entendimento do estranho e maravilhoso mundo de Min-Gyu. Avesso a entrevistas e exposi\u00e7\u00e3o na m\u00eddia, tive o privil\u00e9gio de conhec\u00ea-lo e ser seu guia pelo igualmente estranho e maravilhoso Brasil. A experi\u00eancia, que acrescenta uma dimens\u00e3o a mais e faz com que minha experi\u00eancia de tradu\u00e7\u00e3o adquira um significado quase de realismo fant\u00e1stico \u2014 como na literatura de Min-Gyu (talvez a literatura de Min-Gyu devesse ser chamada de realismo intergal\u00e1ctico)<br \/>\u2014 segue abaixo.\u201d [Farewell, 2022, p. 6, grifo do autor]\u00a0<\/p><p>O pref\u00e1cio de Nick Farewell narra seu encontro com o autor Park Min-Gyu numa visita oficial ao Brasil. Farewell parece querer com esse texto criar uma conex\u00e3o entre o p\u00fablico brasileiro e o autor sul-coreano a partir dessa anedota, que faz refer\u00eancias \u00e0 cultura coreana e \u00e0 rela\u00e7\u00e3o de amizade entre tradutor e autor. Predomina a fun\u00e7\u00e3o de introduzir o p\u00fablico leitor ao autor e \u00e0 obra, identificada por Wu e Shen [2013] em seu trabalho.<\/p><p>O tradutor tamb\u00e9m demarca o seu lugar de autoridade e o seu projeto tradut\u00f3rio, a partir da enumera\u00e7\u00e3o de fatores que diferem a l\u00edngua coreana da l\u00edngua portuguesa, desempenhando as fun\u00e7\u00f5es 1, 2 e 3 apresentadas por McRae [2012]: \u201c(1) destacar as diferen\u00e7as de culturas e idiomas, (2) promover a compreens\u00e3o da cultura de origem, (3) promover a compreens\u00e3o do papel e da interven\u00e7\u00e3o do tradutor\u201d [McRae, 2012, p. 72]. Isso fica ainda mais evidente no segundo trecho selecionado:\u00a0<\/p><p>\u201cOutro desafio foi a natureza gramatical do coreano. As frases em coreano terminam com verbo. Vem sujeito, adjetivo, objeto, tudo antes, e depois vem o verbo. Ou seja, \u00e9 normalmente invertido em rela\u00e7\u00e3o ao portugu\u00eas. Em um primeiro momento, pensei em traduzir como seria na maneira direta em portugu\u00eas. Mas a\u00ed perderia o suspense que a l\u00edngua coreana naturalmente gera por voc\u00ea saber antes o sujeito, adjetivo, objeto, etc. Antes. Voc\u00ea perderia o sabor do texto.\u201d [Farewell, 2022, p. 10-11]\u00a0<\/p><p>Aqui, novamente, a interven\u00e7\u00e3o do tradutor fica clara e ele reitera as diferen\u00e7as que ele identifica entre a l\u00edngua da cultura de partida e a l\u00edngua da cultura de chegada e o seu papel enquanto mediador das duas l\u00ednguas. A partir disso, \u00e9 poss\u00edvel pensar a respeito de seu habitus e na imagem que ele constr\u00f3i de si no pref\u00e1cio em an\u00e1lise. Nick Farewell \u00e9 um escritor antes de tudo, Castella \u00e9 a sua primeira tradu\u00e7\u00e3o. Em seu texto, ele se coloca como um coreano naturalizado brasileiro, criando um la\u00e7o entre o autor, coreano, e o leitor da obra, o p\u00fablico brasileiro. Acredito que essas duas identidades forjam a persona constru\u00edda nesse pref\u00e1cio, um escritor coreano e brasileiro que tenta, a partir de seu texto, criar uma esp\u00e9cie de liga\u00e7\u00e3o entre as duas culturas, a mesma liga\u00e7\u00e3o pretendida com a publica\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Castella no Brasil.\u00a0<\/p><p>Jean-Marc Gouanvic [2005], ao apropriar-se do conceito de habitus de Bourdieu para pensar a pr\u00e1tica tradut\u00f3ria, defende que o habitus do tradutor deve ser analisado a partir de sua realiza\u00e7\u00e3o numa determinada tradu\u00e7\u00e3o, numa determinada \u00e9poca [Gouanvic, 2005, p. 159], empreendendo uma leitura da hist\u00f3ria pessoal do tradutor, ressaltando, especificamente, a sua forma\u00e7\u00e3o intelectual, para propor uma reflex\u00e3o acerca do trabalho do tradutor enquanto agente, principalmente no que diz respeito \u00e0 sele\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos publicados, \u00e0s estrat\u00e9gias tradut\u00f3rias e \u00e0s redes constru\u00eddas pelos tradutores ao longo de sua trajet\u00f3ria profissional.\u00a0<\/p><p>Toda a trajet\u00f3ria pessoal e profissional de Farewell informa o seu habitus tradut\u00f3rio que, embora seja recente, j\u00e1 conta com a possibilidade de se expressar na composi\u00e7\u00e3o do pref\u00e1cio \u00e0 sua tradu\u00e7\u00e3o. A partir do paratexto, \u00e9 poss\u00edvel fazer uma reflex\u00e3o a respeito do sujeito tradutor, e seria dif\u00edcil identificar um \u201clugar\u201d mais prop\u00edcio do que o pref\u00e1cio para essa tarefa. O pref\u00e1cio \u00e9 o local de maior visibilidade do tradutor, onde ele toma a palavra para si e se faz vis\u00edvel.\u00a0<\/p><p>A respeito da visibilidade do tradutor, identifico Nick Farewell na categoria de tradutor-escritor, \u201caquele que, al\u00e9m de traduzir como atividade cotidiana ou esporadicamente, \u00e9 tamb\u00e9m um escritor ou poeta\u201d [Carneiro, 2014, p. 161].\u00a0A produ\u00e7\u00e3o de Farewell \u00e9 o primeiro texto a que temos acesso na edi\u00e7\u00e3o\u00a0brasileira de Castella, precedendo at\u00e9 o sum\u00e1rio da obra. Funciona como um\u00a0verdadeiro pre\u00e2mbulo. O leitor que n\u00e3o folhear a obra e resolver ignorar essa\u00a0parte, ter\u00e1 seu primeiro contato com a obra de Park Min-Gyu por meio das\u00a0palavras de seu tradutor, que causam um efeito no leitor da obra.\u00a0<\/p><p>A capista<\/p><p>Ing Lee \u00e9 uma quadrinista e ilustradora coreano-brasileira. Al\u00e9m de sua ancestralidade marcada, Lee carrega em sua identidade o fato de ser surda\u00a0oralizada. A ilustradora tem uma atua\u00e7\u00e3o destacada nas redes sociais,\u00a0utilizadas para diversos fins, como a divulga\u00e7\u00e3o de seus trabalhos ou de\u00a0conte\u00fados a respeito da elabora\u00e7\u00e3o de capas e projetos gr\u00e1ficos que ela\u00a0assina, al\u00e9m de conte\u00fados sobre a cultura coreana, como resenhas de livros,\u00a0fatos hist\u00f3ricos etc.\u00a0<\/p><p>Como \u00e9 poss\u00edvel ver nos trabalhos dispon\u00edveis no portf\u00f3lio da artista \u2013 dentre os principais, destaco as zines Sam Taeguk [independente, 2018] e Geum [independente, 2020], e as capas de Aos prantos no mercado [F\u00f3sforo Editora, 2022] e Am\u00eandoas [Rocco, 2023] \u2013, Lee possui um tra\u00e7o muito caracter\u00edstico, que remete a uma m\u00eddia bastante explorada em sua produ\u00e7\u00e3o, as hist\u00f3rias em quadrinhos. Desde 2016, Lee est\u00e1 envolvida com a publica\u00e7\u00e3o de tiras, seja por meio de zines em coautoria com outros artistas ou por iniciativas individuais como Jo\u00e3o P\u00e9-de-Feij\u00e3o. Embora recente, sua produ\u00e7\u00e3o \u00e9 extensa e \u00e9 poss\u00edvel enxergar em seu trabalho uma est\u00e9tica muito particular carregada de uma obra a outra. Identifico que esse mesmo estilo \u00e9 percept\u00edvel na capa da edi\u00e7\u00e3o brasileira de Castella [Figura 1].\u00a0<\/p><\/div><\/div><div class=\"ui-resizable-handle ui-resizable-e\">\u00a0<\/div><div class=\"ui-resizable-handle ui-resizable-w\">\u00a0<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/section><section class=\"elementor-element elementor-element-edit-mode elementor-element-b927f85 elementor-section elementor-top-section elementor-section-boxed elementor-section-height-default\" data-id=\"b927f85\" data-element_type=\"section\" data-model-cid=\"c30625\"><div class=\"elementor-element-overlay\">\u00a0<\/div><div class=\"elementor-background-overlay\">\u00a0<\/div><div class=\"elementor-shape elementor-shape-top\">\u00a0<\/div><div class=\"elementor-shape elementor-shape-bottom\">\u00a0<\/div><\/section>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"has_eae_slider elementor-section 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class=\"attachment-large size-large wp-image-2287\" src=\"https:\/\/sites.ufpe.br\/cea\/wp-content\/uploads\/sites\/133\/2023\/08\/Capturar.png\" alt=\"\" width=\"123\" height=\"167\" \/><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/section><section class=\"elementor-element elementor-element-edit-mode elementor-element-967ec9f elementor-section elementor-top-section elementor-section-boxed elementor-section-height-default\" data-id=\"967ec9f\" data-element_type=\"section\" data-model-cid=\"c48\"><div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default ui-sortable\"><div class=\"elementor-element elementor-element-edit-mode elementor-element-274a190 elementor-element--toggle-edit-tools elementor-column elementor-top-column ui-resizable\" data-id=\"274a190\" data-element_type=\"column\" data-model-cid=\"c49\" data-col=\"100\"><div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated ui-sortable\"><div class=\"elementor-element elementor-element-edit-mode elementor-element-2240a98 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A ilustra\u00e7\u00e3o de Lee \u00e9 uma meton\u00edmia da antologia, onde temos uma geladeira aberta, povoada pelos personagens que habitam os contos de Park Min-Gyu. A geladeira \u00e9 o personagem central do conto que d\u00e1 t\u00edtulo \u00e0 antologia, \u201cCastella\u201d, e a ilustra\u00e7\u00e3o acaba funcionando como uma met\u00e1fora da obra de Park. A geladeira abriga tudo aquilo que o autor oferece ao leitor. Temos os personagens fant\u00e1sticos como a girafa, o polvo, o pelicano e o guaxinim, mas tamb\u00e9m temos itens corriqueiros de uma geladeira tipicamente coreana, como \u00e9 o caso do pote de kimchi, um tipo de conserva que \u00e9 a base da alimenta\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o coreana. O bolinho de Castella tamb\u00e9m est\u00e1 na geladeira, assim como um exemplar de As viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, citado no livro.<\/p><p>Posta em contraste com capas de outras edi\u00e7\u00f5es de Castella ao redor do mundo, a edi\u00e7\u00e3o brasileira chama bastante aten\u00e7\u00e3o por suas escolhas. A edi\u00e7\u00e3o original coreana [Figura 2], apesar de trazer as criaturas de Park, possui uma colora\u00e7\u00e3o esmaecida, longe dos tons vibrantes da edi\u00e7\u00e3o brasileira. A tradu\u00e7\u00e3o japonesa [Figura 3], por sua vez, apresenta a foto do interior de uma geladeira contendo apenas o bolo que d\u00e1 t\u00edtulo \u00e0 antologia. A capa da tradu\u00e7\u00e3o argentina [Figura 4] \u00e9 a que mais se aproxima da inten\u00e7\u00e3o da capa de Ing Lee, pois aposta na multiplicidade de cores que as hist\u00f3rias do autor oferecem. No entanto, arrisco que o esquema de cores da edi\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o \u00e9 uma coincid\u00eancia. Al\u00e9m de remeterem \u00e0 est\u00e9tica quadrin\u00edstica de Lee, o uso de azul, vermelho e bege [funcionando como um branco, pois \u00e9 de um tom similar ao das p\u00e1ginas do livro] \u00e9 um esquema de cores recorrente na publica\u00e7\u00e3o de antologias de literatura coreana no Brasil, fazendo refer\u00eancia \u00e0s cores da bandeira da Coreia do Sul. O fato de Castella ser o primeiro exemplar de literatura coreana publicado pela Martin Claret ter um projeto gr\u00e1fico que aposta nessas cores n\u00e3o me parece coincid\u00eancia. O uso do hangul [escrita coreana] na capa e o destaque ao pote de kimchi na ilustra\u00e7\u00e3o de Lee, como que para afirmar que se trata de uma geladeira coreana, tamb\u00e9m s\u00e3o pistas de que nada na sele\u00e7\u00e3o desses aspectos a serem ressaltados \u00e9 arbitr\u00e1rio. Em seu texto, Gerber [2012] fala sobre a perpetua\u00e7\u00e3o de estere\u00f3tipos a respeito da cultura do texto de partida no processo de ilustra\u00e7\u00e3o de uma tradu\u00e7\u00e3o na cultura de chegada. O que identifico na edi\u00e7\u00e3o brasileira de Castella \u00e9 justamente o oposto, quando temos a atua\u00e7\u00e3o de uma profissional como Ing Lee. Seu trabalho junto \u00e0 editora Martin Claret parece caminhar para que haja um refor\u00e7o dos signos tipicamente coreanos na ilustra\u00e7\u00e3o da capa do livro, atitude que conversa com o seu habitus profissional, de ilustradora e quadrinista, e pessoal, de mulher coreano-brasileira.<\/p>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"has_eae_slider elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-0347460 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"0347460\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"has_eae_slider elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-ae4e811\" data-id=\"ae4e811\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap 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Fonte: Hwarang Editorial, 2021<\/p><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/section>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<section class=\"has_eae_slider elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-49f7daa elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"49f7daa\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"has_eae_slider elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-f931dd3\" data-id=\"f931dd3\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-a96ce73 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"a96ce73\" data-element_type=\"widget\" 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elementor-widget elementor-widget-text-editor elementor-widget__width-initial ui-resizable\" data-id=\"1e2abc0\" data-element_type=\"widget\" data-model-cid=\"c122\" data-widget_type=\"text-editor.default\"><div class=\"elementor-widget-container\"><div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix elementor-inline-editing\" data-elementor-setting-key=\"editor\" data-elementor-inline-editing-toolbar=\"advanced\"><p>\u00a0<\/p><p><span style=\"font-family: inherit; text-align: inherit;\">Ao tomar um exemplar de literatura traduzida como objeto de an\u00e1lise, \u00e9\u00a0poss\u00edvel encontrar em seus paratextos marcas dos agentes da reescrita implicados no processo de tradu\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o dessas obras. A partir do\u00a0paratexto do livro traduzido \u00e9 poss\u00edvel refletir acerca do papel dos agentes\u00a0implicados no processo de reescrita, \u00e0 luz dos Estudos Descritivos e da Sociologia da Tradu\u00e7\u00e3o, pois o paratexto reserva em sua natureza essa dupla\u00a0caracter\u00edstica de ser texto, mas n\u00e3o fazer parte do texto traduzido.\u00a0<\/span><\/p><p>Trata-se de um limiar, uma soleira, como afirmou Genette. Os agentes produzem discursos que ressignificam as reescritas e, a partir disso, \u00e9 poss\u00edvel desenvolver uma reflex\u00e3o a respeito do papel deles em vista do contexto sociocultural em curso na produ\u00e7\u00e3o de cada uma dessas obras. Logo, o paratexto pode ter grande import\u00e2ncia para uma investiga\u00e7\u00e3o que evidencia as marcas deixadas pelos agentes da reescrita e h\u00e1 uma grande pot\u00eancia em explorar essas marcas \u00e0 luz de uma teoria sociol\u00f3gica que reflita a respeito do agente em sua composi\u00e7\u00e3o como tal, na trajet\u00f3ria que o levou a ocupar aquela posi\u00e7\u00e3o e em como aquela produ\u00e7\u00e3o espec\u00edfica se enquadra na sua pr\u00e1tica profissional \u00e0 luz do seu habitus.\u00a0<\/p><p>Essa abordagem \u00e9 particularmente proveitosa no que tange as antologias de literatura coreana publicadas no Brasil, ricas em paratextos e mais ricas ainda em seus agentes, que estabelecem redes que merecem ser estudadas, servindo de base a um estudo a respeito da inser\u00e7\u00e3o da literatura coreana no Brasil, mas tamb\u00e9m \u00e0 pr\u00f3pria l\u00f3gica de publica\u00e7\u00e3o de literatura traduzida no mercado editorial brasileiro.<\/p><\/div><\/div><div>\u00a0<\/div><div class=\"ui-resizable-handle ui-resizable-w\">Apresenta\u00e7\u00e3o do autor<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/section><section class=\"elementor-element elementor-element-edit-mode elementor-element-c50c7c8 elementor-section elementor-top-section elementor-section-boxed elementor-section-height-default\" data-id=\"c50c7c8\" data-element_type=\"section\" data-model-cid=\"c135\"><div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default ui-sortable\"><div class=\"elementor-element elementor-element-edit-mode elementor-element-8d616e2 elementor-element--toggle-edit-tools elementor-column elementor-top-column ui-resizable\" data-id=\"8d616e2\" data-element_type=\"column\" data-model-cid=\"c136\" data-col=\"100\"><div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated ui-sortable\"><div class=\"elementor-element elementor-element-edit-mode elementor-element-46e8b41 elementor-element--toggle-edit-tools elementor-widget elementor-widget-text-editor ui-resizable\" data-id=\"46e8b41\" data-element_type=\"widget\" data-model-cid=\"c137\" data-widget_type=\"text-editor.default\"><div class=\"elementor-widget-container\"><div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix elementor-inline-editing\" data-elementor-setting-key=\"editor\" data-elementor-inline-editing-toolbar=\"advanced\"><p>Alexsandro Pizziolo \u00e9 mestrando do Programa de P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Estudos da Linguagem, na linha de pesquisa Linguagem, sentido e tradu\u00e7\u00e3o, no Departamento de Letras da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro [PUC-Rio], pesquisador associado da Coordenadoria de Estudos Asi\u00e1ticos [CE\u00c1SIA], vinculado ao Centro de Estudos Avan\u00e7ados da Universidade Federal de Pernambuco [CEA-UFPE] e bolsista FAPERJ Nota 10. E-mail: alex.pizziolo@gmail.com.<\/p><\/div><\/div><div class=\"ui-resizable-handle ui-resizable-e\">\u00a0<\/div><div class=\"ui-resizable-handle ui-resizable-w\">Refer\u00eancias<\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/section><section class=\"elementor-element elementor-element-edit-mode elementor-element-6d1eb90 elementor-section elementor-top-section elementor-section-boxed elementor-section-height-default\" data-id=\"6d1eb90\" data-element_type=\"section\" data-model-cid=\"c153\"><div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default ui-sortable\"><div class=\"elementor-element elementor-element-edit-mode elementor-element-fd27dba elementor-element--toggle-edit-tools elementor-column elementor-top-column ui-resizable\" data-id=\"fd27dba\" data-element_type=\"column\" data-model-cid=\"c154\" data-col=\"100\"><div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated ui-sortable\"><div class=\"elementor-element elementor-element-edit-mode elementor-element-b72b1a6 elementor-element--toggle-edit-tools elementor-widget elementor-widget-text-editor ui-resizable\" data-id=\"b72b1a6\" data-element_type=\"widget\" data-model-cid=\"c155\" data-widget_type=\"text-editor.default\"><div class=\"elementor-widget-container\"><div class=\"elementor-text-editor elementor-clearfix elementor-inline-editing\" data-elementor-setting-key=\"editor\" data-elementor-inline-editing-toolbar=\"advanced\"><p>BOURDIEU, Pierre. The Forms of Capital. In: RICHARDSON, John G. (org.) Handbook of Theory of Research for the Sociology of Education. Tradu\u00e7\u00e3o para o ingl\u00eas de Richard Nice. Westport, CT: Greenwood Press, 1986. p. 241-258.<\/p><p>CARNEIRO, Teresa Dias. Contribui\u00e7\u00f5es para uma teoria do paratexto do livrotraduzido: caso das tradu\u00e7\u00f5es de obras liter\u00e1rias francesas no Brasil a partir demeados do s\u00e9culo XX. Tese (doutorado) \u2013 Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do\u00a0Rio de Janeiro, Departamento de Letras, 2014.<\/p><p>CLARET, Equipe Editora Martin. A Editora. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.martinclaret.com.br\/a-editora\/. Acesso em: 26 jun. 2023.\u00a0<\/p><p>FAREWELL, Nick. Introdu\u00e7\u00e3o. In: MIN-GYU, Park. Castella. Tradu\u00e7\u00e3o de Nick Farewell. S\u00e3o Paulo: Martin Claret, 2022.<\/p><p>GENETTE, G\u00e9rard. Paratextos editoriais. Tradu\u00e7\u00e3o de \u00c1lvaro Faleiros. S\u00e3o Paulo: Ateli\u00ea Editorial, 2009.<\/p><p>GERBER, Leah. Marking the Text: Paratextual Features in German\u00a0Translations of Australian Children\u2019s Fiction. In: GIL-BARDAJ\u00cd, Anna; ORERO,\u00a0Pilar; ROVIRA-ESTEVES, Sara (org.). Translation Peripheries: Paratextual\u00a0Elements in Translation. Bern: Peter Lang, 2012. p. 43-61.\u00a0<\/p><p>GOUANVIC, Jean-Marc. A Bourdieusian Theory of Translation, or the\u00a0Coincidence of Practical Instances. Field, \u2018Habitus\u2019, Capital and \u2018Illusio\u2019. In:\u00a0INGHILLERI, M. (Ed.) Bourdieu and the Sociology of Translation and\u00a0Interpreting. The Translator, Special Issue. Manchester, UK: St. Jerome, 2005.\u00a0p. 147-166.<\/p><p>LEFEVERE, Andr\u00e9. Translation: Its Genealogy in the West. In: BASSNETT, Susan; LEFEVERE Andr\u00e9 (org.). Translation, History and Culture. London: Pinter, 1990, p. 14-28.<\/p><p>Translation, Rewriting and the Manipulation of Literary Fame. London\/New York: Routledge, 1992.\u00a0<\/p><p>MCRAE, Ellen. The Role of Translators\u2019 Prefaces to Contemporary Literary.\u00a0Translations into English: An Empirical Study. In: GIL-BARDAJ\u00cd, Anna et al (ed.). Translation Peripheries: Paratextual Elements in Translation. Bern: PeterLang, 2012. p. 63-82.<\/p><p>PARK, Min-Gyu. Castella. Tradu\u00e7\u00e3o de Nick Farewell. S\u00e3o Paulo: Martin Claret,\u00a02022.\u00a0<\/p><p>TAHIR-G\u00dcR\u00c7A\u011eLAR, \u015eehnaz. What Texts Don\u2019t Tell: The Uses of Paratexts in\u00a0Translation Research. In: HERMANS, Theo (org.). Crosscultural\u00a0Transgressions: research models in Translation Studies II: historical and\u00a0ideological issues. Manchester\/Northampton: St. Jerome Publishing, 2002. p.\u00a044-60.<\/p><p>TOURY, Gideon. Descriptive Translation Studies and Beyond (Revised Edition).<br \/>Amsterdam: John Benjamins, 2012.<\/p><p>WU, Yi-Ping; SHEN, Ci-Shu. (Ir)reciprocal Relation between Text and Paratext in the Translation of Taiwan\u2019s Concrete Poetry: A Case Study of Chen Li. In: PELLATT, Valerie. Text, Extratext, Metatext and Paratext in Translation. Cambridge: Cambridge Scholars Publishing, 2013. p. 103-119.<\/p><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/div><\/section>\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0 O presente trabalho \u00e9 um estudo de caso que pretende oferecer uma reflex\u00e3o acerca dos elementos capazes de influenciar a produ\u00e7\u00e3o e a recep\u00e7\u00e3o de um texto traduzido em sua cultura receptora. A partir de tem\u00e1ticas oriundas dos Estudos da Tradu\u00e7\u00e3o, analiso os constituintes paratextuais de Castella, de Park Min-Gyu, publicado no Brasil em [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":6771,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_editorskit_title_hidden":false,"_editorskit_reading_time":0,"_editorskit_is_block_options_detached":false,"_editorskit_block_options_position":"{}","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0},"categories":[3,117],"tags":[115,116],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6770"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6770"}],"version-history":[{"count":41,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6770\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6816,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6770\/revisions\/6816"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6771"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6770"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6770"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6770"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}