{"id":6747,"date":"2023-08-09T12:11:57","date_gmt":"2023-08-09T15:11:57","guid":{"rendered":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/?p=6747"},"modified":"2023-08-09T13:09:23","modified_gmt":"2023-08-09T16:09:23","slug":"artigo-de-opiniao-a-trajetoria-de-ariane-mnouchkine-no-teatro-japones","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/?p=6747","title":{"rendered":"ARTIGO DE OPINI\u00c3O | A Trajet\u00f3ria de Ariane Mnouchkine no Teatro Japon\u00eas"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\">Scarlett Siqueira Do Valle<sup>1<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p><strong>AS AVENTURAS DE ARIANE NO TEATRO ORIENTAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\"><br>\u201cViajante, n\u00e3o h\u00e1 caminho, caminhado se faz o caminho\u201d.<br><strong>Poeta espanhol Antonio Machado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A famosa viagem que Ariane Mnouchkine fez no in\u00edcio de seus estudos teatrais para o Oriente, corresponde a sua forma aut\u00f4noma de aprendizagem sobre a hist\u00f3ria e as t\u00e9cnicas de elabora\u00e7\u00e3o art\u00edstica dos teatros antigos, as quais ser\u00e3o essenciais para sua forma\u00e7\u00e3o como diretora. Mnouchkine descreve a import\u00e2ncia dessa experi\u00eancia na sua vida:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-ek-indent\" style=\"--ek-indent:120px\">Eu me deixei levar por tudo o que via. Eu era uma esp\u00e9cie de esponja. E hoje fico muito feliz de ter sido assim! Sem saber, quase sem querer, fui juntando um tesouro que ia mudar toda a minha maneira de ver, e de viver. (MNOUCHKINE, 2011, p.54)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O caminho autodidata de Ariane Mnouchkine atrav\u00e9s de culturas t\u00e3o complexas e fascinantes foi fundamental para sua forma\u00e7\u00e3o como preparadora e diretora. Assim que Mnouchkine volta para Fran\u00e7a, ela funda junto com alguns companheiros de trabalho o Th\u00e9\u00e2tre du Soleil, em 1964, um modelo peculiar de estrutura teatral em formato de trupe. (MNOUCHKINE, 2011, p.30) Desde 1970, o Soleil ocupa a conhecida Cartoucherie, transformada numa comunidade teatral, como descreve B\u00e9atrice Picon-Vallin:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-ek-indent\" style=\"--ek-indent:120px\">Todos sob o mesmo teto. Tudo pode circular. As naves da Cartoucherie permitir\u00e3o realizar o sonho de fazer tudo por si mesmo com o mais alto grau de excel\u00eancia. O sonho de uma microssociedade onde cada um apreder\u00e1 dos outros e para os outros, fazendo com que se cruzem as diferentes disciplinas das artes e das t\u00e9cnicas, e as nacionalidades dialoguem. (PICON-VALLIN, 2017, p.59)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mesmo nesta atmosfera de cont\u00ednua ebuli\u00e7\u00e3o cultural que \u00e9 o Th\u00e9\u00e2tre du Soleil, o teatro Kabuki e Bunraku se tornaram elementos importantes fundamentais entre as diversas t\u00e9cnicas utilizadas por Ariane Mnouchkine tanto para prepara\u00e7\u00e3o na constru\u00e7\u00e3o art\u00edsticas de suas pe\u00e7as. Cada espet\u00e1culo constru\u00eddo por Mnouchkine \u00e9 \u00fanico, como o momento, n\u00e3o h\u00e1 como repetir, por\u00e9m durante a prepara\u00e7\u00e3o dos atores h\u00e1 alguns elementos que se repetem, entre eles est\u00e1 a t\u00e9cnica oriental da utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e1scaras.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TEATRO KABUKI<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">\u201cO teatro \u00e9 oriental\u201d.<br><strong>Antonin Artaud<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O teatro Kabuki nasce na \u00e9poca do Jap\u00e3o feudal, no per\u00edodo Era Edo (1603- 1867) sob o dom\u00ednio do X\u00f4gum Tokugawa Ieyasu que fechou as fronteiras para qualquer estrangeiro com poucas exce\u00e7\u00f5es. (MATSUDA, 2016, p.93) Sem guerras internas e externas por meio do crescimento comercial e com o isolamento ordenado pelo X\u00f4gum, as artes nip\u00f4nicas, nesta \u00e9poca prosperaram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O Kabuki \u00e9 o teatro popular japon\u00eas feito por pessoas do povo com uma dramaturgia escrita sobre o cotidiano das classes menos favorecidas, \u00e0s vezes, com um apelo excessivo da sensualidade. A palavra kabuki significa algo como obl\u00edquo, o que implica uma conduta exc\u00eantrica. (TIME-LIFE, 2009, p.120)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Com o passar do tempo, o Teatro Kabuki foi cada vez mais ganhando harmonia com toda sociedade japonesa desenvolvendo enredos que retratavam a hist\u00f3rias locais, nesse caminho surgiram dois novos estilos:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-ek-indent\" style=\"--ek-indent:120px\">Surgem dois novos estilos de atua\u00e7\u00e3o no Kabuki: o aragoto e o wagoto. O aragoto (= estilo bruto) era liderado pelo ator Ichikawa Danjuro (1660-1704), em Edo. A t\u00e9cnica \u00e9 poderosa e agitada, marcada pelo figurino e a maquiagem kumadori e t\u00e9cnicas e atua\u00e7\u00e3o como o mie (=ver) e roppo (=seis passos) O wagoto (=estilo suave, gracioso), liderado por Sakata T\u00f4j\u00fbr\u00f4 (1647-1709), em Kamigata, enfatiza o ator rom\u00e2ntico, refinado e apaixonado, com caracter\u00edsticas mais realistas e delicadas que o aragoto. (MATSUDA, 2016, p.102)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Estas t\u00e9cnicas descritas acima s\u00e3o utilizadas at\u00e9 nos dias de hoje por atores do teatro Kabuki no mundo e consequentemente incorporadas pela diretora Ariane Mnouchkine no seu trabalho com os atores do Soleil.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong>BUNRAKU<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">\u201cOs manipuladores do bunraku s\u00e3o deuses encarnados, O<br>bunraku \u00e9 o \u00fanico teatro de bonecos no mundo, que<br>utiliza tr\u00eas manipuladores para cada boneco\u201d.<br><strong>Jean-Louis Barrault<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O teatro Bunraku, teatro de bonecos manipul\u00e1veis, nasceu junto com o teatro Kabuki na \u00e9poca do Jap\u00e3o feudal. Estudiosos costumam nomear o Bunraku de As tr\u00eas artes do Bunraku (KUSANO, 2018, p.9). S\u00e3o tr\u00eas pois al\u00e9m da manipula\u00e7\u00e3o dos bonecos, que podem atingir um metro de altura, o Bunraku possui uma narrativa extensa e bem cuidada, com hist\u00f3rias do universo nip\u00f4nico e, al\u00e9m disso, o instrumento tradicional japon\u00eas chamado shaminen acompanha todo o espet\u00e1culo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Bunraku, como explica Matsuda, \u00e9 chamado de Ningy\u00f4-Joruri e seu significa \u2018prazeres liter\u00e1rios\u2019. (MATSUDA, 2016, p.127) A dramaturgia, que muitas vezes lembra uma cerim\u00f4nia religiosa japonesa, \u00e9 um dos elementos importantes para este tipo de teatro, ainda assim, as tr\u00eas artes devem estar em perfeita harmonia, como esclarece Kusano:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-ek-indent\" style=\"--ek-indent:120px\"><strong>As narrativas<\/strong> tiveram um extraordin\u00e1rio desenvolvimento no Jap\u00e3o, florescendo no s\u00e9culo 10 e tornando-se populares no fim do s\u00e9culo 12 com os Contos de Heike, que relatam a ascens\u00e3o militar e queda do cl\u00e3 Heike.<br><strong>O shamisen<\/strong>, instrumento de tr\u00eas cordas, revestido de pele de gato ou cachorro, deriva do jabisen (de pele de cobra), importado das ilhas Ry\u00fbky\u00fb (Okinawa). Ele era melhor que o biwa (ala\u00fade nip\u00f4nico), para expressar os sentimentos sutis e o pathos, com o seu tom claro, leve e alto.<br><strong>Bonecos e manipuladores<\/strong> \u2013 Os bonecos do bunraku t\u00eam em geral metade da altura de um homem e pesam de dez a quinze quilos. (\u2026) S\u00e3o compostos de quatro partes: cabe\u00e7a, tronco, bra\u00e7os e pernas. As cabe\u00e7as s\u00e3o feitas de cipreste japon\u00eas (hinoki) e as mais simples de paulownia (kiri). (KUSANO, 2018, p.10)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Este teatro de marionete tornou-se popular n\u00e3o s\u00f3 no Jap\u00e3o, mas em todo mundo pelo grau de refinamento na manipula\u00e7\u00e3o desses bonecos gigantes feitos de madeira representando muitas vezes um realismo assustador. Para os bonecos principais s\u00e3o necess\u00e1rios tr\u00eas manipuladores vestidos de preto e as outras personagens, apenas um manipulador. \u00c9 preciso muitos anos de treinamento para que os movimentos do boneco detenham a simetria dos movimentos do manipulador.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">No espet\u00e1culo Tambores sobre o dique realizado pelo Th\u00e9\u00e2tre du Soleil, para a estrutura\u00e7\u00e3o da narrativa foram utilizados bonecos de pano e tamb\u00e9m marionetes humanas inspirados no teatro Kabuki e no Bunraku. Ariane Mnouchkine trabalhou o corpo dos atores marionetes e dos manipuladores at\u00e9 chegar a uma perfei\u00e7\u00e3o impressionante.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><strong>ELEMENTOS MARCANTES DO TEATRO ORIENTAL UTILIZADOS NA PE\u00c7A \u201cTAMBORES SOBRE O DIQUE\u201d<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">\u201cPartir juntamente com uma obra \u00e9 partir para uma aventura\u201d.<br><strong>Ariane Mnouchkine<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Para a constru\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a Tambores sobre o dique, Ariane Mnouchkine utilizou alguns elementos do teatro japon\u00eas estudados anteriormente para sua cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica. Foram selecionadas tr\u00eas t\u00e9cnicas significativas e percept\u00edveis para an\u00e1lise:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><span style=\"text-decoration: underline;\" class=\"ek-underline\">Os Koken (Manipuladores) e as Marionetes humanas<\/span> \u2013 como j\u00e1 foi dito, o Teatro Kabuki e o Bunraku surgiram na mesma \u00e9poca. Existe uma forma antiga do Kabuki muito rara atualmente, como explica B\u00e9atrice Picon-Vallin, no qual os atores do Kabuki que tanto admiravam as grandes marionetes do Bunraku, se transformam em marionetes com o seus manipuladores (Koken). (PICON-VALLIN, 2017, p.244)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Para transformar seus atores em not\u00e1veis manipuladores chamados por ela de Koken (PICON-VALLIN, 2017, p.360) capazes de manipular com grande sintonia os atores-marionetes, atrav\u00e9s da t\u00e9cnica do teatro Bunraku, estudado anteriomente, as marionetes s\u00e3o movimentadas em quatro pontos: cabe\u00e7a, tronco, bra\u00e7os e pernas. Ariane Mnouchkine teve que aprimorar tanto a coragem f\u00edsica quanto a resist\u00eancia mental de seus atores, conforme seu relato:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-ek-indent\" style=\"--ek-indent:120px\">Tinham que passar de imobilidade a outra sempre com deslocamentos obl\u00edquos, para dar a impress\u00e3o de que estavam flutuando sobre a terra, de que estavam voando. \u00c0s vezes, eles n\u00e3o aguentavam mais. Mas por isso conseguiam esquecer deles mesmos, e logo ter prazer. Pois se trata de um prazer sublime, mesmo assim! (MNOUCHKINE, 2011, p.179)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Observa-se na pe\u00e7a Tambores sobre o dique realizada pelo Th\u00e9\u00e2tre du Soleil, o trabalho corporal intenso dos atores-marionetes, como descrito por Mnouchkine. Os atores realizam movimentos t\u00e3o similares aos dos bonecos de madeira do Bunraku, que deixam o espectador em d\u00favida se s\u00e3o bonecos ou atores. A proeza dos manipuladores \u00e9 admir\u00e1vel, todos cobertos de preto da cabe\u00e7a aos p\u00e9s, mostrando uma habilidade e harmonia com o seu partner, as quais s\u00e3o essenciais para a constru\u00e7\u00e3o da po\u00e9tica da pe\u00e7a. Como descreve Picon-Vallin:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-ek-indent\" style=\"--ek-indent:120px\">Enrijecidas pela arte, finas e im\u00f3veis, as pequenas m\u00e3os das marionetes agitam-se na sua delicada in\u00e9rcia. No mais das vezes s\u00e3o os koken que seguram os acess\u00f3rios (leques, sombrinhas, espadas, lanternas) e os manipulam. O movimento incessante prov\u00e9m do resto do corpo, de suas zonas articuladas, balan\u00e7ando, ocilando, cambaleando para a direita e para a esquerda, em busca de um equil\u00edbrio sempre perdido e sempre procurado. (PICON-VALLIN, 2017, p.253)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ariane Mnouchkine trabalha continuamente com marionetes e m\u00e1scaras orientais como ferramentas de prepara\u00e7\u00e3o dos seus atores. Mesmo quando os espet\u00e1culos n\u00e3o possuem nenhuma men\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica ao Oriente. Estes elementos ajudam a diretora pela busca ao distanciamento entre o ator e personagem, uma das caracter\u00edsticas marcantes do seu treinamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><span style=\"text-decoration: underline;\" class=\"ek-underline\">O Benshi<\/span> \u2013 a tradi\u00e7\u00e3o do narrador e comentador v\u00eam do teatro Kabuki, Bunraku e foi incorporado ao cinema japon\u00eas nos anos 30. Nestes espet\u00e1culos o narrador-cantor expressa o texto como uma entona\u00e7\u00e3o de mantras budistas acompanhado pela melodia que se modifica e dialoga com as emo\u00e7\u00f5es da personagem e do texto narrado. Juliana Miyuki Matsuda descreve como eram estes narradores no Bunraku:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-ek-indent\" style=\"--ek-indent:120px\">A m\u00fasica \u00e9 cantada, geralmente, por um \u00fanico tayu (=narrador), que antes de come\u00e7ar a ler o livro, ergue-o na altura da cabe\u00e7a e se curva em sinal de respeito, \u00e9 ele quem produz a voz de todos os personagens, e atrav\u00e9s de sua express\u00e3o vocal, facial e corporal \u00e9 poss\u00edvel compreender melhor a atmosfera e os sentimentos dos personagens. Do seu lado esquerdo senta-se o tocador de shamisen, que juntos transmitem \u201cuma gama de emo\u00e7\u00f5es e varia\u00e7\u00f5es de estados psicol\u00f3gicos.\u201d (\u2026) A narra\u00e7\u00e3o cantada com acompanhamento se shamisen do bunraku tem fun\u00e7\u00e3o de descrever, situar, apresentar a a\u00e7\u00e3o e expressar sentimentos mais profundos e os pensamentos dos personagens. (MATSUDA, 2016, p.136)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Na \u00e9poca do cinema mudo japon\u00eas a figura do benshi tornou-se popular por sua performance muito parecida com os narradores do Bunraku. Muitos cineastas japon\u00eas como Akira Kurosawa utilizaram desse recursos para enriquecer seus filmes, principalmente, de tem\u00e1tica samurai. Estes filmes mudos com narra\u00e7\u00e3o do benshi eram os preferidos do p\u00fablico japon\u00eas naquele tempo. Freda Freiberg descreve esta \u00e9poca:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-ek-indent\" style=\"--ek-indent:120px\">Ao longo da d\u00e9cada de 1930, quatro tipos de filmes coexistiram nos cinemas japoneses:<br>(i) filmes mudos acompanhados de narra\u00e7\u00e3o viva de benshi e m\u00fasica ao vivo realizadas no teatro;<br>(ii) filmes silenciosos com uma &#8220;banda de som&#8221; de m\u00fasica gravada e efeitos sonoros e legendas intermitentes para transmitir o di\u00e1logo;<br>(iii) filmes sonoros com uma &#8220;banda sonora&#8221; p\u00f3s-sincronizada de m\u00fasica gravada, efeitos sonoros e narra\u00e7\u00e3o;<br>(iv) talkies completos, com atores que falam di\u00e1logo sincronizado, misturados com som gravado e m\u00fasica na trilha sonora.<br>(FREIBERG,2018, p.2)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">\u00c9 nessa \u00f3rbita que Ariane Mnouchkine come\u00e7a a trabalhar com os atores para a elabora\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a Tambores sobre o Dique, no primeiro momento, como descreve B\u00e9atrice Picon-Vallin, a trupe rev\u00ea toda a obra de Kenji Mizoguchi e Akira Kurosawa. (PICON-VALLIN, 2017, p.251) Mnouchkine ao aprofundar-se neste universo nip\u00f4nico n\u00e3o poderia deixar de lado, uma das figuras mais populares e importantes que \u00e9 o benshi na composi\u00e7\u00e3o do seu espet\u00e1culo, como explica PiconVallin:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-ek-indent\" style=\"--ek-indent:120px\">Assim, as vozes em off do Caravan\u00e7ar\u00e1 e do Louca Esperan\u00e7a respondem \u00e0 da narradora-diretora dos Tambores\/filme, ao mesmo tempo, ali\u00e1s, que \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o do benshi, o comentador dos prim\u00f3rdios do cinema japon\u00eas, cuja fun\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o se extinguiu em T\u00f3quio. (PICON-VALLIN, 2017, p.259)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A utiliza\u00e7\u00e3o do narrador pode ser apreciada mais nitidamente no filme sobre a pe\u00e7a Tambores sobre o Dique, em algumas cenas os atores aparecem na montagem, narrando as vozes das suas personagens, como faz o benshi. Toda a sonoriza\u00e7\u00e3o do filme-teatro foi criada e incorporada na p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o pelos atores e profissionais do <em>Th\u00e9\u00e2tre du Soleil<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">As M\u00e1scaras das marionetes \u2013 de acordo com estudos anteriores sobre o Teatro Bunraku, as cabe\u00e7as feitas de madeira das marionetes consistiam de uma veracidade que perturbava o espectador japon\u00eas com tra\u00e7os fortes que imitavam personagens hist\u00f3ricos do per\u00edodo antigo. Esta foi a inspira\u00e7\u00e3o dos atores na cria\u00e7\u00e3o das m\u00e1scaras utilizadas para a pe\u00e7a Tambores sobre o Dique. Como explica Juliana Miyuki Matsuda:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-ek-indent\" style=\"--ek-indent:120px\">Inicialmente Erhard Stiefel prop\u00f4s o uso de m\u00e1scaras de madeira que imitam as cabe\u00e7as de marionetes asi\u00e1ticas, mas posteriormente os atores passaram a criar suas pr\u00f3prias m\u00e1scaras em meia cal\u00e7a. (\u2026) A m\u00e1scara final era uma meia cal\u00e7a, usada de base, que os atores colocavam sobre a cabe\u00e7a. Cortes foram feitos na \u00e1rea dos olhos e da boca, depois, eles a maquiavam fundir a m\u00e1scara ao rosto, e assim assumir seu aspecto e transpar\u00eancia, como se fosse uma segunda pele. (MATSUDA, 2016, p.209)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">B\u00e9atrice Picon-Vallin detalha, como os atores confeccionaram estas m\u00e1scaras male\u00e1veis que imitavam as cabe\u00e7as das marionetes do Bunraku e deformavam os rostos para diminuir a sua expressividade:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-ek-indent\" style=\"--ek-indent:120px\">Os finos semblantes s\u00e3o cobertos de m\u00e1scaras flex\u00edveis, costuradas pelos atores com gazes e nylon enchuma\u00e7ado de algod\u00e3o, tingido ou pintado, que os deformam, lhes d\u00e3o outra forma, os tornam irreconhec\u00edveis. Em Tambores, em que n\u00e3o se trata tanto de coa\u00e7\u00e3o quanto de conquista, os olhos fundos parecem de madeira ou de pedra. (PICON-VALLIN, 2017, p.259)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A perturba\u00e7\u00e3o provocada pela cabe\u00e7a quase humana dos bonecos do Bunraku \u00e9 transportada de modo inverso para o rosto dos atores do Soleil. Ariane Mnouchkine manipula os princ\u00edpios das ferramentas tradicionais dos teatros estudados, para construir em cada espet\u00e1culo um mundo diferente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A DRAMATURGIA ORIENTAL E OS PROBLEMAS UNIVERSAIS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">\u201cMeu tesouro \u00e9 o mundo. Eu n\u00e3o sou nem desinteressada<br>nem altru\u00edsta desejando que ele seja o menos devastado<br>poss\u00edvel\u201d.<br><strong>Ariane Mnouchkine<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A pe\u00e7a Tambores sobre o Dique escrita por H\u00e9l\u00e8ne Cixous, conta a hist\u00f3ria de uma aldeia, em alguma parte da \u00c1sia, dominada pelo Imperador (X\u00f4gum) Senhor Khang. Por causa das fortes tempestades e da amea\u00e7a de uma grande inunda\u00e7\u00e3o que ocasionaria um desastre de grandes propor\u00e7\u00f5es, o administrador da aldeia ter\u00e1 que tomar uma resolu\u00e7\u00e3o, romper dique norte e destruir a parte financeira ou o dique sul acabando com a cultura do local. Em raz\u00e3o da indecis\u00e3o dos governantes e a aproxima\u00e7\u00e3o de uma fatalidade, o povo por interm\u00e9dio da filha do vidente, Duan, decide comandar um grupo de tocadores de tambores na parte alta do povoado, para avisar a popula\u00e7\u00e3o da emin\u00eancia de uma trag\u00e9dia. B\u00e9atrice Picon-Vallin conta como foi o insight para cria\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-ek-indent\" style=\"--ek-indent:120px\">\u201cSe voc\u00ea escrevesse uma pe\u00e7a que tivesse sido escrita pelo poeta HisXhou, uma pe\u00e7a antiga, que foi representada outrora tanto por marionettes quanto por atores, que ora eram mulheres representando todos os pap\u00e9is, ora homens representando todos os pap\u00e9is, conforme a pe\u00e7a era apresentada em determinado reino sob determinada lei e determinado interdito?\u2019, eis o que a diretora disse um dia \u00e0 autora.(\u2026)\u201d (PICON-VALLIN, 2017, p.250)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ao abordar quest\u00f5es t\u00e3o sens\u00edveis e atuais da vida de um governante que tem em suas m\u00e3os o poder de gerar ou destruir vidas, H\u00e9l\u00e8ne Cixous fundamentou a dramaturgia numa met\u00e1fora atrav\u00e9s de uma narrativa baseada na China de cheias catastr\u00f3ficas que tamb\u00e9m sofre por problemas globais como urbaniza\u00e7\u00e3o, corrup\u00e7\u00e3o, gan\u00e2ncia e jogo de poder. Ariane Mnouchkine explica o tema da pe\u00e7a:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-ek-indent\" style=\"--ek-indent:120px\">O tema do espet\u00e1culo tinha vindo de inunda\u00e7\u00f5es recentes por\u00e9m habituais, na China. Como havia acontecido algumas vezes, o Ex\u00e9rcito chin\u00eas havia destru\u00eddo os diques para salvar uma cidade, s\u00f3 que o Ex\u00e9rcito estava l\u00e1 para refor\u00e7ar as barragens, n\u00e3o tomaram as  precau\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias e foram levados pelas \u00e1guas! (MNOUCHKINE, 2011, p.178)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Este \u00e9 o fio condutor de toda trama e do qual surge uma pergunta central: At\u00e9 que ponto um administrador p\u00fablico poder\u00e1 interferir e at\u00e9 prejudicar a vida de uma popula\u00e7\u00e3o em benef\u00edcio pr\u00f3prio ou de outras pessoas? Esta \u00e9 uma quest\u00e3o t\u00e3o antiga, no entanto t\u00e3o atual.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">\u201cO mundo inteiro \u00e9 um jardim de cerejeiras, a terra \u00e9 um<br>jardim de cerejeiras, o planeta \u00e9 um jardim de cerejeiras\u201d.<br><strong>Ariane Mnouchkine<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A constru\u00e7\u00e3o de um oriente imagin\u00e1rio como um novo modo de fazer teatro \u00e9 uma das marcas da diretora Ariane Mnouchkine. Na pe\u00e7a Tambores sobre o Dique, os temas do cotidiano s\u00e3o abordados por meio de v\u00e1rias met\u00e1foras sutis tanto na narrativa, quanto na estrutura\u00e7\u00e3o art\u00edstica das cenas. Esta caracter\u00edstica tamb\u00e9m \u00e9 utilizada pelo teatro japon\u00eas, desde os seus prim\u00f3rdios at\u00e9 o teatro contempor\u00e2neo. Como foi indicado neste artigo, atrav\u00e9s da uma constru\u00e7\u00e3o art\u00edstica n\u00e3o realista, com bonecos e manipuladores, musica e f\u00e1bulas pode-se tratar de assuntos t\u00e3o importantes e complexos para ser humano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify has-ek-indent\" style=\"--ek-indent:120px\">(\u2026) Voc\u00eas conhecem aquela pergunta m\u00e1gica: \u201cE se n\u00f3s foss\u00eamos uma trupe japonesa?\u201d Imediatamente isso quer dizer que n\u00e3o seremos mais n\u00f3s mesmo. E isso \u00e9 a flor do teatro: a felicidade de n\u00e3o ser mais voc\u00ea, de deixar vir o outro, o desconhecido. \u201cParece at\u00e9 que \u00e9 verdade!\u201d Certas frases da inf\u00e2ncia nos s\u00e3o indispens\u00e1veis. (MNOUCHKINE, 2011, p.52)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Utilizando ferramentas como benshi, atores-marionetes e koken, m\u00e1scaras flex\u00edveis que s\u00e3o elementos do universo teatral japon\u00eas, por n\u00e3o estarem no lugar comum, Ariane Mnouchkine consegue causar o estranhamento na percep\u00e7\u00e3o do espectador. Cada pessoa que entra na Cartoucherie para assistir uma pe\u00e7a do Soleil embarca numa viagem sem b\u00fassola, pois este \u00e9 o lugar onde tudo \u00e9 poss\u00edvel, um mundo de imagina\u00e7\u00f5es capitaneado por Mnouchkine. Dessa forma, Ariane Mnouchkine n\u00e3o est\u00e1 construindo um teatro Kabuki ou Bunraku tamb\u00e9m n\u00e3o est\u00e1 utilizando benshi para encobrir uma imperfei\u00e7\u00e3o das vozes dos atores, ela simplesmente est\u00e1 compondo sua pr\u00f3pria linguagem utilizando t\u00e9cnicas destes e de outros teatros. Este modus operandi de Mnouchkine \u00e9 o que oferece a liberdade criativa que embeleza, potencializa e torna t\u00e3o pr\u00f3prio a sua forma de preparar e dirigir.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>NOTAS DE RODAP\u00c9<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><sup>1<\/sup>Scarlett Siqueira do Valle \u00e9 pesquisadora associada da Curadoria de Literatura Asi\u00e1tica (CE\u00c1SIA\/UFPE), \u00e9 doutoranda em Comunica\u00e7\u00e3o e Semi\u00f3tica pela Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (PUC-SP) sob orienta\u00e7\u00e3o de Profa. Dra. Christine Greiner. Mestre em Artes da Cena na Escola Superior de Artes C\u00e9lia Helena (ESCH-SP). P\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Dire\u00e7\u00e3o Teatral na ESCH-SP. Bolsista Capes. ORCID: https:\/\/orcid.org\/0000-0002-2193-6591 e-mail: scarlettdovalle@gmail.com<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">FERAL, Josette. <strong>Encontros com Ariane Mnouchkine<\/strong>: erguendo um monumento ao ef\u00eamero. S\u00e3o Paulo: Ed. SESC SP, 2010. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">FREIBERG, Freda. <strong>The transition to sound in Japan<\/strong>. Dispon\u00edvel em https:\/\/soma.sbcc.edu\/users\/davega\/NON_ACTIVE_CLASSES\/FILMST_113\/Films. Acesso: 09 jan 2018. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">GRUIA, Ioana. T<strong><em>ambours sur la digue de H\u00e9l\u00e8ne Cixous<\/em><\/strong>: <em>la marioneta<\/em>. Dispon\u00edvel em http:\/\/www.cervantesvirtual.com\/obra\/tambours-sur-la-digue-de-helene-cixous&#8212;la-marioneta. Acesso: 10 jan 2018. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">KUSANO, Darci. <strong>Teatro Tradicional Japon\u00eas<\/strong>. Dispon\u00edvel em http:\/\/fjsp.org.br\/site\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/teatro_tradicional_japones.pdf. Acesso: 08 jan 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">MATSUDA, Juliana Miyuki. <strong>As influ\u00eancias japonesas nos trajes de cena de Ariane Mnouchkine<\/strong> &#8211; conceitua\u00e7\u00e3o, modelagem e constru\u00e7\u00e3o. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado. ECAUSP, 2016. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">MNOUCHKINE, Ariane. <strong>A arte do presente \/ Ariane Mnouchkine<\/strong>: entrevistas com Fabienne Pascaud. Rio de Janeiro: Cobog\u00f3, 2011. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">OLMOS, Aline de Almeida. <strong>O oriente imaginado no Th\u00e9atre du Soleil<\/strong>: um estudo sobre o espet\u00e1culo Tambours sur la digue. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado. Unicamp, 2015. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">PICCON-VALLIN, B\u00e9atrice. <strong>O Th\u00e9\u00e2tre du Soleil<\/strong>: Os Primeiros Cinq\u00fcenta Anos. S\u00e3o Paulo: Perspectiva: Edi\u00e7\u00f5es SESC S\u00e3o Paulo, 2017. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">TAMBOURS sur la digue. Dire\u00e7\u00e3o de Ariane Mnouchkine. Produ\u00e7\u00e3o: Le Th\u00e9\u00e2tre du Soleil, Bel Air Media, ARTE France, CNDP, ZDF Theaterkanal. Paris: ARTE France D\u00e9veloppement. 1 DVD9 (158 min), PAL, Cor, Som. Filme a partir de registro de espet\u00e1culo teatral. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">TIME-LIFE. <strong>Grande civiliza\u00e7\u00f5es do passado<\/strong> \u2013 A Terra dos Samurais e dos X\u00f3guns. S\u00e3o Paulo: F\u00f3lio, 2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Scarlett Siqueira Do Valle1 AS AVENTURAS DE ARIANE NO TEATRO ORIENTAL \u201cViajante, n\u00e3o h\u00e1 caminho, caminhado se faz o caminho\u201d.Poeta espanhol Antonio Machado A famosa viagem que Ariane Mnouchkine fez no in\u00edcio de seus estudos teatrais para o Oriente, corresponde a sua forma aut\u00f4noma de aprendizagem sobre a hist\u00f3ria e as t\u00e9cnicas de elabora\u00e7\u00e3o art\u00edstica [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":6751,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_editorskit_title_hidden":false,"_editorskit_reading_time":11,"_editorskit_is_block_options_detached":false,"_editorskit_block_options_position":"{}","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0},"categories":[3,117],"tags":[115,116],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6747"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6747"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6747\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6750,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6747\/revisions\/6750"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6751"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6747"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6747"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6747"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}