{"id":6733,"date":"2023-07-28T16:14:23","date_gmt":"2023-07-28T19:14:23","guid":{"rendered":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/?p=6733"},"modified":"2023-07-28T16:18:26","modified_gmt":"2023-07-28T19:18:26","slug":"ensaio-entre-pachinkos-e-minaris-identidade-coreana-em-min-jin-lee-e-lee-isaac-chung-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/?p=6733","title":{"rendered":"ENSAIO | Entre pachinkos e minaris: identidade coreana em Min Jin Lee e Lee Isaac Chung [1]"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"6733\" class=\"elementor elementor-6733\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<section class=\"has_eae_slider elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-664f3006 elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"664f3006\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"has_eae_slider elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-6c1e5e7\" data-id=\"6c1e5e7\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-20e70515 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"20e70515\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t<style>\/*! elementor - v3.6.2 - 04-04-2022 *\/\n.elementor-widget-text-editor.elementor-drop-cap-view-stacked .elementor-drop-cap{background-color:#818a91;color:#fff}.elementor-widget-text-editor.elementor-drop-cap-view-framed .elementor-drop-cap{color:#818a91;border:3px solid;background-color:transparent}.elementor-widget-text-editor:not(.elementor-drop-cap-view-default) .elementor-drop-cap{margin-top:8px}.elementor-widget-text-editor:not(.elementor-drop-cap-view-default) .elementor-drop-cap-letter{width:1em;height:1em}.elementor-widget-text-editor .elementor-drop-cap{float:left;text-align:center;line-height:1;font-size:50px}.elementor-widget-text-editor .elementor-drop-cap-letter{display:inline-block}<\/style>\t\t\t\t<!-- wp:paragraph {\"align\":\"right\"} -->\n<p class=\"has-text-align-right\">Por Alexsandro Pizziolo [2]<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:image {\"align\":\"center\",\"id\":6734,\"sizeSlug\":\"medium\",\"linkDestination\":\"none\"} -->\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-medium\"><img loading=\"lazy\" width=\"300\" height=\"200\" class=\"wp-image-6734\" src=\"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/imagem-1-300x200.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/imagem-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/imagem-1.jpg 763w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>\n<figcaption>Figura 1 &#8211; Minari (2020), de Lee Isaac Chung. Fonte: IMDB<\/figcaption>\n<\/figure>\n<\/div>\n<!-- \/wp:image --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">O presente ensaio tem como objetivo oferecer uma leitura poss\u00edvel do livro <em>Pachinko<\/em>,da escritora coreana Min Jin Lee, e do filme <em>Minari<\/em>, do diretor norte-americano Lee Isaac Chung, a partir da singulariza\u00e7\u00e3o de elementos espec\u00edficos das narrativas que criam, em ambas as m\u00eddias, uma concep\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de identidade coreana a partir de elementos culturais pr\u00f3prios \u00e0 cultura coreana.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">Muitas rela\u00e7\u00f5es podem ser feitas entre as duas obras, a come\u00e7ar pelo fato de serem de autoria coreano-americana. Min Jin Lee (1968) emigrou para os Estados Unidos com os pais aos sete anos, em 1976, e construiu sua carreira profissional e acad\u00eamica no pa\u00eds. <em>Pachinko<\/em>, seu segundo romance, foi gestado desde a d\u00e9cada de 1980 e, at\u00e9 ganhar as prateleiras do mundo angl\u00f3fono em 2017, passou por uma s\u00e9rie de reescritas. Nesse intervalo, a autora morou no Jap\u00e3o durante um per\u00edodo em que realizou uma s\u00e9rie de entrevistas com os <em>Zainichi<\/em>, coreanos com status de moradia permanente ou naturalizados japoneses, que em sua maioria foram para o Jap\u00e3o na \u00e9poca em que o pa\u00eds ocupava a pen\u00ednsula coreana (1910-1945). Lee pesquisou em arquivos e leu extensa bibliografia, mas foi nas entrevistas que achou o verdadeiro substrato daquilo que ela gostaria de contar em <em>Pachinko<\/em> (originalmente intitulado <em>Motherland<\/em>, \u201cterra natal\u201d em tradu\u00e7\u00e3o livre), compilando essas hist\u00f3rias na saga \u00e9pica de uma fam\u00edlia de coreanos que se passa entre as d\u00e9cadas de 1910 e 1980, em meio a ocupa\u00e7\u00e3o japonesa da Coreia, num exerc\u00edcio herc\u00faleo de condensar o m\u00e1ximo de experi\u00eancias e viv\u00eancias daqueles estrangeiros numa terra na qual n\u00e3o eram bem-vindos.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">J\u00e1 Lee Isaac Chung, nascido nos Estados Unidos em 1978, de pais coreanos, em<em> Minari<\/em>, lan\u00e7ado em 2020 nos cinemas, faz uma esp\u00e9cie de fabula\u00e7\u00e3o de suas pr\u00f3prias mem\u00f3rias de inf\u00e2ncia, ao contar a hist\u00f3ria de uma fam\u00edlia de imigrantes coreanos rec\u00e9m-realocados no Meio-Oeste norte-americano, quando compram um terreno onde o patriarca acredita que, com sua planta\u00e7\u00e3o de legumes coreanos, a fam\u00edlia vai finalmente achar um rumo e ter alguma esp\u00e9cie de ch\u00e3o (literal e figurativamente) em que se sustentar.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">O ponto de interse\u00e7\u00e3o que ser\u00e1 o foco de minha an\u00e1lise est\u00e1 na opera\u00e7\u00e3o que identifico em ambas as narrativas da escolha de dois elementos muito particulares da cultura coreana (nipo-coreana no caso de Lee) para usar como meton\u00edmia do que os dois autores est\u00e3o querendo construir de identidade coreana num contexto de imigra\u00e7\u00e3o. Ambos os elementos tamb\u00e9m est\u00e3o presentes nos t\u00edtulos das obras. <em>Minari<\/em>, como explica a personagem Soon-ja \u2013 a av\u00f3 da fam\u00edlia, que vem da terra natal para ajudar a filha na cria\u00e7\u00e3o dos netos \u2013, \u00e9 uma planta que germina em qualquer solo, independente do clima. Fa\u00e7a chuva ou fa\u00e7a sol, a <em>minari<\/em> sempre floresce. J\u00e1 <em>pachinko<\/em>, uma esp\u00e9cie de jogo de azar, atualmente febre no Jap\u00e3o, no romance de Min Jin Lee \u00e9 perpetuamente associado pelos japoneses \u00e0 suposta natureza escusa dos coreanos, sendo uma \u00e1rea de neg\u00f3cios notadamente dirigida por coreanos e que, na trama, funciona como uma realidade inevit\u00e1vel apesar dos esfor\u00e7os das personagens para se desvencilharem dela.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:image {\"align\":\"center\",\"id\":6735,\"sizeSlug\":\"medium\",\"linkDestination\":\"none\"} -->\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-medium\"><img loading=\"lazy\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"wp-image-6735\" src=\"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/imagem-2-300x300.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/imagem-2-300x300.jpg 300w, https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/imagem-2-150x150.jpg 150w, https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/imagem-2-88x88.jpg 88w, https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/imagem-2.jpg 496w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>\n<figcaption>Figura 2 \u2013 Fonte: Curadoria de Literatura Asi\u00e1tica<\/figcaption>\n<\/figure>\n<\/div>\n<!-- \/wp:image --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\"><em>Pachinko<\/em>, segundo sua autora, \u00e9 o primeiro romance escrito em l\u00edngua inglesa a narrar a ocupa\u00e7\u00e3o japonesa da Coreia e a experi\u00eancia dos coreanos que at\u00e9 hoje se veem sem p\u00e1tria, com o status permanente de estrangeiros mesmo tendo nascido no territ\u00f3rio japon\u00eas. O livro segue a hist\u00f3ria de Sunja, uma jovem habitante da ilha de Yeongdo, uma pequena comunidade de pescadores ao sul da pen\u00ednsula coreana. Aos 17 anos, a jovem acaba caindo nos encantos de um imponente mercador coreano, que transita livremente entre a Coreia e o Jap\u00e3o. Ela acaba engravidando e, ao anunciar a novidade, \u00e9 confrontada com a verdade de que Hansu possui uma esposa e duas filhas no Jap\u00e3o. Mesmo com a proposta de mant\u00ea-la como amante, provendo teto e sustento ao filho, a jovem recusa e encerra o breve enlace. Paralelamente, na pens\u00e3o em que Sunja administra com a m\u00e3e, Yangjin, as duas recebem um pastor crist\u00e3o, Baek Isak, a caminho de assumir seu posto numa par\u00f3quia em Osaka (no Jap\u00e3o), que cai doente numa grave crise de tuberculose. Uma vez curado, em agradecimento ao tratamento despendido pelas duas, o pastor resolve assumir o filho de Sunja e lev\u00e1-la para Osaka, onde os dois iniciar\u00e3o sua pr\u00f3pria fam\u00edlia.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\"><em>Pachinko<\/em> cobre um per\u00edodo de quase 80 anos de hist\u00f3ria dessa fam\u00edlia e uma das rela\u00e7\u00f5es que podemos fazer com a simbologia do <em>pachinko<\/em> pode estar relacionada \u00e0 trajet\u00f3ria dos dois filhos de Sunja: Noa e Mozasu. Noa, filho de Hansu e o mais velho, \u00e9 a t\u00edpica figura do imigrante domesticado, melhor aluno de sua classe, com pron\u00fancia impec\u00e1vel de japon\u00eas e, quando adulto, quer estudar na universidade em T\u00f3quio, contrariando todas as expectativas \u2013 constantemente reafirmadas durante a hist\u00f3ria \u2013 relegadas aos coreanos naquele contexto. J\u00e1 Mozasu, filho de Isak e o ca\u00e7ula, \u00e9 o oposto de seu irm\u00e3o, n\u00e3o se adequa \u00e0 cultura apaziguadora japonesa, \u00e9 p\u00e9ssimo na escola e tem em seu corpo sua maior arma. \u00c9 a intelectualidade versus a fisicalidade.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">Embora o comportamento e as aspira\u00e7\u00f5es dos irm\u00e3os sejam diametralmente opostos, ambos acabam indo trabalhar no neg\u00f3cio t\u00e3o recha\u00e7ado. Mozasu, jovem rebelde, brig\u00e3o, \u00e9 levado a trabalhar de auxiliar numa casa de <em>pachinko<\/em> por um amigo da fam\u00edlia, numa tentativa de controlar o temperamento esquentado do jovem e a mant\u00ea-lo longe de problemas com a pol\u00edcia japonesa. L\u00e1, Mozasu floresce e faz do <em>pachinko<\/em> o neg\u00f3cio de sua vida, virando dono de uma redes no futuro e enriquecendo. J\u00e1 Noa, quando descobre a verdadeira origem de seu nascimento, resolve abdicar das ambi\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas e se exilar da fam\u00edlia, procurando abrigo longe de Osaka, renegando a si e a sua natureza coreana, fazendo se passar por japon\u00eas na cidade de Nagano. L\u00e1, a \u00fanica oportunidade de trabalho que encontra \u00e9 justamente numa casa de <em>pachinko<\/em> que s\u00f3 contrata japoneses. Eventualmente, mesmo negando sua origem, Noa teve que se contentar em <em>ser<\/em> aquilo que era previsto para a sua gente, mesmo que a renegasse.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">Sendo assim, h\u00e1 em <em>Pachinko<\/em> uma tentativa de associa\u00e7\u00e3o direta entre o destino das personagens e essa percep\u00e7\u00e3o que passa tanto pelo julgo japon\u00eas e a pr\u00f3pria imagem que os coreanos fazem de si mesmos no romance. Uma esp\u00e9cie de incapacidade de escapar do pr\u00f3prio destino, da pr\u00f3pria identidade. Seja no sucesso de Mozasu ou na derrocada de Noa, aos coreanos est\u00e1 guardado o lugar do escuso, das sombras, do subemprego, do bairro pobre. E isso est\u00e1 tanto no campo da mentalidade quanto na burocracia do estado, como \u00e9 poss\u00edvel ver no cap\u00edtulo em que Solomon (filho de Mozasu), um jovem rico, em seu anivers\u00e1rio de 15 anos precisa fazer a renova\u00e7\u00e3o de seu passaporte, estendendo o per\u00edodo em que <em>pode<\/em> ficar no pa\u00eds, o \u00fanico que ele reconhece como casa, onde nasceu e foi criado. Esse sentimento de estranhamento e n\u00e3o-pertencimento perpassa n\u00e3o s\u00f3 as personagens centrais, mas tamb\u00e9m as in\u00fameras personagens secund\u00e1rias, em situa\u00e7\u00f5es corriqueiras que constroem um universo repleto de s\u00edmbolos que podem servir de objeto de apreens\u00e3o de uma compreens\u00e3o de mundo proposta pela autora do romance.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:image {\"align\":\"center\",\"id\":6736,\"sizeSlug\":\"medium\",\"linkDestination\":\"none\"} -->\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-medium\"><img loading=\"lazy\" width=\"300\" height=\"200\" class=\"wp-image-6736\" src=\"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/imagem-3-300x200.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/imagem-3-300x200.png 300w, https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/imagem-3-768x513.png 768w, https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/imagem-3-816x545.png 816w, https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/imagem-3.png 877w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>\n<figcaption>Figura 3 &#8211; David (Alan Kim), o personagem central de Minari. Fonte: IMDB.<\/figcaption>\n<\/figure>\n<\/div>\n<!-- \/wp:image --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">Por outro lado, <em>Minari<\/em>, um filme dirigido e roteirizado por um norte-americano, produzido pela produtora norte-americana Plan B, rodado no estado de Oklahoma, com uma equipe majoritariamente americana, \u00e9 falado em coreano e estrelado por atores coreanos. O filme narra a t\u00edpica hist\u00f3ria do sonho americano, mas com um <em>twist<\/em>. N\u00e3o fosse algumas poucas trocas entre as personagens protagonistas e alguns locais, o filme poderia se passar em qualquer lugar do mundo, at\u00e9 mesmo na Coreia, pois trata de uma paisagem campestre, interiorana, isolada do centro urbano. A fam\u00edlia funciona como uma esp\u00e9cie de cosmos em si mesma e, embora n\u00f3s, como espectadores, sejamos levados ao mundo do trabalho no emprego de meio-per\u00edodo em que os pais separam pintinhos por sexo, \u00e9 no \u00e2mbito dom\u00e9stico que a maior parte da hist\u00f3ria se passa.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">O filme come\u00e7a com a chegada dessa fam\u00edlia a uma nova casa, num terreno comprado no interior do Arkansas em 1983. O casal Jacob e Monica Yi e seus filhos, Anne e David, precisam se adaptar \u00e0 nova realidade e fazer essa nova empreitada acontecer. Com pouco tempo de proje\u00e7\u00e3o temos a adi\u00e7\u00e3o de um novo elemento \u00e0 din\u00e2mica familiar, a chegada da av\u00f3 Soon-ja (interpretada pela veterana Youn Yuh-jung, vencedora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo papel). Boa parte da a\u00e7\u00e3o do filme se concentra no per\u00edodo de adapta\u00e7\u00e3o do jovem David, de 7 anos, a uma figura de autoridade que traz valores e refer\u00eancias culturais completamente estranhos ao menino, a av\u00f3. Tudo \u00e9 tratado com muita comicidade no filme, que desenvolve bastante as rela\u00e7\u00f5es entre as personagens, todas a partir da percep\u00e7\u00e3o de David \u2013 sua rela\u00e7\u00e3o com o pai e a terra, o casamento dos pais e situa\u00e7\u00f5es de estranhamento entre coreanos e americanos etc.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">N\u00e3o s\u00f3 Jacob luta contra a terra para fazer seu investimento se pagar e a colheita prosperar, como ele e Monica lutam na forma como os dois enxergam a ida da fam\u00edlia ao Arkansas. Para ele, trata-se de uma chance na vida; para ela, uma nova chance ao casamento. Essa ideia de recome\u00e7o \u00e9 constantemente refor\u00e7ada ao longo do filme, primeiramente com a pr\u00f3pria emigra\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia para o territ\u00f3rio americano, depois com a mudan\u00e7a para o Arkansas e a aquisi\u00e7\u00e3o do peda\u00e7o de terra, a vinda da av\u00f3 e, ao final, depois de uma s\u00e9rie de obst\u00e1culos e acontecimentos tr\u00e1gicos \u2013 um inc\u00eandio e uma morte \u2013, a fam\u00edlia se v\u00ea novamente prestes a iniciar mais um movimento de renova\u00e7\u00e3o e recome\u00e7o, afinal de contas, eles s\u00e3o como <em>minari<\/em> \u2013 germinam em qualquer lugar, n\u00e3o importa a condi\u00e7\u00e3o do solo. A materialidade da planta se alia ao esp\u00edrito do que \u00e9 ser coreano, ambos definem-se pela resili\u00eancia.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ao final, \u00e9 como se tanto o filme de 2020 quanto o romance de 2017 chegassem \u00e0 mesma conclus\u00e3o: a reifica\u00e7\u00e3o dos respectivos s\u00edmbolos est\u00e1 aliada \u00e0 tese que se prop\u00f5e a respeito da identidade coreana atribu\u00edda \u00e0s personagens em ambas as narrativas. Em <em>Minari<\/em>, ao final, a fam\u00edlia Yi depois de passar por uma s\u00e9rie de desafios e entraves se v\u00ea fortificada, reunida e, tal qual a planta, germinando num solo novo, a Am\u00e9rica. J\u00e1 em <em>Pachinko<\/em>, gera\u00e7\u00f5es e d\u00e9cadas depois, os integrantes da fam\u00edlia Baek lidam com a fatalidade de serem coreanos numa terra que n\u00e3o os respeita, n\u00e3o os quer e n\u00e3o os reconhece, objetivo primordial da narrativa de Min Jin Lee.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:separator --><hr class=\"wp-block-separator\" \/><!-- \/wp:separator --><!-- wp:paragraph -->\n<p>NOTAS DE RODAP\u00c9<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">[1] No primeiro semestre de 2023, a Curadoria de Literatura Asi\u00e1tica (CE\u00c1SIA\/UFPE) promoveu debates entre os pesquisadores associados sobre obras de autores asi\u00e1ticos selecionadas. (Desafio da Curadoria de Literatura Asi\u00e1tica) Entre as obras, <em>Pachinko<\/em> foi a que mais despertou o interesse dos leitores.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">[2] Alexsandro Pizziolo \u00e9 pesquisador associado da Curadoria de Literatura Asi\u00e1tica (CE\u00c1SIA\/UFPE). Historiador e tradutor. Mestrando em Estudos da Linguagem (PUC-Rio). Atua na interse\u00e7\u00e3o entre os Estudos da Tradu\u00e7\u00e3o, os Estudos Liter\u00e1rios e a Hist\u00f3ria. Pesquisa a Hist\u00f3ria da Literatura Coreana e a Literatura Coreana traduzida no Brasil.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:separator --><hr class=\"wp-block-separator\" \/><!-- \/wp:separator --><!-- wp:paragraph -->\n<p>REFER\u00caNCIAS<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">LEE, Min Jin. <em>Pachinko<\/em>. Londres: Apollo, 2017.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">MINARI. Dire\u00e7\u00e3o e Roteiro: Lee Isaac Chung. Produ\u00e7\u00e3o: Dede Gardner, Jeremy Kleiner e Christina Oh. Plan B, 2020. 115 min., son., color., DCP.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Alexsandro Pizziolo [2] O presente ensaio tem como objetivo oferecer uma leitura poss\u00edvel do livro Pachinko,da escritora coreana Min Jin Lee, e do filme Minari, do diretor norte-americano Lee Isaac Chung, a partir da singulariza\u00e7\u00e3o de elementos espec\u00edficos das narrativas que criam, em ambas as m\u00eddias, uma concep\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de identidade coreana a partir [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":6734,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_editorskit_title_hidden":false,"_editorskit_reading_time":7,"_editorskit_is_block_options_detached":false,"_editorskit_block_options_position":"{}","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0},"categories":[117],"tags":[115,116],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6733"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6733"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6733\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6740,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6733\/revisions\/6740"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6734"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6733"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6733"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6733"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}