{"id":6722,"date":"2023-07-24T11:48:21","date_gmt":"2023-07-24T14:48:21","guid":{"rendered":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/?p=6722"},"modified":"2023-07-24T11:58:25","modified_gmt":"2023-07-24T14:58:25","slug":"artigo-de-opiniao-imagens-que-orientam-uma-analise-do-orientalismo-e-do-anticomunismo-na-fotorreportagem-seoul-terra-morta-de-luciano-carneiro-e-luis-canazio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/?p=6722","title":{"rendered":"ARTIGO DE OPINI\u00c3O | Imagens que orientam: uma an\u00e1lise do orientalismo e do anticomunismo na fotorreportagem Seoul \u2013 Terra Morta de Luciano Carneiro e Lu\u00eds Can\u00e1zio."},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"6722\" class=\"elementor elementor-6722\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<section class=\"has_eae_slider elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-6682d9af elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"6682d9af\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"has_eae_slider elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-1c03d387\" data-id=\"1c03d387\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-5ee6928 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"5ee6928\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t<style>\/*! elementor - v3.6.2 - 04-04-2022 *\/\n.elementor-widget-text-editor.elementor-drop-cap-view-stacked .elementor-drop-cap{background-color:#818a91;color:#fff}.elementor-widget-text-editor.elementor-drop-cap-view-framed .elementor-drop-cap{color:#818a91;border:3px solid;background-color:transparent}.elementor-widget-text-editor:not(.elementor-drop-cap-view-default) .elementor-drop-cap{margin-top:8px}.elementor-widget-text-editor:not(.elementor-drop-cap-view-default) .elementor-drop-cap-letter{width:1em;height:1em}.elementor-widget-text-editor .elementor-drop-cap{float:left;text-align:center;line-height:1;font-size:50px}.elementor-widget-text-editor .elementor-drop-cap-letter{display:inline-block}<\/style>\t\t\t\t<!-- wp:paragraph {\"align\":\"right\"} -->\n<p class=\"has-text-align-right\">Jayanne Balbino Soares<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"right\"} -->\n<p class=\"has-text-align-right\">Email: jayannebs@id.uff.br<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"right\"} -->\n<p class=\"has-text-align-right\">Maria Luiza Schaffer Isnard<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"right\"} -->\n<p class=\"has-text-align-right\">Email: luiza_maria@id.uff.br<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:image {\"align\":\"center\",\"id\":6724,\"sizeSlug\":\"medium\",\"linkDestination\":\"none\"} -->\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-medium\"><img loading=\"lazy\" width=\"300\" height=\"225\" class=\"wp-image-6724\" src=\"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/carneiro-2-300x225.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/carneiro-2-300x225.png 300w, https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/carneiro-2.png 615w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>\n<figcaption>Fonte: CARNEIRO, 1951.<\/figcaption>\n<\/figure>\n<\/div>\n<!-- \/wp:image --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\",\"editorskit\":{\"indent\":0,\"devices\":false,\"desktop\":true,\"tablet\":true,\"mobile\":true,\"loggedin\":true,\"loggedout\":true,\"acf_visibility\":\"\",\"acf_field\":\"\",\"acf_condition\":\"\",\"acf_value\":\"\",\"migrated\":false,\"unit_test\":false}} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">Crian\u00e7a chorando, mulher abandonada e ao fundo escombros do que um dia foi a cidade onde moravam. Tudo aquilo que conheciam havia sido completamente destru\u00eddo pelos comunistas. <em>Terra morta<\/em>.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\",\"editorskit\":{\"indent\":0,\"devices\":false,\"desktop\":true,\"tablet\":true,\"mobile\":true,\"loggedin\":true,\"loggedout\":true,\"acf_visibility\":\"\",\"acf_field\":\"\",\"acf_condition\":\"\",\"acf_value\":\"\",\"migrated\":false,\"unit_test\":false}} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">Foram essas algumas das primeiras imagens a chegarem no Brasil sobre a Guerra da Coreia (1950 &#8211; 1953). Em 2023, completa-se 70 anos do Acordo de Armist\u00edcio, momento esse que segue guardado na mem\u00f3ria dos brasileiros como demonstra os dados coletados pelo KOFICE (2021) \u2013 pesquisa feita com pessoas de diversos pa\u00edses sobre quais s\u00e3o &#8220;as imagens mais associadas&#8221; \u00e0 Coreia do Sul. Entre os brasileiros, apareceu na quinta posi\u00e7\u00e3o, a pen\u00ednsula asi\u00e1tica como uma &#8220;\u00e1rea de amea\u00e7a nuclear\/risco de guerra da Coreia do Norte&#8221;. Mas, afinal, de que maneira esse imagin\u00e1rio se construiu no Brasil?<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\",\"editorskit\":{\"indent\":0,\"devices\":false,\"desktop\":true,\"tablet\":true,\"mobile\":true,\"loggedin\":true,\"loggedout\":true,\"acf_visibility\":\"\",\"acf_field\":\"\",\"acf_condition\":\"\",\"acf_value\":\"\",\"migrated\":false,\"unit_test\":false}} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">Para compreendermos isso, voltaremos um pouco no tempo para quando houve o cisma coreano, entre o lado capitalista e o socialista, e como esse momento chegou \u00e0s p\u00e1ginas de jornais brasileiros. Nesse sentido, ser\u00e1 utilizado como material de an\u00e1lise um dos maiores jornais da \u00e9poca, <em>O Cruzeiro<\/em>, quefoi respons\u00e1vel pela cobertura de eventos hist\u00f3ricos mundiais entre as d\u00e9cadas de 1940 e 1950 (SOTANA, 2017). Assim, realizaremos uma breve an\u00e1lise da fotorreportagem <em>Seoul \u2014 Terra morta<\/em> (1951), que foi uma colabora\u00e7\u00e3o entre Lu\u00eds Can\u00e1zio e Luciano Carneiro, enviados pelo jornal <em>O Cruzeiro<\/em> para cobrir as disputas na Coreia. Can\u00e1zio ficou junto aos demais correspondentes de guerra, enquanto Carneiro se lan\u00e7ou junto aos soldados estadunidenses na Opera\u00e7\u00e3o Tomahawk (CAN\u00c1ZIO, 1951, p. 65). Esse evento possibilitou que o Brasil fosse um dos 3 pa\u00edses que tiveram jornalistas documentando o cotidiano no lado estadunidense do <em>front<\/em> \u2014 sendo o \u00fanico sul-americano.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">Can\u00e1zio ficou encarregado do texto da mat\u00e9ria e Carneiro das fotografias que a ilustraram. Luciano Carneiro (1926 &#8211; 1959) \u00e9 considerado um dos maiores representantes do fotojornalismo brasileiro e cobriu diversos acontecimentos internacionais como a Guerra da Coreia e a recupera\u00e7\u00e3o de Hiroshima (IMS). Can\u00e1zio, por sua vez, n\u00e3o teve o mesmo destaque que seu companheiro e, dessa forma, possui uma escassa literatura acad\u00eamica sobre sua carreira.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">Dividimos este artigo em duas partes, a primeira analisa uma de suas imagens e a segunda comenta trechos do texto, destacando os teores orientalista e anticomunista.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:list {\"ordered\":true,\"type\":\"1\"} -->\n<ol type=\"1\">\n<li><strong>A imagem<\/strong><\/li>\n<\/ol>\n<!-- \/wp:list --><!-- wp:paragraph -->\n<p>A mat\u00e9ria objetivava apresentar aos brasileiros \u201co verdadeiro e tr\u00e1gico sentido\u201d da Guerra da Coreia \u201cpara o mundo ocidental\u201d (CAN\u00c1ZIO, 1951, p. 76). Seguimos, ent\u00e3o, para a an\u00e1lise da imagem da sua capa.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:image {\"align\":\"center\",\"id\":6725,\"sizeSlug\":\"medium\",\"linkDestination\":\"none\"} -->\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-medium\"><img loading=\"lazy\" width=\"300\" height=\"200\" class=\"wp-image-6725\" src=\"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/seul-terra-morta-2-1-300x200.png\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/seul-terra-morta-2-1-300x200.png 300w, https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/seul-terra-morta-2-1-768x511.png 768w, https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/seul-terra-morta-2-1-816x543.png 816w, https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/seul-terra-morta-2-1.png 859w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/>\n<figcaption>CARNEIRO, 1951.<\/figcaption>\n<\/figure>\n<\/div>\n<!-- \/wp:image --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">A imagem que anuncia o come\u00e7o da reportagem e a sua manchete aparecem em conflito. A foto apresenta uma mulher amamentando um beb\u00ea com a ajuda de um homem. A legenda de Carneiro nos informa que tanto a mulher quanto o homem e o beb\u00ea eram estranhos um do outro at\u00e9 serem colocados nessa circunst\u00e2ncia b\u00e9lica \u2014 que \u201cnem a inf\u00e2ncia \u00e9 poupada&#8221;. Frente a isso, essa &#8220;mulher do povo&#8221; e esse homem se unem para resguardar essa crian\u00e7a tal como uma fam\u00edlia (CARNEIRO, 1951, p. 65). Os tr\u00eas j\u00e1 existiam antes desse encontro, contudo a crian\u00e7a apenas p\u00f4de sobreviver ap\u00f3s essa uni\u00e3o. As vestimentas do casal tamb\u00e9m apresentam elementos importantes: o homem com palet\u00f3 e cachecol, agasalhos caracter\u00edsticos do Ocidente, e a mulher com um <em>hanbok<\/em> branco de algod\u00e3o, roupa tradicional coreana. Tudo isso nos conduz a entender que o encontro de ambos retrata a jun\u00e7\u00e3o entre o Ocidente e Oriente, condensada na figura do beb\u00ea que se apresenta simbolicamente como a Coreia do Sul, um pa\u00eds que apenas pode se fortalecer a partir dessa uni\u00e3o.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">No plano de fundo, \u00e9 poss\u00edvel observar uma crian\u00e7a que olha para o beb\u00ea com um semblante preocupado. A crian\u00e7a encara o processo de amamenta\u00e7\u00e3o atenta, tal como uma gera\u00e7\u00e3o aflita com o perigo do retorno de uma guerra, que se esfor\u00e7a para garantir o crescimento e o fortalecimento do novo pa\u00eds.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">Um pouco atr\u00e1s da crian\u00e7a, encontramos um jovem com o rosto inclinado para a direita e o olhar voltado para o horizonte. Sua face aparece mais iluminada que os demais componentes da foto. Esses elementos unidos nos levam a concluir que esse homem se volta para a &#8220;luz que nasce num novo dia&#8221; (MAUAD, 2018, p. 279-278).<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">A conclus\u00e3o que podemos tirar disso \u00e9 que dias melhores viriam para os coreanos, uma vez tendo sido guiados pela \u201cocupa\u00e7\u00e3o\u201d estadunidense na regi\u00e3o. A vida dif\u00edcil que levavam estando no &#8220;quartel-general da mis\u00e9ria&#8221; \u2014 a \u00c1sia \u2014 estaria\u2014 estaria no passado do pa\u00eds que renascia sob os escombros deixados pelos comunistas (CAN\u00c1ZIO, 1951, p. 76-90). Em linhas gerais, a imagem \u00e9 uma representa\u00e7\u00e3o da vida, da esperan\u00e7a de um futuro melhor e da resist\u00eancia sul-coreana, em contraponto \u00e0 ideia de uma Seoul \u201cmorta\u201d pelos coreanos do Norte. Fazia-se, portanto, n\u00e3o apenas uma constru\u00e7\u00e3o visual dos comunistas como produtores de trag\u00e9dias, como tamb\u00e9m nos inclina a pensar que os coreanos \u2013 incapazes de sustentar os princ\u00edpios democr\u00e1ticos e morais \u2013 falharam como povo e, por isso, chegaram a esse n\u00edvel de barb\u00e1rie. A Coreia, encarada por esse ponto de vista,<strong> precisaria <\/strong>do Ocidente para mant\u00ea-la civilizada.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">Portanto, n\u00e3o basta apenas dizer que Can\u00e1zio e Carneiro eram <strong>anticomunistas<\/strong>, mas, para al\u00e9m disso, tamb\u00e9mmantinham um discurso<strong> orientalista<\/strong>. Ambas as caracter\u00edsticas s\u00e3o indissoci\u00e1veis na l\u00f3gica de seus pensamentos, como veremos tamb\u00e9m na an\u00e1lise de trechos da reportagem.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">2. <strong>Trechos da reportagem<\/strong><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">Em primeiro lugar, cabe uma pergunta: o que \u00e9 orientalismo?<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">O Orientalismo foi uma express\u00e3o utilizada por Edward Said para descrever o imagin\u00e1rio constru\u00eddo sobre o Oriente pelos pa\u00edses europeus nos s\u00e9culos XVIII e XIX. Segundo o autor, esses estere\u00f3tipos se constru\u00edram a partir das experi\u00eancias europeias no \u201cOriente Pr\u00f3ximo\u201d, isto \u00e9, as regi\u00f5es asi\u00e1ticas e africanas mais pr\u00f3ximas do continente europeu, e com quem consequentemente estiveram em maior contato. Na teoria saidiana, o Ocidente constr\u00f3i uma no\u00e7\u00e3o do Oriente enquanto \u201cirracional, depravado, infantil, \u2018diferente\u2019\u201d, enquanto se posiciona como \u201cracional, virtuoso, maduro, &#8216;normal\u2019\u201d (2007, p. 73). Todavia, Said ressalta que a vis\u00e3o do Ocidente \u2013 entendidos como Estados Unidos e Europa \u2013 transita de diferentes formas pela afro-\u00e1sia, com maior intensidade em algumas regi\u00f5es geogr\u00e1ficas.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">Aplicando esse conceito \u00e0 reportagem, se destacam dois momentos. No primeiro, Can\u00e1zio faz uma compara\u00e7\u00e3o entre valores: \u201c(&#8230;) enquanto no <strong>Ocidente<\/strong>, de acordo com os<strong> nossos princ\u00edpios<\/strong>, a vida de um homem n\u00e3o tem pre\u00e7o, <strong>a exist\u00eancia de um oriental \u00e9 moldada de uma filosofia bem diversa, que lhe d\u00e1 um valor bem relativo<\/strong>.\u201d (CAN\u00c1ZIO, 1951, p. 90, <em>grifo nosso<\/em>). Em conformidade com os argumentos levantados por Said, fica claro que h\u00e1 um discurso de superioridade racial nesse trecho quando o rep\u00f3rter prop\u00f5e essa divis\u00e3o entre os \u201cnossos\u201d valores ocidentais \u2013 dignos \u2013 e o dos \u201cOutros\u201d.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">No segundo trecho, ele utiliza de adjetivos pejorativos, referindo-se n\u00e3o apenas aos coreanos, mas tamb\u00e9m aos chineses, que tamb\u00e9m lutaram na guerra ao seu lado: \u201c(&#8230;) conclui que dezenas de milhares de <strong>coreanos ou chineses n\u00e3o sabem por que lutam<\/strong> e <strong>desconhecem <\/strong>o significado da palavra comunismo. Apenas sabem que para ter roupa e comida a tarefa \u00e9 matar ou ser morto.\u201d (CAN\u00c1ZIO, 1951, p. 90,<em> grifo nosso<\/em>).<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">Percebe-se que os rep\u00f3rteres pouco conheciam a realidade coreana nos anos anteriores. Os coreanos, assim como os chineses, viveram diversos traumas relacionados \u00e0 presen\u00e7a imperialista japonesa e Ocidental na regi\u00e3o. Essas experi\u00eancias aliadas \u00e0 proximidade geogr\u00e1fica dos pa\u00edses fizeram com que China e Coreia se engajassem tanto na luta anti-imperialista quanto comunista (VISENTINI et al., 2015). Em outras palavras, os coreanos sabiam sim o porqu\u00ea lutavam e pelo qu\u00ea: a liberdade para tomar suas pr\u00f3prias decis\u00f5es. Dessa forma, ao contr\u00e1rio do que Can\u00e1zio sugere, \u00e9 percept\u00edvel a presen\u00e7a de uma consci\u00eancia pol\u00edtica na regi\u00e3o; ainda que contr\u00e1ria ao Ocidente.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">Esse trecho nos oferece um ponto cardeal da perspectiva de Can\u00e1zio e Carneiro: o seu anticomunismo se alimentava do seu orientalismo. Isso porque, para os rep\u00f3rteres s\u00f3 seria admiss\u00edvel que os coreanos e os chineses lutassem no lado comunista do<em> front<\/em>, sob a condi\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o fizessem ideia do porqu\u00ea lutavam e apenas o faziam para satisfazer seu instinto de sobreviv\u00eancia. Ou seja, s\u00f3 eram comunistas, pois \u2013 sendo asi\u00e1ticos \u2013 eram ignorantes e facilmente manipulados por qualquer um.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">3. <strong>E o Brasil nesse contexto?<\/strong><\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">O conflito segue sem desfecho e as hostilidades militares continuam, o risco de guerra segue iminente e ainda preocupa a comunidade internacional e, em especial, o Brasil, como foi notado na pesquisa da KOFICE. Esse receio brasileiro n\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa. A publica\u00e7\u00e3o das fotorreportagens da guerra em <em>O Cruzeiro<\/em> \u2013 um dos ve\u00edculos de informa\u00e7\u00e3o de maior influ\u00eancia nacional \u2013 contribuiu para a constru\u00e7\u00e3o do discurso anticomunista e orientalista brasileiro, isso fica evidente na reportagem <em>Seoul \u2013 Terra Morta<\/em> (MENDES, 2011).<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">Se somarmos esse tensionamento ao contexto pol\u00edtico do pa\u00eds, os motivos para defender essa constru\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica ficam ainda mais evidentes. Em 1951, o Brasil j\u00e1 havia passado pela Segunda Guerra Mundial, pelo fim da Ditadura Vargas (1937 &#8211; 1945) e o come\u00e7o do segundo governo de Get\u00falio Vargas (1951 &#8211; 1954). Isso tudo junto \u00e0 corrida pelo desenvolvimento nuclear, fez com que a preocupa\u00e7\u00e3o de uma \u201cnova guerra mundial\u201d, ainda mais destrutiva que a anterior, estivesse \u00e0 espreita. Dessa forma, apesar das tentativas estadunidenses de negocia\u00e7\u00e3o da entrada brasileira no conflito coreano, persistia uma divis\u00e3o de opini\u00f5es entre as For\u00e7as Armadas e a sociedade civil. Por isso, &#8220;a contribui\u00e7\u00e3o brasileira, naquela conjuntura, ficou, afinal, no fornecimento de minerais estrat\u00e9gicos, mesmo porque o Brasil n\u00e3o estava preparado econ\u00f4mica e militarmente para um conflito\u201d (BUENO, CERVO, p. 302, 2011). Al\u00e9m disso, a pol\u00edtica externa brasileira estava voltada para a defesa da Am\u00e9rica Latina e o desenvolvimento interno.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">Sendo assim, mesmo que o Brasil n\u00e3o tenha participado efetivamente da Guerra da Coreia, foi produzido, em alguma inst\u00e2ncia, um imagin\u00e1rio. No pa\u00eds, as ideias anticomunistas j\u00e1 circulavam desde a d\u00e9cada de 1920, os setores mais influentes da imprensa burguesa se veiculavam cada vez mais aos valores estadunidenses e, por isso:<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\",\"fontSize\":\"small\",\"editorskit\":{\"indent\":120,\"devices\":false,\"desktop\":true,\"tablet\":true,\"mobile\":true,\"loggedin\":true,\"loggedout\":true,\"acf_visibility\":\"\",\"acf_field\":\"\",\"acf_condition\":\"\",\"acf_value\":\"\",\"migrated\":false,\"unit_test\":false}} -->\n<p class=\"has-text-align-justify has-small-font-size has-small-font-size has-ek-indent\" style=\"--ek-indent: 120px;\">temas cl\u00e1ssicos do repert\u00f3rio anticomunista foram recuperados, como as den\u00fancias acerca dos sofrimentos no mundo comunista, a associa\u00e7\u00e3o do comunismo \u00e0 imagem do mal (dem\u00f4nio, doen\u00e7a, viol\u00eancia) e a pr\u00e1ticas imorais, bem como a concep\u00e7\u00e3o de que se trataria de proposta estrangeira, fen\u00f4meno importado. (MOTTA, 2000, p. 301).<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">Essa representa\u00e7\u00e3o \u00e9 notada nos textos de Lu\u00eds Can\u00e1zio e nas fotografias de Luciano Carneiro.\u00a0<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ap\u00f3s a an\u00e1lise dessa reportagem, conclui-se que, quando Can\u00e1zio diz que a Guerra da Coreia carregava um significado para o \u201cmundo Ocidental\u201d (1951, p. 68) era de que a ideologia comunista s\u00f3 trazia mis\u00e9ria, destrui\u00e7\u00e3o e viola\u00e7\u00e3o. Dessa forma, Can\u00e1zio prop\u00f5e que quanto mais pr\u00f3ximo aos valores ocidentais, mais distante estariam da barb\u00e1rie comunista. Assim como o Ocidente se construiu sendo a outra face do Oriente, o socialismo se transformou na outra face do capitalismo-liberal.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">A fotorreportagem <em>Seoul \u2013 Terra Morta<\/em> (1951) combinou elementos visuais e textuais para chocar o brasileiro, congregando o discurso orientalista ao anticomunista. A reportagem de Can\u00e1zio e Carneiro chegou \u00e0s bancas de jornais brasileiras introduzindo um imagin\u00e1rio de uma Seoul \u201cmorta, parada, silenciosa\u201d (CANAZIO, 1951, p. 70) pelo que eles entendiam sobre o comunismo e de uma pretensa ignor\u00e2ncia oriental.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:separator --><hr class=\"wp-block-separator\" \/><!-- \/wp:separator --><!-- wp:paragraph -->\n<p>APRESENTA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->\n<p>\u00b9Jayanne Balbino Soares<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">Graduanda em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais (UFF), pesquisadora no Boletim Geocorrente (NAC\/EGN) e pesquisadora associada \u00e0 Curadoria dos Estudos Coreanos CEASIA-UFPE.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph -->\n<p>\u00b2Maria Luiza Schaffer Isnard<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">Graduanda em Hist\u00f3ria (UFF), bolsista de Inicia\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica na Funda\u00e7\u00e3o Biblioteca Nacional e pesquisadora associada \u00e0 Curadoria dos Estudos Coreanos CEASIA-UFPE.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:separator --><hr class=\"wp-block-separator\" \/><!-- \/wp:separator --><!-- wp:paragraph -->\n<p>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">CARNEIRO, Luciano; CAN\u00c1ZIO, Luis. <strong>Seoul &#8211; Terra morta<\/strong>. O Cruzeiro, Rio de Janeiro, 5 maio 1951. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/memoria.bn.br\/DocReader\/003581\/75673&gt;. Acesso em: 24 abr. 2023.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">CERVO, Amado Luiz; BUENO, Clodoaldo. <strong>Hist\u00f3ria da pol\u00edtica exterior do Brasil<\/strong>. Bras\u00edlia: Editora Universidade de Bras\u00edlia, 2002.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">KOFICE. <strong>Global Hallyu Trends: <\/strong>Handbook on the analysis of major issues in Hallyu and regional trends throughout 2021. Korea Foundation for International Culture Exchange, Coreia do Sul, 2021.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">IMS \u2014 Instituto Moreira Salles. <strong>Luciano Carneiro. <\/strong>Rio de Janeiro, s.d. Dispon\u00edvel em: &lt;<a class=\"ek-link\" href=\"https:\/\/ims.com.br\/2017\/06\/01\/sobre-luciano-carneiro\/\">https:\/\/ims.com.br\/2017\/06\/01\/<\/a>sobre<a class=\"ek-link\" href=\"https:\/\/ims.com.br\/2017\/06\/01\/sobre-luciano-carneiro\/\">-luciano-carneiro\/<\/a>&gt;. Acesso em: 30 abr. 2023.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">MAUAD, Ana Maria. Imagens em fuga: considera\u00e7\u00f5es sobre espa\u00e7o p\u00fablico visual no tempo presente. Florian\u00f3polis, <strong>Tempo e Argumento<\/strong>, v. 10, n. 23, jan.\/mar. 2018.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">MENDES, Lilian Marta Grisolio et al. American dream e o pesadelo vermelho: americaniza\u00e7\u00e3o e anticomunismo nas p\u00e1ginas de O Cruzeiro 1947-1950. 2011.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">MOTTA, Rodrigo Patto S\u00e1. <strong>Em guarda contra o &#8220;perigo vermelho&#8221;<\/strong>: o anticomunismo no Brasil (1917-1964). 2000. Tese (Doutorado) \u2013 Universidade de S\u00e3o Paulo, S\u00e3o Paulo, 2000. Acesso em: 09 jun. 2023.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">SAID, Edward W. <strong>Orientalismo: <\/strong>o Oriente como inven\u00e7\u00e3o do Ocidente. Editora Companhia das Letras, 2007.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">SOTANA, Edvaldo Correia. Do entretenimento aos assuntos internacionais: a paz mundial nas p\u00e1ginas da revista O Cruzeiro (1945-1953). <strong>Revista Eletr\u00f4nica Hist\u00f3ria em Reflex\u00e3o<\/strong>, v. 11, n. 22, p. 15-31, 2017.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph --><!-- wp:paragraph {\"align\":\"justify\"} -->\n<p class=\"has-text-align-justify\">VISENTINI, Paulo G. Fagundes; PEREIRA, Anal\u00facia Danilevicz; MELCHIONNA, Helena Hoppen. <strong>A Revolu\u00e7\u00e3o Coreana: <\/strong>o desconhecido socialismo Zuche. SciELO-Editora UNESP, 2018.<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jayanne Balbino Soares Email: jayannebs@id.uff.br Maria Luiza Schaffer Isnard Email: luiza_maria@id.uff.br Crian\u00e7a chorando, mulher abandonada e ao fundo escombros do que um dia foi a cidade onde moravam. Tudo aquilo que conheciam havia sido completamente destru\u00eddo pelos comunistas. Terra morta. Foram essas algumas das primeiras imagens a chegarem no Brasil sobre a Guerra da Coreia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":6723,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_editorskit_title_hidden":false,"_editorskit_reading_time":8,"_editorskit_is_block_options_detached":false,"_editorskit_block_options_position":"{}","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0},"categories":[3,101],"tags":[42,37],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6722"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6722"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6722\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6731,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6722\/revisions\/6731"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6723"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6722"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6722"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6722"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}