{"id":6368,"date":"2022-11-07T10:04:27","date_gmt":"2022-11-07T13:04:27","guid":{"rendered":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/?p=6368"},"modified":"2022-11-07T10:04:29","modified_gmt":"2022-11-07T13:04:29","slug":"artigo-de-opiniao-debates-sobre-a-comunidade-negra-no-japao-videos-e-relatos-de-experiencia-sobre-pessoas-negras-no-japao-black-lives-matter-organizacoes-movimentos-negros-no-japao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/?p=6368","title":{"rendered":"ARTIGO DE OPINI\u00c3O | Debates sobre a comunidade negra no Jap\u00e3o: v\u00eddeos e relatos de experi\u00eancia sobre pessoas negras no jap\u00e3o, Black Lives Matter, organiza\u00e7\u00f5es\/movimentos negros no Jap\u00e3o."},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\">Escrita:<br>Thiago Henrique (Th24345@gmail.com)<br>Revis\u00e3o:<br>Su\u00e9llen Gentil (suellen.gentil@gmail.com)<br>Camila Machado<br>Rayane S\u00e1tiro (satirorayane9@gmail.com)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Quando pensamos no universo dos animes japoneses, em geral, \u00e9 evidente a baixa representa\u00e7\u00e3o de personagens pretos. Quando h\u00e1 essa representa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o atrelados a tais personagens caracter\u00edsticas caricaturais acerca do corpo preto, como l\u00e1bios grandes e grossos, um tom de pele excessivamente escuro e tra\u00e7os psicol\u00f3gicos e f\u00edsicos que fazem refer\u00eancia a loucura ou a psicopatia. Al\u00e9m do mais, conforme Anne Lei (2018), muitos desses personagens n\u00e3o t\u00eam um peso narrativo e possuem presen\u00e7a secund\u00e1ria nas obras, enquanto personagens de pele clara s\u00e3o  os protagonistas ou possuem um papel significativamente mais importante. Por qual raz\u00e3o isso acontece? <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Se essa pergunta for direcionada  a uma parcela dos f\u00e3s de animes brasileiros, eles podem responder coisas do tipo: \u201c[\u2026] Normalmente, para criar um personagem, nos inspiramos no que vemos \u00e0 nossa volta, em nosso dia-a-dia. (\u2026) Os animes n\u00e3o s\u00e3o racistas, os japoneses s\u00e3o brancos, e h\u00e1 pouqu\u00edssimos negros no Jap\u00e3o\u201d. Ou ainda: \u201c[\u2026] Mas a maioria dos animes \u00e9 ambientada no Jap\u00e3o e a etnia negra est\u00e1 ausente naquele pa\u00eds. As HQs, filmes, livros e jogos deveriam sim aumentar a representa\u00e7\u00e3o negra, mas o caso dos animes \u00e9 muito particular\u201d<sup>1<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">H\u00e1 uma l\u00f3gica por tr\u00e1s desse tipo de pensamento \u2013 por mais preconceituosa que ele possa ser \u2013, isso, claro, quando \u00e9 levado em considera\u00e7\u00e3o o Nihonjinron e o mito da homogeneidade \u00e9tnica no Jap\u00e3o. Segundo Elisa Sasaki (2011), o Nihonjinron seria um \u201cg\u00eanero liter\u00e1rio e acad\u00eamico\u201d que pontua e reflete sobre caracter\u00edsticas da sociedade nip\u00f4nica que tornam a sua identidade nacional algo singular, sendo possuidora de aspectos como a conformidade, a harmonia e organiza\u00e7\u00e3o grupal, a depend\u00eancia m\u00fatua e a homogeneidade, se contrapondo, assim, \u00e0s demais civiliza\u00e7\u00f5es, especialmente as ocidentais. Ainda em conformidade com a autora, esse tipo de pensamento e argumenta\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0s consequ\u00eancias da Segunda Guerra Mundial, numa tentativa de evitar ou esquecer essa realidade que perpetrou a sociedade japonesa e a tornou inevit\u00e1vel a multietnicidade. Desse modo, criou-se e exportou-se o mito de que o Jap\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds etnicamente homog\u00eaneo, n\u00e3o havendo presen\u00e7a significativa de outros povos e culturas no arquip\u00e9lago japon\u00eas, fato esse bastante questionado por John Lie: \u201c[\u2026] A historiografia nacionalista e a imagina\u00e7\u00e3o nacionalista imp\u00f5em uma vis\u00e3o do Jap\u00e3o que tem sido mono\u00e9tnica desde o in\u00edcio at\u00e9 o presente. (\u2026) A verdade \u00e9 que o Jap\u00e3o sempre foi multi\u00e9tnico\u201d (LIE, 2001, p. 141, tradu\u00e7\u00e3o nossa)<sup>2<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Al\u00e9m disso, como apontado por Juliana Sayuri em sua reportagem para o Tab Uol<sup>3<\/sup>, no Jap\u00e3o existem 127 milh\u00f5es de habitantes, havendo em torno de 2,9 milh\u00f5es de estrangeiros que moram no pa\u00eds. Desses, mais de 800 mil s\u00e3o chineses e quase 850 mil s\u00e3o sul coreanos e vietnamitas, n\u00e3o havendo, nesse censo, perguntas direcionadas para a cor e etnia das pessoas. Dessa forma, essa aparente homogeneidade apaga e relega ao esquecimento minorias \u00e9tnicas que se fazem presentes nas ilhas e oculta o racismo e outras formas de discrimina\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia que acontecem cotidianamente na sociedade japonesa. \u00c9 poss\u00edvel perceber essa realidade em diversos relatos de japoneses de descend\u00eancia africana ou afro-americana que n\u00e3o se sentem acolhidos pela sociedade japonesa e s\u00e3o discriminados devido a sua origem preta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Maica \u00e9 uma japonesa, filha de uma m\u00e3e japonesa e um pai estadunidense. A mesma declara no v\u00eddeo \u201cLife As Half Black Japanese High School Girl\u201d<sup>4 <\/sup>que, mesmo possuindo nacionalidade nip\u00f4nica e vivendo sua vida toda no Jap\u00e3o, nas raras ocasi\u00f5es em que as pessoas se aproximam dela, perguntam acerca de sua nacionalidade. Sobre a escola, ela relata que seus colegas tamb\u00e9m perguntam sobre sua origem, mas que acontece algo diferente com os alunos de outros anos. Segundo a mesma: \u201c[\u2026] Mas eu tinha medo dos alunos de outras s\u00e9ries e dos adultos tamb\u00e9m. (\u2026) Como somos de s\u00e9ries diferentes, nunca falei com eles, ent\u00e3o eles s\u00f3 me julgavam pela minha apar\u00eancia. Acho que eles t\u00eam medo de mim e dizem coisas como \u2018Ela \u00e9 perigosa\u2019\u201d (tradu\u00e7\u00e3o nossa)<sup>5<\/sup>. Ela tamb\u00e9m diz que eles a chamam de Michael desde o elemental, uma vez que, quando o cantor Michael Jackson faleceu, sua morte foi noticiada nos jornais e seus colegas come\u00e7aram a dizer que: \u201c[\u2026] voc\u00ea se parece com Michael Jackson e voc\u00ea \u00e9 negra\u201d(tradu\u00e7\u00e3o nossa)<sup>6<\/sup>. A pr\u00f3pria entrevistadora classificou essa a\u00e7\u00e3o como bullying.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Indagada se j\u00e1 foi discriminada publicamente por estranhos, ela se lembra de uma ocasi\u00e3o em particular: <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">[\u2026] Eu estava a caminho do metr\u00f4 depois que terminei de estudar, uma noite. Havia um idoso que estava b\u00eabado, andando de bicicleta. E de repente ele veio at\u00e9 mim. (\u2026) ele disse: \u2018Os negros s\u00e3o uma merda\u2019. Ele me xingou. E havia muitas pessoas ao redor do metr\u00f4, e ele ficava gritando para eles: \u2018Cuidado com os negros\u2019. E ningu\u00e9m ajudou. Eles estavam apenas olhando para mim (tradu\u00e7\u00e3o nossa).<sup>7<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Alguns outros relatos de entrevistadas pelo canal Asian Boss<sup>8<\/sup> tamb\u00e9m trazem considera\u00e7\u00f5es importantes sobre dificuldades sofridas por elas devido a sua cor. Indagada sobre qual os estere\u00f3tipos que os japoneses possuem sobre pessoas pretas, uma das entrevistadas respondeu: \u201c[\u2026] talvez os japoneses vejam os negros como assustadores (\u2026), especialmente o homem negro, e talvez as mulheres negras sejam agressivas ou muito ousadas ou muito expressivas\u201d(tradu\u00e7\u00e3o nossa)<sup>9<\/sup>. Uma outra entrevistada, que \u00e9 origin\u00e1ria de Nova York e vive h\u00e1 11 anos no Jap\u00e3o diz o seguinte: <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">[\u2026] Isto \u00e9 um estere\u00f3tipo que existe na Am\u00e9rica tamb\u00e9m, (\u2026) as mulheres negras em particular s\u00e3o criaturas muito sexuais e que n\u00f3s gostamos de fazer sexo, tipo, em qualquer lugar, eu acho. N\u00e3o sei se vem do porn\u00f4, mas j\u00e1 fui seguida e tipo, sabe, acariciada na rua para,  sabe, seguir algu\u00e9m at\u00e9 um hotel ou coisas assim, ou (\u2026) apenas talvez chegar e dizer &#8216;hey, (\u2026) garotas negras gostam disso, certo? Tipo, voc\u00ea s\u00f3 quer dar uma rapidinha l\u00e1&#8217; e eu fico tipo: o qu\u00ea? n\u00e3o.(tradu\u00e7\u00e3o nossa)<sup>10<\/sup><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que, ap\u00f3s o assassinato de George Floyd, as manifesta\u00e7\u00f5es do \u201cBlack Lives Matter\u201d tenha tido ades\u00e3o tamb\u00e9m no Jap\u00e3o, havendo em torno de 3,500 manifestantes somente em T\u00f3quio. Consoante Juliana Sayuri (2020), houveram registros de manifesta\u00e7\u00f5es em T\u00f3quio, Niigata, Nagoya, Osaka e Quioto e seus manifestantes queriam, por meio desses protestos, se solidarizar com a morte brutal de George Floyd por um policial, al\u00e9m de \u201c[\u2026] pavimentar o caminho para discutir o racismo aqui no Jap\u00e3o\u201d, como pontua Sierra Todd. Ademais, como declara Ayana Wise numa fala retirada da reportagem de Juliana Sayuri: \u201cMarchamos para aumentar conscientiza\u00e7\u00e3o entre japoneses do que est\u00e1 acontecendo l\u00e1 fora \u2014 e para acord\u00e1-los sobre o que acontece aqui dentro. H\u00e1 muito tempo, h\u00e1 negros no Jap\u00e3o. H\u00e1 japoneses negros nascidos no Jap\u00e3o. N\u00f3s existimos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Conforme Sierra Todd<sup>11<\/sup>: \u201c[\u2026] eu acho que o principal problema do racismo no Jap\u00e3o \u00e9 que as pessoas n\u00e3o necessariamente percebem que \u00e9 um problema\u201d(tradu\u00e7\u00e3o nossa)<sup>12<\/sup>. Essa opini\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 compartilhada por Kaji Takaoka: \u201c[\u2026] o Jap\u00e3o precisa trabalhar mais nisso porque eles ainda nem criminalizaram o discurso de \u00f3dio. H\u00e1 muito racismo oculto aqui no Jap\u00e3o, ent\u00e3o eu s\u00f3 queria trazer isso mais \u00e0 tona no Jap\u00e3o\u201d(tradu\u00e7\u00e3o nossa)<sup>13<\/sup>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Um caso bastante emblem\u00e1tico sobre o racismo no Jap\u00e3o ficou bastante expl\u00edcito quando, em 1986, o ex primeiro-ministro japon\u00eas, Yasuhiro Nakasone disse: \u201c[\u2026] Como h\u00e1 negros, porto-riquenhos e mexicanos nos Estados Unidos, seu n\u00edvel de intelig\u00eancia \u00e9, em m\u00e9dia, mais baixo\u201d<sup>14<\/sup>. Essa fala reverberou bastante negativamente nos Estados Unidos na \u00e9poca, mas o mesmo n\u00e3o aconteceu no territ\u00f3rio japon\u00eas. Na contemporaneidade, um outro exemplo que demonstra como o racismo no Jap\u00e3o n\u00e3o \u00e9 visto como um problema, ou, no m\u00ednimo, n\u00e3o \u00e9 algo discutido, foi o v\u00eddeo produzido pela emissora japonesa NHK explicando o movimento Black Lives Matter para o p\u00fablico nip\u00f4nico no auge das manifesta\u00e7\u00f5es. Para Baye McNeil<sup>15<\/sup>, em uma reportagem feita pelo Infonet , o v\u00eddeo era um \u201ccoment\u00e1rio racista ofensivo\u201d, uma vez que representava as pessoas pretas como saqueadores, ladr\u00f5es e pobres enquanto representava pessoas brancas como ricas e luxuosas. Ainda conforme a reportagem do Infonet, a pr\u00f3pria embaixada dos Estados Unidos chamou a publicidade de \u201cofensiva e insens\u00edvel\u201d. O NHK retirou o v\u00eddeo do ar pouco tempo ap\u00f3s a sua publica\u00e7\u00e3o em decorr\u00eancia dessas cr\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Apesar de ser um campo ainda pouco explorado, a inten\u00e7\u00e3o deste breve estudo foi abordar a negritude no Jap\u00e3o pelo olhar das mais variadas pessoas que contam quais foram suas experi\u00eancias no solo japon\u00eas. Na segunda parte deste texto, que ser\u00e1 publicada em breve, traremos breves resumos sobre a produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica dentro da \u00e1rea, de forma a tentar ter uma vis\u00e3o mais completa sobre os diversos debates acerca de ra\u00e7a, etnia, negritude e os japoneses.<\/p>\n\n\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>NOTAS DE RODAP\u00c9:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><sup>1 <\/sup>A aus\u00eancia de negros em animes e s\u00e9ries. Blogueiras negras, 26 de set. de 2013. Dispon\u00edvel em: http:\/\/blogueirasnegras.org\/ausencia-de-negros-em-animes\/. Acesso em: 15 de abr. de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><sup>2 <\/sup>\u201c[\u2026] Nationalist historiography and the nationalist imagination impose a vision of Japan that has been monoethnic from the beginning to the present. (\u2026) The truth of the matter is that Japan has always been multiethnic\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><sup>3 <\/sup>Japoneses negros: jovens desmontam mito de modelo \u00e9tnico \u00fanico no Jap\u00e3o. Tab Uol, 07 de jul. de 2020. Dispon\u00edvel em: https:\/\/tab.uol.com.br\/noticias\/redacao\/2020\/07\/07\/japoneses-negros-jovens desmontam-mito-de-modelo-etnico-unico-no-japao.htm. Acesso em: 15 de abr. de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><sup>4 <\/sup>Life As Half Black Half Japanese High School Girl. THE VOICELESS #18. Asian Boss, 31 de ago. de 2019. 1 v\u00eddeo (13,4 min). Publicado por Asian Boss. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=7hXTPHrcs9Y&amp;t=291s. Acesso em: 15 de abr. de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><sup>5 <\/sup>\u201c[\u2026] But I was scared of the students from other grades and the adults as well. (\u2026) Since we\u2019re in different grades, I never spoke to them, so they\u2019d just judge me by my looks. I think they\u2019re scared of me and say stuff like \u2018She\u2019s dangerous\u2019.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><sup>6 <\/sup>\u201c[\u2026] you look like Michael Jackson and you\u2019re black\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><sup>7 <\/sup>[\u2026] I was on my way to the subway after I finished studying one night. There was an old man who was drunk, riding a bicycle. And he suddenly came up to me. (\u2026) he said, \u2018Black people are shit\u2019. He swore at me. And there were many people around the subway, and he kept shouting at them, \u2018Be careful of black people\u2019. And nobody helped. They were just staring at me.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><sup>8 <\/sup>What\u2019s It Like Being Black In Japan in 2021? Street Interview. Asian Boss, 24 de mai. de 2021. 1 v\u00eddeo (21 min). Publicado por Asian Boss. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=GajrIc83ZUw&amp;t=620s. Acesso em: 15 de abr. de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><sup>9 <\/sup>\u201c[\u2026] maybe japanese people see black people as like scary (\u2026), especially black man, and maybe black women are aggressive or just too bold or too expressive\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><sup>10 <\/sup>[\u2026] This is a sterotype in America too, (\u2026) black women in particular are very sexual creatures and that we just like are okay with having sex like anywhere and everywhere, I guess. I don\u2019t know if it comes from porn, but I\u2019ve been followed and like, you know, caressed on the streets to, you know, follow somebody to a hotel or like things like that, or (\u2026) they\u2019ll just maybe walk up and say \u2018hey, (\u2026) black girls are into this, right? Like you just want to go quickie over there\u2019 and I\u2019m like: what? no.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><sup>11 <\/sup>The Black Lives Matter Movement Is Growing in Japan. Vice Asia, 17 de jun. de 2020. 1 v\u00eddeo (5,3 min). Publicado por Vice Asia. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Fmiyue2FHGY&amp;t=156s. Acesso em: 15 de abr. de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><sup>12 <\/sup>\u201c[\u2026] I think the main problem regarding racism in Japan is that people don\u2019t necessary realize that it\u2019s a problem\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>13 <\/sup>\u201c[\u2026] Japan needs to step it up because right now they haven\u2019t even criminalized hate speech. There\u2019s a lot of hidden racism here in Japan, so I just wanted to maybe bring more to the forefront in Japan is well\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><sup>14 <\/sup>Os problemas enfrentados pelo Jap\u00e3o por ter restringido de maneira dura a imigra\u00e7\u00e3o. BBC, 14 de jul. de 2019. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-48916176. Acesso em: 15 de abr. de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><sup>15 <\/sup>Mudan\u00e7as como o Black Lives Matter levam Jap\u00e3o a enfrentar o racismo. Infonet, 09 de set. de 2020. Dispon\u00edvel em: https:\/\/infonet.com.br\/noticias\/cidade\/mudancas-como-o-black-lives-matter-levam-japao-a-enfrentar-o-racismo\/. Acesso em: 15 de abr. de 2022.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A aus\u00eancia de negros em animes e s\u00e9ries. Blogueiras negras, 26 de set. de 2013. Dispon\u00edvel em: http:\/\/blogueirasnegras.org\/ausencia-de-negros-em-animes\/. Acesso em: 15 de abr. de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Japoneses negros: jovens desmontam mito de modelo \u00e9tnico \u00fanico no Jap\u00e3o. Tab Uol, 07 de jul. de 2020. Dispon\u00edvel em: https:\/\/tab.uol.com.br\/noticias\/redacao\/2020\/07\/07\/japoneses-negros-jovens desmontam-mito-de-modelo-etnico-unico-no-japao.htm. Acesso em: 15 de abr. de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">LEI, Anne. Constructing Race in Anime. 2018. Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (Honors Baccalaureate of Science in Computer Science), Oregon State University,Oregon, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">LIE, John. Multiethnic Japan. United States of America: Library of Congress Cataloging-in-Publication Data, 2001.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Life As Half Black Half Japanese High School Girl. THE VOICELESS #18. Asian Boss, 31 de ago. de 2019. 1 v\u00eddeo (13,4 min). Publicado por Asian Boss. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=7hXTPHrcs9Y&amp;t=291s. Acesso em: 15 de abr. de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Mudan\u00e7as como o Black Lives Matter levam Jap\u00e3o a enfrentar o racismo. Infonet, 09 de set. de 2020. Dispon\u00edvel em: https:\/\/infonet.com.br\/noticias\/cidade\/mudancas-como-o-black-lives-matter-leva m-japao-a-enfrentar-o-racismo\/. Acesso em: 15 de abr. de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Os problemas enfrentados pelo Jap\u00e3o por ter restringido de maneira dura a imigra\u00e7\u00e3o. BBC, 14 de jul. de 2019. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/internacional-48916176. Acesso em: 15 de abr. de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">SASAKI, E. M. Nihonjinron &#8211; teorias da japonicidade. Estudos Japoneses, [S. l.], n. 31, p. 11-25, 2011. DOI: 10.11606\/issn.2447-7125.v0i31p11-25. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.revistas.usp.br\/ej\/article\/view\/143039. Acesso em: 15 abr. 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">The Black Lives Matter Movement Is Growing in Japan. Vice Asia, 17 de jun. de 2020. 1 v\u00eddeo (5,3 min). Publicado por Vice Asia. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=Fmiyue2FHGY&amp;t=156s. Acesso em: 15 de abr. de 2022.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">What\u2019s It Like Being Black In Japan in 2021? Street Interview. Asian Boss, 24 de mai. de 2021. 1 v\u00eddeo (21 min). Publicado por Asian Boss. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=GajrIc83ZUw&amp;t=620s. Acesso em: 15 de abr. de 2022.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrita:Thiago Henrique (Th24345@gmail.com)Revis\u00e3o:Su\u00e9llen Gentil (suellen.gentil@gmail.com)Camila MachadoRayane S\u00e1tiro (satirorayane9@gmail.com) Quando pensamos no universo dos animes japoneses, em geral, \u00e9 evidente a baixa representa\u00e7\u00e3o de personagens pretos. Quando h\u00e1 essa representa\u00e7\u00e3o, s\u00e3o atrelados a tais personagens caracter\u00edsticas caricaturais acerca do corpo preto, como l\u00e1bios grandes e grossos, um tom de pele excessivamente escuro e tra\u00e7os psicol\u00f3gicos e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":14,"featured_media":6369,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_editorskit_title_hidden":false,"_editorskit_reading_time":8,"_editorskit_is_block_options_detached":false,"_editorskit_block_options_position":"{}","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0},"categories":[2,3,111,16],"tags":[29,40],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6368"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/14"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6368"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6368\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6371,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6368\/revisions\/6371"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/6369"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6368"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6368"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6368"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}