{"id":5804,"date":"2022-07-19T13:08:27","date_gmt":"2022-07-19T16:08:27","guid":{"rendered":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/?p=5804"},"modified":"2022-07-19T16:26:54","modified_gmt":"2022-07-19T19:26:54","slug":"artigo-de-opiniao-serie-desbravando-os-orientes-uma-jornada-de-olhares-patrimoniais-historico-cultural-a-luz-da-mistura-do-oriente-com-o-ocidente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/?p=5804","title":{"rendered":"ARTIGO DE OPINI\u00c3O | S\u00e9rie: Desbravando \u201cos Orientes\u201d \u2013 uma jornada de olhares patrimoniais hist\u00f3rico-cultural \u00e0 luz da mistura do oriente com o ocidente"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-small-font-size\">Curadoria de Assuntos do Jap\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">Professora Dra. Paula Michima \u2013 UFPE<br>Professora Me. Gisele Yamauchi \u2013 USJT<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O mundo se encontra diante de uma polariza\u00e7\u00e3o e disputa hegem\u00f4nica entre os Estados Unidos e seus aliados (representando o ocidente) e a China e seus aliados (representando o oriente). O crescimento do oriente alavancado pelo grande apetite chin\u00eas, historicamente, n\u00e3o \u00e9 novidade. A \u00faltima transi\u00e7\u00e3o e deslocamento do eixo do centro din\u00e2mico entre o oriente e o ocidente ocorreu em 1860, quando terminou a Segunda Guerra do \u00d3pio (1856-1860) envolvendo China, a Gr\u00e3-Bretanha e a Fran\u00e7a. Como resultado econ\u00f4mico das Guerras do \u00d3pio, segundo Pires e Mattos (2016), a China que possu\u00eda em torno de 30% do PIB mundial, viu a sua participa\u00e7\u00e3o se reduzir para apenas 5%. A ordem mundial, din\u00e2mica, tem acelerado suas movimenta\u00e7\u00f5es para uma nova configura\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos dois anos, com os conflitos intensos iniciados entre a R\u00fassia e a Ucr\u00e2nia, e que se estendem em<br>impactos principalmente no oeste europeu.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>A decad\u00eancia da China ap\u00f3s o fim das Guerras do \u00d3pio em 1860, aos olhares dos japoneses, serviu como orienta\u00e7\u00e3o para a aplica\u00e7\u00e3o de reformas e mudan\u00e7as. Alguns anos mais tarde, mais precisamente entre os anos de 1868 e 1912, o Jap\u00e3o renasceu com as reformas da Era Meiji, que buscou adaptar o pa\u00eds aos requisitos do mundo na \u00e9poca para competitividade no mercado internacional, incorporando-o na disputa comercial por meio de intensa industrializa\u00e7\u00e3o, moderniza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, econ\u00f4micas e sociais. A unifica\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, a reforma agr\u00e1ria, as reformas econ\u00f4micas (como, por exemplo, a cria\u00e7\u00e3o da moeda <em>iene<\/em> e do Banco do Jap\u00e3o em 1872 \u2013 que eliminaram os entraves e os modos de produ\u00e7\u00e3o feudal), e a padroniza\u00e7\u00e3o e obrigatoriedade do ensino prim\u00e1rio, permitiram a centraliza\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica e a interven\u00e7\u00e3o do Estado no ensino e na economia. Ademais, a cria\u00e7\u00e3o das universidades em 1885 e a promulga\u00e7\u00e3o da constitui\u00e7\u00e3o em 1889, conduziram o pa\u00eds para uma monarquia constitucional. A combina\u00e7\u00e3o dessas mudan\u00e7as levou \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de grandes conglomerados industriais, os <em>zaibatsus<\/em>, que atuavam nos setores da produ\u00e7\u00e3o, com\u00e9rcio e finan\u00e7as, e que conduziram o pa\u00eds nip\u00f4nico \u00e0 r\u00e1pida industrializa\u00e7\u00e3o (MASON; CAIGER, 1997; HOBSBAWM, 2015; UNZER, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>A partir de 1912 iniciou-se o per\u00edodo Taisho, no qual o Jap\u00e3o passou tamb\u00e9m a enfrentar problemas estruturais como a escassez de mat\u00e9ria prima, fontes de energia e limita\u00e7\u00f5es do mercado interno, e fez com que o pa\u00eds realizasse grandes investimentos militares, aumentando o seu poder b\u00e9lico para que, assim, pudesse se envolver em expans\u00f5es militares \u2013 levando anos mais tarde \u00e0s ocupa\u00e7\u00f5es na Manch\u00faria, Pen\u00ednsula Coreana, Sacalina (ilha que ainda hoje \u00e9 um ponto de impasse n\u00e3o resolvido com a R\u00fassia) e Taiwan \u2013 levando a Segunda Guerra Mundial para o oceano Pac\u00edfico, que se findou em 1945 (HOBSBAWM, 2015; UNZER, 2019).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>Diante desses problemas estruturais, econ\u00f4micos e desastres naturais, como \u00e9 o caso do Grande Terremoto de Kanto de 1923, que destruiu a cidade portu\u00e1ria de Yokohama e as prov\u00edncias vizinhas de Chiba, Kanagawa, Shizuoka e T\u00f3quio, que somados aos problemas ligados \u00e0 superpopula\u00e7\u00e3o japonesa em rela\u00e7\u00e3o ao tamanho de seu territ\u00f3rio, tamb\u00e9m levou ao governo japon\u00eas a assinar v\u00e1rios tratados de imigra\u00e7\u00e3o. Vale mencionar que a imigra\u00e7\u00e3o japonesa para v\u00e1rios pa\u00edses pelo mundo se iniciou em 1868, e que no Brasil o processo de imigra\u00e7\u00e3o ocorreu a partir de 1908. De fato, o Brasil det\u00e9m a maior comunidade japonesa fora do Jap\u00e3o em seu territ\u00f3rio, cujos frutos da imigra\u00e7\u00e3o \u2013 seus descendentes, conhecidos como <em>nikkei<\/em>, at\u00e9 hoje contribuem com v\u00e1rios avan\u00e7os t\u00e9cnicos, hist\u00f3ricos e culturais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>Atualmente, em 2022, no leste oriental, h\u00e1 quase um ano os olhos do mundo estavam voltados para a realiza\u00e7\u00e3o dos Jogos Ol\u00edmpicos e Paral\u00edmpicos de T\u00f3quio entre os meses de julho e setembro de 2021, que com o cen\u00e1rio da pandemia da Covid-19, se transformou nos jogos mais assistidos da hist\u00f3ria pelos expectadores de todo o mundo. Ainda nesta parte do oriente, ressalta-se um velho-novo cen\u00e1rio de disputa crescente desenhado e protagonizado pelos EUA (representando o ocidente) e pela China (representando o oriente), que se acirrou a partir de 2016 com a assinatura do Acordo Comercial Transpac\u00edfico. Esse acordo buscou frear o crescimento chin\u00eas, e junto a ele surgem in\u00fameras indaga\u00e7\u00f5es e curiosidades acerca da China, Jap\u00e3o e outros pa\u00edses do oriente. Diante desse clima de tens\u00e3o e especula\u00e7\u00f5es, os pa\u00edses do continente asi\u00e1tico tornaram-se foco e assunto frequente nos notici\u00e1rios e na academia, refletindo na cria\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios grupos de estudos das universidades sobre a \u00c1sia \u2013 um exemplo disso, \u00e9 a nossa Coordenadoria de Estudos da \u00c1sia (CE\u00c1SIA) da Universidade Federal de Pernambuco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>Ao considerar o ensino brasileiro, por\u00e9m, cabe ressaltar que nos curr\u00edculos escolares em diversos n\u00edveis de ensino, pouco se debate ou se estuda sobre os pa\u00edses orientais em compara\u00e7\u00e3o com o volume, intensidade e profundidade com que se faz sobre os ocidentais. Resta ent\u00e3o uma vastid\u00e3o de conhecimento inexplorado, e uma popula\u00e7\u00e3o que em geral v\u00ea o mundo numa esp\u00e9cie de bolha cuja pobreza e superficialidade de informa\u00e7\u00f5es que, quando em raros contatos com os conhecimentos e as culturas orientais, causa-lhe t\u00e3o f\u00e1cil e instant\u00e2nea admira\u00e7\u00e3o e fasc\u00ednio m\u00edstico. Este, al\u00e9m de ser perigoso por limitar horizontes de conhecimento e compreens\u00e3o de mundo, revela a necessidade de profunda revis\u00e3o do ensino brasileiro sob pena de perder os fatos, as pessoas, as hist\u00f3rias e oportunidades important\u00edssimas que poderiam contribuir com o desenvolvimento do Brasil, principalmente nas quest\u00f5es diplom\u00e1ticas, econ\u00f4micas, comerciais, sociais, entre outras.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>Sob essa perspectiva ascendente em interesses sobre os diversos aspectos que fazem do continente asi\u00e1tico atrator de curiosidade e especula\u00e7\u00f5es, buscaremos a partir das pr\u00f3ximas postagens desta s\u00e9rie apresentar os patrim\u00f4nios e costumes japoneses, por meio de suas hist\u00f3rias, aos leitores. Junto a eles comentaremos tamb\u00e9m as suas rela\u00e7\u00f5es com o Brasil, com os demais pa\u00edses asi\u00e1ticos e outros pa\u00edses que receberam imigrantes japoneses no globo terrestre.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A jornada come\u00e7ar\u00e1 com um breve hist\u00f3rico da imigra\u00e7\u00e3o japonesa no Brasil, apresentando alguns dos motivos que levaram v\u00e1rias fam\u00edlias japonesas a emigrarem do Jap\u00e3o, passando por hist\u00f3rias, mem\u00f3rias, heran\u00e7as patrimoniais e culturais criadas pelos <em>Nikkei<\/em><sup>1<\/sup>. Ao mesmo tempo, buscaremos compreender uma vis\u00e3o contempor\u00e2nea de seus descendentes, com suas tradu\u00e7\u00f5es, releituras, consci\u00eancia sobre sua descend\u00eancia e ascend\u00eancia, dedica\u00e7\u00e3o e esfor\u00e7o de transmitir, com o crescente envolvimento de n\u00e3o-descendentes amantes dessa cultura, a heran\u00e7a cultural e mem\u00f3rias. Para cumprir esse objetivo, nas pr\u00f3ximas edi\u00e7\u00f5es, ser\u00e3o apresentados artigos de opini\u00e3o sobre alguns pontos tur\u00edsticos, edifica\u00e7\u00f5es tombadas como patrim\u00f4nio cultural e obras arquitet\u00f4nicas da cultura oriental, como por exemplo, a Casar\u00e3o de Ch\u00e1 de Mogi das Cruzes, o Templo Kinkaku-Ji do Brasil de Itapecirica da Serra, a Torre de Miroku de Ribeir\u00e3o Pires, o Festival do Jap\u00e3o de S\u00e3o Paulo, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"> NOTAS DE RODAP\u00c9: <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><sup>1<\/sup> O termo Nikkei foi cunhado em japon\u00eas para designar todos os descendentes de japoneses que nasceram fora do territ\u00f3rio japon\u00eas e, tamb\u00e9m, para os japoneses que vivem no exterior.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS: <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">HOBSBAWM, Eric.&nbsp;<strong>Era dos extremos: o breve s\u00e9culo XX<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Editora Companhia das Letras, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>MASON, Richard; CAIGER, John Godwin. <strong>History of Japan<\/strong>: Revised Edition. North Clarendon: Tuttle Publishing, 2011.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>MUSEU HIST\u00d3RICO DA IMIGRA\u00c7\u00c3O JAPONESA NO BRASIL; ASSOCIA\u00c7\u00c3O PARA COMEMORA\u00c7\u00c3O DO CENTEN\u00c1RIO DA IMIGRA\u00c7\u00c3O JAPONESA NO BRASIL; COMISS\u00c3O DA COMPILA\u00c7\u00c3O DA HISTORIOGRAFIA DOS 100 ANOS DA IMIGRA\u00c7\u00c3O JAPONESA NO BRASIL. <strong>Cem anos da Imigra\u00e7\u00e3o Japonesa no Brasil atrav\u00e9s de fotografias<\/strong>. Tokyo: Fukyo-sya, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>PIRES, Marcos Cordeiro; MATTOS, Thais Caroline Lacerda. Reflex\u00f5es sobre a disputa por hegemonia entre Estados Unidos e China na perspectiva do capitalismo hist\u00f3rico.&nbsp;<strong>Mon\u00e7\u00f5es: Revista de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da UFGD<\/strong>, v. 5, n. 9, p. 54-90, 2016. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/ojs.ufgd.edu.br\/index.php\/moncoes\/article\/view\/5856&gt;. Acesso em 13 set. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>UNZER, Emiliano. <strong>Hist\u00f3ria da \u00c1sia<\/strong>. S\u00e3o Paulo: Editora Amazon, 2019.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Curadoria de Assuntos do Jap\u00e3o Professora Dra. Paula Michima \u2013 UFPEProfessora Me. Gisele Yamauchi \u2013 USJT O mundo se encontra diante de uma polariza\u00e7\u00e3o e disputa hegem\u00f4nica entre os Estados Unidos e seus aliados (representando o ocidente) e a China e seus aliados (representando o oriente). 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