{"id":5734,"date":"2022-05-31T12:37:49","date_gmt":"2022-05-31T15:37:49","guid":{"rendered":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/?p=5734"},"modified":"2022-06-20T18:14:00","modified_gmt":"2022-06-20T21:14:00","slug":"resenha-critica-ribon-no-kishi-subversao-e-genero-no-classico-de-tezuka-osamu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/?p=5734","title":{"rendered":"RESENHA CR\u00cdTICA | Ribon no Kishi: subvers\u00e3o e g\u00eanero no cl\u00e1ssico de Tezuka Osamu"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\">ELIC | Curadoria de Assuntos do Jap\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\">Autores:<br>Amanda de Morais Silva &#8211; amndmorais@gmail.com<br>Amanda Serafim &#8211; amandakss25@gmail.com<br>Camila de Sousa Machado &#8211; camila.machado712@gmail.com<br>Su\u00e9llen Gentil &#8211; suellen.gentil@gmail.com<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\">Revis\u00e3o:<br>Agatha Garibe &#8211; contato@agathagaribe.com.br<br>Rayane S\u00e1tiro &#8211; satirorayane@gmail.com<br>Thiago Henrique &#8211; Th24345@gmail.com<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Diante de uma discuss\u00e3o sobre uma obra t\u00e3o marcante quanto <em>Ribon no Kishi (\u30ea\u30dc\u30f3\u306e\u9a0e\u58eb)<\/em> &#8211; \u201cA princesa e o cavaleiro\u201d na tradu\u00e7\u00e3o nacional &#8211; (1953-1956), se faz necess\u00e1rio contextualizar seu autor, considerado o \u201cDeus do Mang\u00e1\u201d. Tezuka Osamu<sup>1<\/sup> (1928-1989) nasceu na cidade de Toyonaka, em Osaka, e desde cedo dava sinais de ter uma mente perspicaz e criativa, que era ainda mais estimulada pelos passeios ao c\u00e9lebre Teatro de <em>Takarazuka<\/em><sup>2<\/sup> e pelos filmes que seu pai exibia em seu projetor, no que poderia ser considerado uma \u201csess\u00e3o de cinema em fam\u00edlia\u201d. Algumas das obras que o autor teve contato devido a esses momentos foram: O Gato F\u00e9lix, Betty Boop e uma variedade de filmes da Disney, que exerceriam forte influ\u00eancia em seu tra\u00e7o posteriormente. Apesar de ser m\u00e9dico licenciado, sua vida foi inteiramente dedicada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de mang\u00e1s e anima\u00e7\u00f5es. Seu trabalho teve forte impacto na sua gera\u00e7\u00e3o, sendo agraciado com diversos pr\u00eamios e aclamado dentro e fora do Jap\u00e3o at\u00e9 os dias de hoje (POWER, 2009).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>Durante o per\u00edodo p\u00f3s-guerra, Tezuka Osamu e diversos(as) outros(as) <em>mangak\u00e1s<\/em><sup>3<\/sup> foram respons\u00e1veis por introduzir narrativas inspiradas em outros produtos art\u00edsticos, como cinema e anima\u00e7\u00f5es, nas hist\u00f3rias em quadrinhos (SILVA, 2016). Esse fato ocasionou uma revolu\u00e7\u00e3o dentro dos mang\u00e1s, principalmente no estilo <em>shoujo<\/em><sup>4<\/sup>. Antes da d\u00e9cada de 50, o estilo era marcado por obras que perpetuavam o binarismo dos pap\u00e9is de g\u00eanero, como a vis\u00e3o de que as mulheres japonesas deveriam ser boas esposas e m\u00e3es <em>s\u00e1bias<\/em><sup>5<\/sup> (SILVA, 2016). No p\u00f3s-guerra, os <em>shoujo<\/em>-mang\u00e1s passam a representar cada vez mais as meninas\/mulheres como hero\u00ednas.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"544\" height=\"768\" src=\"http:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Artigo-Imagem.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-5748\" srcset=\"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Artigo-Imagem.jpg 544w, https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Artigo-Imagem-213x300.jpg 213w\" sizes=\"(max-width: 544px) 100vw, 544px\" \/><figcaption>Cena do mang\u00e1 Ribon no Kishi. Fonte: Tesuka in English.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>Dentro desse contexto, Tezuka Osamu escreve a obra <em>Ribon no Kishi<\/em>. Nela, acompanhamos a hist\u00f3ria da princesa Sapphire que por causa de um erro no c\u00e9u, provocado pelo anjo Tink, recebe dois cora\u00e7\u00f5es: um masculino e outro feminino. Durante seu nascimento, por causa das mis\u00f3ginas leis do seu reino, seu sexo biol\u00f3gico \u00e9 escondido da nobreza e da popula\u00e7\u00e3o para que ela possa ascender ao trono no futuro, para evitar que o malvado Duque Duralumin torne-se rei. Logo, Sapphire recebe duas cria\u00e7\u00f5es, uma que segue atribui\u00e7\u00f5es sociais em conformidade a padr\u00f5es de masculinidade e outra de feminilidade.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Em simples termos, Sapphire se configura como uma princesa n\u00e3o convencional e \u201ccom ares de menino\u201d por sua natureza e cria\u00e7\u00e3o. Ao transitar entre um g\u00eanero e outro em suas fa\u00e7anhas, Sapphire torna confusa a linha entre homem e mulher, fato esse que fez com que parte dos f\u00e3s e da cr\u00edtica especializada elogiassem o texto como sendo feminista e progressista. (KYLE, 2014, n.p).<sup>6<\/sup><\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A centralidade do mang\u00e1 <em>Ribon no Kishi<\/em> est\u00e1, desta forma, na personagem Sapphire que nasce com esses dois cora\u00e7\u00f5es gra\u00e7as \u00e0 a\u00e7\u00e3o angelical, fazendo com que o mang\u00e1 ganhe o seu mote principal: durante os cap\u00edtulos, percebemos que no reino em que Sapphire vive &#8211; esteticamente pr\u00f3xima ao que conhecemos como a Europa medieval &#8211; n\u00e3o \u00e9 permitido que mulheres possam assumir o trono, no entanto, Sapphire ir\u00e1 passar por incont\u00e1veis perip\u00e9cias, transforma-se em uma garota de peruca loira, em um cavaleiro fantasma e at\u00e9 em um cisne, a fim de conseguir modificar o destino e as leis que regem esse espa\u00e7o que j\u00e1 \u00e9 considerado \u201cmis\u00f3gino&#8221; na fala de um dos pr\u00f3prios personagens<sup>7<\/sup> pr\u00f3ximos \u00e0 Sapphire. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A narrativa possui em seu tecido um senso de historicidade pulsante, uma vez que foi produzido em um contexto p\u00f3s-guerra, em que o Jap\u00e3o estava se reerguendo em todos os \u00e2mbitos, principalmente o social, passando por transforma\u00e7\u00f5es que remodelaram os assuntos referentes \u00e0s quest\u00f5es culturais da cultura japonesa. Foi, ent\u00e3o, na d\u00e9cada de 1960, que Tezuka Osamu traz com <em>Ribon no Kishi<\/em> um tema sens\u00edvel ao p\u00fablico, mesmo ainda nos dias atuais, isto \u00e9, a discuss\u00e3o de g\u00eanero para um produto de massa. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Partindo da parte para o todo, comecemos por algumas escolhas de t\u00edtulos. Em portugu\u00eas <em>A princesa e o cavaleiro<\/em> cont\u00e9m uma significa\u00e7\u00e3o d\u00fabia, uma vez que pode ser em refer\u00eancia \u00e0 dupla vida de Sapphire, ou sobre a rela\u00e7\u00e3o da princesa Sapphire e do Pr\u00edncipe Franz, objeto de desejo da protagonista. Em ingl\u00eas, <em>Princess knight<\/em>, ou, quase de forma literal, \u201cprincesa-cavaleiro\u201d, a palavra <em>knight<\/em> aqui atua como um adjetivo \u00e0 princesa. Traduzindo, ainda mais, poder\u00edamos relacionar esse literal \u201cprincesa-cavaleiro\u201d com as tradi\u00e7\u00f5es do conceito de \u201cgarota-pr\u00edncipe\u201d, pois durante as historietas, a beleza da protagonista \u00e9 reconhecida tanto por homens quanto por mulheres. Al\u00e9m de que, a revela\u00e7\u00e3o de sua identidade s\u00f3 \u00e9 colocada em prova por alguns antagonistas, mas que de partida n\u00e3o seria uma necessidade da protagonista. Esses dois pontos, a t\u00edtulo de exemplo, fazem com que Sapphire se aproxime desse mito liter\u00e1rio-art\u00edstico, especialmente nos mang\u00e1s japoneses como Oscar de <em>A rosa de Versalhes e Erm\u00ednia de A Espada de Paros. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Contudo, essa subvers\u00e3o e profundidade n\u00e3o est\u00e1 presente apenas na personagem principal, mas tamb\u00e9m nas outras personagens femininas que pululam de cap\u00edtulo em cap\u00edtulo, com ressalva \u00e0 cena da guerra entre as empregadas do castelo contra os guardas &#8211; maridos e familiares dessas mulheres -, a fim de proteger Sapphire do Duque. Talvez, a limita\u00e7\u00e3o do mang\u00e1 se mostre desoladamente no final.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Apesar de Tezuka Osamu ter concebido uma perspectiva criativa esfor\u00e7adamente nova para o material que se prop\u00f4s, n\u00e3o conseguiu ao final fugir do \u201cfelizes-para-sempre\u201d, t\u00edpico dos contos de fadas da Disney, como <em>Cinderela<\/em>, <em>Branca de Neve<\/em>, <em>A Pequena Sereia<\/em> e tantos outros que est\u00e3o tamb\u00e9m presentes como refer\u00eancias intertextuais no mang\u00e1, em que Sapphire abandona sua adjetiva\u00e7\u00e3o guerreira para dedicar sua vida ao lado do pr\u00edncipe Franz. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Se essa subvers\u00e3o \u00e9 presente nos personagens femininos, tamb\u00e9m o \u00e9 com os personagens masculinos da obra, e se padr\u00f5es de feminilidade inscritos nas a\u00e7\u00f5es de Sapphire destacam a face escondida do pr\u00edncipe &#8211; e posteriormente rei &#8211; de seu reino, tamb\u00e9m padr\u00f5es de masculinidade s\u00e3o postos em diferentes \u00e2ngulos atrav\u00e9s dos personagens que se mostram ao longo da hist\u00f3ria. Protagonistas como o Pr\u00edncipe Franz, o Capit\u00e3o Blood, o anjo Tink e mesmo personagens constru\u00eddos como antagonistas como Pl\u00e1stico, filho de Duralumin, parecem afrouxar os la\u00e7os atados aos pap\u00e9is de g\u00eanero moldados em torno do masculino e do feminino na medida em que desenvolvem sua rela\u00e7\u00e3o, seja direta, seja indireta, com a protagonista Sapphire. Ao passo que a pr\u00f3pria performance masculina de Sapphire \u00e9 atenuada pelo fato de possuir dois cora\u00e7\u00f5es, h\u00e1 momentos em que mesmo personagens masculinos secund\u00e1rios t\u00eam comportamentos desviantes de um contexto ficcional patriarcal. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Pl\u00e1stico, filho de Duralumin, \u00e9 um personagem que ilustra claramente tais particularidades. Apesar de ter papel secund\u00e1rio na hist\u00f3ria, \u00e9 ainda exercendo sua fun\u00e7\u00e3o de rei que reconhece igual direito de voto, de div\u00f3rcio e de ascend\u00eancia ao trono das mulheres, favorecendo o estabelecimento de um quadro de igualdade de g\u00eanero no reino. E, se falar de masculinidade n\u00e3o implica necessariamente falar em a\u00e7\u00f5es provenientes de personagens masculinos, Osamu Tezuka adiciona interessantes tra\u00e7os atribu\u00eddos ao comportamento do homem do mundo ficcional tamb\u00e9m para figuras femininas, tal como Friebe, a guerreira, que assume uma posi\u00e7\u00e3o longe da subservi\u00eancia na obra. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Apesar de poder encontrar-se em <em>Ribon no Kishi<\/em> certos tra\u00e7os que, na nossa cultura momento atual, poderiam ser interpretados como sexistas, tal como o fato da for\u00e7a e impetuosidade de Sapphire advir de seu \u2018cora\u00e7\u00e3o masculino\u2019, ou por Sapphire tender ao lado feminino como o seu tra\u00e7o mais gracioso, o fato de personagens como Friebe ou a deusa V\u00eanus possu\u00edrem tra\u00e7os de personalidade que fogem da \u201cdelicadeza\u201d e da \u201cgentileza\u201d, normalmente atribu\u00eddas \u00e0s mulheres, escapam a obra da obviedade de g\u00eanero normalmente intr\u00ednseca a hist\u00f3rias de mang\u00e1s do mesmo g\u00eanero <em>shoujo<\/em>. Nessa medida, pode-se afirmar que os tra\u00e7os de masculinidade e de feminilidade n\u00e3o est\u00e3o presos aos personagens como um \u00f3rg\u00e3o que lhes \u00e9 imanente, apesar de assim se mostrar ao in\u00edcio da obra. Fato \u00e9 que as nuances de afeto e de zelo dos personagens uns com os outros ultrapassa os preconceitos de g\u00eanero e aprofundam a hist\u00f3ria para muito al\u00e9m de uma hist\u00f3ria de princesas e pr\u00edncipes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>Ao deparar-se com obras subversivas que marcam seu lugar na hist\u00f3ria muito se diz sobre estarem \u201c\u00e0 frente do seu tempo\u201d, em especial tratando-se de elogios p\u00f3stumos, contudo, isso pode resultar em interpreta\u00e7\u00f5es anacr\u00f4nicas. <em>Ribon no Kishi<\/em> foi de fato revolucion\u00e1rio, ainda assim, estava muito bem situado em sua \u00e9poca, no p\u00f3s Segunda Guerra Mundial, quando a na\u00e7\u00e3o japonesa buscava se reerguer ap\u00f3s a derrota. Tezuka Osamu vivenciou de perto os horrores da guerra e voltou para o Jap\u00e3o em que as mulheres, deixadas para tr\u00e1s, se viram muitas vezes obrigadas a ultrapassar seus pap\u00e9is de \u201cboas esposas e m\u00e3es s\u00e1bias\u201d para defender seus lares e sustentar seus filhos, pap\u00e9is designadamente masculinos. Era um momento de transi\u00e7\u00e3o, muito bem representado ao longo de todo o mang\u00e1, de reconhecer a possibilidade de ir al\u00e9m dos limites estanques de tais pap\u00e9is. A apresenta\u00e7\u00e3o \u00e9 feita por\u00e9m, sem ir mais al\u00e9m, como os exemplos citados da voluntariosa guerreira Friebe duelando nos torneios para encontrar um marido digno e forte para se casar, e a pr\u00f3pria Sapphire ao expressar suas ang\u00fastias de ter que esconder sua identidade feminina at\u00e9 vencer todas as adversidades para viver o \u201cfelizes para sempre\u201d com o seu pr\u00edncipe encantado. Apesar da busca ao fim da obra pela realoca\u00e7\u00e3o dos estere\u00f3tipos de g\u00eanero, <em>Ribon no Kishi <\/em>seguir\u00e1 sendo um marco hist\u00f3rico para al\u00e9m de sua gera\u00e7\u00e3o e um cl\u00e1ssico que mudou o mundo dos mang\u00e1s <em>shoujos<\/em>, introduzindo a tradi\u00e7\u00e3o das hero\u00ednas femininas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>NOTAS DE RODAP\u00c9:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><sup>1<\/sup>Apesar de ser conhecido amplamente no Brasil como Osamu Tezuka, o autor \u00e9 citado no texto com o sobrenome antecedendo ao nome devido a uma solicita\u00e7\u00e3o do governo japon\u00eas, a qual requisita que, em textos estrangeiros, os nomes japoneses sejam escritos conforme a ordem de escrita tradicional do Jap\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><sup>2<\/sup>Famosa companhia de teatro japonesa, fundada em 1913, composta inteiramente por mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p><sup> 3<\/sup>Mangak\u00e1 \u00e9 uma pessoa que cria mang\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><sup>4<\/sup>Na ind\u00fastria de mang\u00e1s, as obras shoujo s\u00e3o aquelas que t\u00eam como p\u00fablico-alvo meninas\/mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><sup>5<\/sup>Termo cunhado por Nakamura Masanao, durante o per\u00edodo Meiji, no qual o papel da mulher na sociedade japonesa deveria ser de ry\u00f4sai kenbo (\u826f\u59bb\u8ce2\u6bcd) &#8211; \u201cboa esposa, m\u00e3e s\u00e1bia\u201d. Neste per\u00edodo, o governo incentivou que a educa\u00e7\u00e3o das mulheres tivesse o prop\u00f3sito fundamental de criar boas esposas e m\u00e3es s\u00e1bias (FREITAS,2016).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><sup>6<\/sup>Tradu\u00e7\u00e3o nossa para \u201cIn these simplified terms, Sapphire is configured as an unconventional, \u201ctomboyish\u201d princess due to both nature and nurture. In her cross-dressing exploits and gender-bending adventures, Sapphire troubles the line between male and female, a fact that has caused some fans and reviewers to laud the text as forward-thinking and feminist.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><sup>7<\/sup>Cf. &#8220;It&#8217;s all the fault of that stupid law that forbids women from ascending the throne! It&#8217;s misogynistic&#8221; (ROSEWOOD, p. 116, 2011).<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">REFER\u00caNCIAS<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">FREITAS, Larissa Salgues. <strong>A representa\u00e7\u00e3o da mulher japonesa em Ki no Kawa, de Ariyoshi Sawako<\/strong>. Trabalho de Conclus\u00e3o de Curso (Licenciatura em L\u00edngua e Literatura Japonesa)\u2014Universidade de Bras\u00edlia, Bras\u00edlia, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>POWER, Natsu Onoda. <strong>God of comics<\/strong>: Osamu Tezuka and the creation of post-World War II manga. Mississipi. Univ. Press of Mississippi, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>SILVA, Val\u00e9ria. Rompendo fronteiras e tomando a palavra: Algumas reflex\u00f5es sobre os quadrinhos femininos japoneses no s\u00e9culo XX. <strong>Revista hist\u00f3ria, hist\u00f3rias<\/strong>, Bras\u00edlia, v. 4, n. 7, p\u00e1g. 89 -107, 2016.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>KYLE, Catharine. <strong>Beauties and Beasts<\/strong>: Feminism and Animalistic Transformation in Osamu Tezuka\u2019s Princess Knight. Dispon\u00edvel em: https:\/\/inktart.org\/2014\/12\/22\/beauties-and-beasts-feminism-and-animalistic-transformation-in-osamu-tezukas-princess-knight\/ Acessado em: 4 de novembro de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ELIC | Curadoria de Assuntos do Jap\u00e3o Autores:Amanda de Morais Silva &#8211; amndmorais@gmail.comAmanda Serafim &#8211; amandakss25@gmail.comCamila de Sousa Machado &#8211; camila.machado712@gmail.comSu\u00e9llen Gentil &#8211; suellen.gentil@gmail.com Revis\u00e3o:Agatha Garibe &#8211; contato@agathagaribe.com.brRayane S\u00e1tiro &#8211; satirorayane@gmail.comThiago Henrique &#8211; Th24345@gmail.com Diante de uma discuss\u00e3o sobre uma obra t\u00e3o marcante quanto Ribon no Kishi (\u30ea\u30dc\u30f3\u306e\u9a0e\u58eb) &#8211; \u201cA princesa e o cavaleiro\u201d na [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5736,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_editorskit_title_hidden":false,"_editorskit_reading_time":7,"_editorskit_is_block_options_detached":false,"_editorskit_block_options_position":"{}","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0},"categories":[111,16,97],"tags":[40,54],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5734"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5734"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5734\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5769,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5734\/revisions\/5769"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5736"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5734"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5734"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5734"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}