{"id":5635,"date":"2022-05-23T10:31:04","date_gmt":"2022-05-23T13:31:04","guid":{"rendered":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/?p=5635"},"modified":"2022-05-31T12:27:26","modified_gmt":"2022-05-31T15:27:26","slug":"ensaio-critico-nanshoku-o-amor-entre-os-homens-do-japao-medievo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/?p=5635","title":{"rendered":"ENSAIO CR\u00cdTICO | Nanshoku: o amor entre os homens do Jap\u00e3o Medievo"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-left has-small-font-size\">ELIC | Curadoria de Assuntos do Jap\u00e3o <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-small-font-size\">Reda\u00e7\u00e3o: Amanda de Morais (amndmorais@gmail.com) e S\u00e1tiro (satirorayane9@gmail.com)<br>Revis\u00e3o: Camila Machado (camila.machado712@gmail.com), Patr\u00edcia Milet (miletpati@gmail.coml) e Su\u00e9llen Gentil (suellen.gentil@gmail.com)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\"> <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A discuss\u00e3o a respeito dos pap\u00e9is de g\u00eanero ao longo da hist\u00f3ria do Jap\u00e3o tomou rumos diversos na constru\u00e7\u00e3o de uma identidade feminina e de uma identidade masculina que destoavam das estabelecidas pela \u00f3tica ocidental nos sistemas de sexo e g\u00eanero. Situando-se nos per\u00edodos da Era Sengoku (1560-1603) e Tokugawa (1600-1868) essas rela\u00e7\u00f5es ganharam diferentes roupagens no imagin\u00e1rio social no que tange ao tratamento da sexualidade e das rela\u00e7\u00f5es interpessoais entre homens e mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A representa\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre homens atrav\u00e9s da produ\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica popular japonesa tamb\u00e9m n\u00e3o passa despercebida. Interessante destacar as sutilezas com que as nuances de g\u00eanero e sexualidade s\u00e3o retratadas no cen\u00e1rio imag\u00e9tico de anima\u00e7\u00f5es e mang\u00e1s. \u00c9 nesse sentido que se voltam os olhares \u00e0 anima\u00e7\u00e3o Yasuke, que oferece min\u00facias aos olhares mais atentos do p\u00fablico quanto ao amor homoafetivos e \u00e0s rela\u00e7\u00f5es \u00edntimas entre homens das chamadas classes superiores do Jap\u00e3o, isto \u00e9, nobres e guerreiros samurai no per\u00edodo do Medievo japon\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p> <strong>O \u201cmedievo japon\u00eas\u201d e as rela\u00e7\u00f5es de g\u00eanero<\/strong> <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">No per\u00edodo por volta dos anos 1300 a 1870, influ\u00eancias do Confucionismo, promovido por exemplo por parte do governo no per\u00edodo do <em>Shogunato<\/em> Tokugawa (1853-1867), contribu\u00edram para a consolida\u00e7\u00e3o do imagin\u00e1rio japon\u00eas acerca da diferen\u00e7a entre sexos, de modo a enxergar a mulher ocupando um status inferior ao homem, como se observa, por exemplo, em passagens do texto <em>Onna Daigaku<\/em> (ou Grande Ensinamento para Mulheres) de 1716 (HENSHALL, 2008, p. 89; HASTINGS, 2007, p. 373).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>Nessa obra, pregavam-se as \u201ccinco doen\u00e7as da mulher\u201d: indocilidade, descontentamento, cal\u00fania, inveja e parvo\u00edce, fundamentos esses que justificariam o conceito depreciativo para com a figura feminina. Os ensinamentos confucionistas atingiam, com relevante impacto, as camadas sociais que inclu\u00edam guerreiros samurais e nobres, definidas como as classes superiores da hierarquia social japonesa, e as quais integravam as mulheres samurai, esposas dos guerreiros (HENSHALL, 2008, p. 89; HASTINGS, 2007, p. 373; HANE, 1998, p. 5-6).<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Nesse sentido, a imposi\u00e7\u00e3o r\u00edgida de uma rela\u00e7\u00e3o que, aos nossos olhos estrangeiros, pode ser interpretada como de subservi\u00eancia da mulher para com seu marido atingia os direitos &#8211; ou a falta deles &#8211; que a mulher detinha em compara\u00e7\u00e3o ao homem, como a priva\u00e7\u00e3o de direitos de propriedade. Por consequ\u00eancia, as rela\u00e7\u00f5es interpessoais, incluindo-se as sexuais, que podiam ser estabelecidas pelos homens e pelas mulheres, viam-se afetadas, isto \u00e9, enquanto aqueles gozavam de liberdade sexual, essas deveriam manter-se fi\u00e9is aos seus pares (HANE, 1998, p. 6).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Nessa perspectiva, enquanto a primogenitura e a demonstra\u00e7\u00e3o de afeto entre homens e mulheres, bem como a liberdade de associa\u00e7\u00e3o de mulheres separadas eram parte do padr\u00e3o de sociabilidade dos citadinos mais ordin\u00e1rios, valores confucionistas ensinavam modelos familiares baseados na lideran\u00e7a masculina para fam\u00edlias localizadas mais ao topo da hierarquia japonesa. Tal configura\u00e7\u00e3o, no entanto, mais ao longo do per\u00edodo Tokugawa tardio, passou a carregar influ\u00eancias para toda a popula\u00e7\u00e3o, conforme a autoridade da classe samurai foi perdendo distin\u00e7\u00e3o na sociedade e sendo dissolvida (HANE, 1998, p. 6).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>Com essa normatiza\u00e7\u00e3o da divis\u00e3o sexual, a consci\u00eancia acerca da conceitua\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es heterossexuais e homossexuais tornaram-se mais n\u00edtidas, direcionando o significado das manifesta\u00e7\u00f5es da sexualidade de acordo com uma l\u00f3gica oposicional homem-mulher (SMITS, 1997)<sup>1<\/sup>. Ainda, curiosamente, n\u00e3o se pode afirmar categoricamente que tal diferencia\u00e7\u00e3o no sistema sexo\/g\u00eanero se deu no \u00e2mbito de uma percep\u00e7\u00e3o diferencial de orienta\u00e7\u00f5es psicol\u00f3gicas masculinas e femininas. Isto \u00e9, a inteligibilidade de dissemelhan\u00e7as entre homem e mulher partia especialmente da observa\u00e7\u00e3o do mundo f\u00edsico, material, a saber, de aspectos culturais como vestimenta, adornos, penteados. Isto pois, mesmo biologicamente, esses contrastes sexuais n\u00e3o eram intensamente percebidos em uma vis\u00e3o fisiol\u00f3gica no que tange \u00e0s caracter\u00edsticas sexuais secund\u00e1rias, tal como demonstram pe\u00e7as da <em>Shunga<\/em><sup>2<\/sup>, manifesta\u00e7\u00e3o japonesa da arte er\u00f3tica, que acentua marcadores sexuais como genitais e \u00f3rg\u00e3os reprodutivos. (HENSHALL, 2008, p. 91; SMITS, 1997).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Yasuke e o amor homoafetivo <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O conceito depreciativo que os samurais desenvolveram acerca das mulheres moldou uma forma de comportamento a tal ponto de sentirem-se mais confort\u00e1veis mantendo rela\u00e7\u00f5es de cunho homoafetivo &#8211; cuja din\u00e2mica, no entanto, vale salientar, n\u00e3o se iguala aos padr\u00f5es de homoafetivos considerados atualmente. Conforme afirma Henshall (2008, p. 89), apesar de a ideologia confucionista n\u00e3o aprovar, de fato, relacionamentos homossexuais e a homossexualidade em si, o xogunato estava particularmente predisposto a ser tolerante, porque, no caso do Jap\u00e3o, a homossexualidade masculina refletia o estatuto social, isto \u00e9, o parceiro ativo representava sempre a classe mais alta.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>Tais rela\u00e7\u00f5es podem ser exemplificadas pelo que se retratou na anima\u00e7\u00e3o Yasuke no que concerne, especialmente, os personagens de Oda Nobunaga, um dos grandes daimyo do per\u00edodo Sengoku (1467-1615), e Mori Ranmaru, seu criado. Apesar de n\u00e3o haver documentos oficiais que atestem o relacionamento entre tais personagens hist\u00f3ricos, n\u00e3o \u00e9 de todo ficcional retratar relacionamentos homossexuais entre figuras de poder do Jap\u00e3o e seus criados e vassalos. Ainda, \u00e9 interessante pensar nas escolhas narrativas do relacionamento ficcional da anima\u00e7\u00e3o, tendo em vista a retrata\u00e7\u00e3o de certo apelo \u00e0 liberdade individual no que concerne a express\u00e3o da pr\u00f3pria sexualidade, frente a contragostos dos integrantes da pr\u00f3pria classe nobre japonesa.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"721\" height=\"363\" src=\"http:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Captura-de-Tela-705.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5654\" srcset=\"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Captura-de-Tela-705.png 721w, https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Captura-de-Tela-705-300x151.png 300w, https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Captura-de-Tela-705-400x200.png 400w\" sizes=\"(max-width: 721px) 100vw, 721px\" \/><figcaption>Cena da anima\u00e7\u00e3o Yasuke, representando Oda Nobunaga (\u00e0 esquerda) e Mori Ranmaru (\u00e0 direita).<br>Fonte: Netflix.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A configura\u00e7\u00e3o da homossexualidade, no entanto, n\u00e3o obedece aos sentidos do <em>nanshoku<\/em><sup>3<\/sup>. Enquanto a homossexualidade tem suas origens de \u201chomo\u201d que traz uma ideia de igualdade, o <em>nanshoku,<\/em> traduzido literalmente como \u201ccores masculinas\u201d, evoca um sentido de reconhecimento da diferen\u00e7a e fascina\u00e7\u00e3o pra com o Outro. Isso pode ser presumido como uma das raz\u00f5es pelas quais o <em>nanshoku<\/em> tem sido tradicionalmente considerado como a contraparte do <em>joshoku<\/em>, o amor por mulheres, ambos vistos como meios igualmente aceit\u00e1veis de obter prazer sexual (SAEKI, 1997, p. 132)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">De origem budista, o <em>nanshoku<\/em> referia-se inicialmente ao relacionamento entre dois monges, normalmente, um mais novo <em>(chigo)<\/em> seria acolhido sob as asas de um monge mais velho <em>(nenja)<\/em> at\u00e9 atingir certa idade. O relacionamento era tanto f\u00edsico, quanto psicol\u00f3gico, de maneira que exaltava-se o prazer de todas as formas (PFLUGFELDER, 2007). Os contornos do relacionamento entre Nobunaga e Ranmaru, nesse sentido, parecem superar defini\u00e7\u00f5es que se prendem \u00e0 sexualidade, na medida em que caracter\u00edsticas de uma rela\u00e7\u00e3o de afeto podem ser interpretadas de suas intera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>Em raz\u00e3o de suas origens, o <em>nanshoku<\/em> ocupava um lugar diferente no julgamento das a\u00e7\u00f5es de um indiv\u00edduo, isto \u00e9, como a\u00e7\u00f5es \u201ccertas\u201d ou \u201cerradas\u201d, mas eram vistas sob o prisma da intencionalidade, dos desejos. Nesse sentido, no Jap\u00e3o, nesse per\u00edodo, um homem mais velho ter uma rela\u00e7\u00e3o afetiva com um mais novo era entendido como um la\u00e7o c\u00e1rmico positivo entre os dois. Al\u00e9m disso, conforme a rela\u00e7\u00e3o deveria durar apenas at\u00e9 a fase adulta do mais jovem, o relacionamento adquire um sentido metaf\u00edsico conectado ao conhecimento da temporalidade da rela\u00e7\u00e3o e do desaparecer inevit\u00e1vel da beleza (JN\u00c3NAVIRA, 2000).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br><\/p>\n\n\n\n<p> <strong>Os samurai e o amor masculino <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Sendo a harmonia e o respeito valores de ordem da filosofia confucionista, e que iriam a contrassenso a rela\u00e7\u00f5es \u00edntimas entre homens, n\u00e3o representou ela uma corrente hostil em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s rela\u00e7\u00f5es sexuais homoafetivas entre homens. Al\u00e9m disso, n\u00e3o obstante a manifesta\u00e7\u00e3o desses desejos sexuais se voltasse ao \u00e2mbito das rela\u00e7\u00f5es homoafetivas &#8211; com amplo grau de diversidade entre indiv\u00edduos mais novos e mais velhos, mestres e servos, bem como entre os mais favorecidos e menos favorecidos hierarquicamente &#8211; fato \u00e9 que a tradi\u00e7\u00e3o <em>nanshoku<\/em> era tamb\u00e9m posta dentro do eros bissexual (LEUPP, 1995, p. 94-95).<\/p>\n\n\n\n<p>Afirma Leupp:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Por volta do s\u00e9culo XIV, no entanto, os pal\u00e1cios dos governantes militares do Jap\u00e3o estavam se tornando centros de atividade homossexual; os shogun do per\u00edodo Muromachi (1333-1573) est\u00e3o t\u00e3o aptos a terem amantes homens quanto os imperadores da Disnatia Han estavam (1995, 27) (tradu\u00e7\u00e3o nossa)<sup>4<\/sup>.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">J\u00e1 segundo Greenberg (1988), samurais costumavam ir para a guerra com um aprendiz, com o qual costumavam tamb\u00e9m ter rela\u00e7\u00f5es sexuais. Na literatura, essas rela\u00e7\u00f5es eram descritas com demasiado romantismo e lealdade. Por exemplo, \u00e9 poss\u00edvel lembrar um dos grandes escritores japoneses, que tamb\u00e9m produziu hist\u00f3rias com tem\u00e1ticas homossexuais, Ihara Saikaku (1642\u20131693):<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote\"><p>Filho de um mercador bem sucedido, Saikaku usou seus poderes de observa\u00e7\u00e3o, bem lapidado ap\u00f3s anos de composi\u00e7\u00e3o po\u00e9tica de haikai, e criou hist\u00f3rias altamente leg\u00edveis e visualmente atrativas de desejo e lux\u00faria, honra marcial e justi\u00e7a (frequentemente de uma perspectiva de lealdade homoer\u00f3tica entre guerreiros samurai) (TSUTSUI, 2007, p. 128) (tradu\u00e7\u00e3o nossa)<sup>5<\/sup>.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ihara Saikaku \u00e9 autor de v\u00e1rios livros que abordam a tem\u00e1tica das rela\u00e7\u00f5es homoafetivas. Em l\u00edngua portuguesa, o livro <em>Amor entre samurais<\/em> \u00e9 uma colet\u00e2nea de alguns dos seus contos que trata justamente dessa tem\u00e1tica, e todos narram rela\u00e7\u00f5es rom\u00e2nticas e\/ou sexuais entre homens e que, por vezes, acabam com o <em>Seppuku\/Harakiri<\/em>, o ritual de suic\u00eddio comum entre samurais e nobres da \u00e9poca. O conto <em>Todos os Amantes Morrem por Harakiri<\/em>, por exemplo, traz a hist\u00f3ria de tr\u00eas homens que se envolvem romanticamente, mas acabam, como diz o pr\u00f3prio t\u00edtulo, morrendo ao cometer o suic\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>Um ponto que favorecia o discurso em torno do <em>nanshoku<\/em> no seio das rela\u00e7\u00f5es entre homens samurai consistia, justamente, na falta de mulheres durante os per\u00edodos de guerra. Contudo, mesmo em tempos de paz, a concentra\u00e7\u00e3o da classe em cidades de castelo &#8211; assentamentos constru\u00eddos ao redor de castelos, comuns no per\u00edodo \u201cmedieval\u201d japon\u00eas &#8211; tornava rara a presen\u00e7a de mulheres em seus locais de trabalho. Al\u00e9m disso, conceitos da vida samurai guardavam certa coer\u00eancia com o <em>nanshoku<\/em> na medida em que, no ambiente hier\u00e1rquico r\u00edgido dos samurai, a subservi\u00eancia de homens mais jovens a mais velho era uma das bases da educa\u00e7\u00e3o e do relacionamento entre indiv\u00edduos. Nesse sentido, uma rela\u00e7\u00e3o entre homens de ordem hier\u00e1rquica inferior com os de ordem superior iria de acordo com os ideais educacionais de lealdade e respeito a partir dos quais a conduta dos samurai era moldada.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image caption-align-center\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" width=\"397\" height=\"441\" src=\"http:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Captura-de-Tela-706.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-5655\" srcset=\"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Captura-de-Tela-706.png 397w, https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/Captura-de-Tela-706-270x300.png 270w\" sizes=\"(max-width: 397px) 100vw, 397px\" \/><figcaption>Autor: Ishikawa Toyonobu. Cerca de 1740.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>*Este artigo \u00e9 o \u00faltimo de uma s\u00e9rie de tr\u00eas textos que abordam diferentes aspectos<br>da anima\u00e7\u00e3o Yasuke.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>NOTAS DE RODAP\u00c9:<\/p>\n\n\n\n<p><sup>1<\/sup> Documento online n\u00e3o paginado.<\/p>\n\n\n\n<p><sup>2<\/sup> Traduzido como \u201cspring pictures\u201d ou \u201cimagens da primavera\u201d, representando um eufemismo da esta\u00e7\u00e3o referenciando a sexualidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><sup>3<\/sup> Termo utilizado para referir-se a rela\u00e7\u00f5es homossexuais entre homens, traduzido como \u201cmale colors\u201d, ou \u201ccores masculinas\u201d. Tamb\u00e9m utilizava-se o termo wakashud\u014d, traduzido como \u201co caminho do jovem\u201d ou \u201co caminho da juventude\u201d para referir-se \u00e0s rela\u00e7\u00f5es homossexuais havidas entre os guerreiros samurai.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><sup>4<\/sup> \u201cBy the fourteenth century, however, the palaces of Japan\u2019s military rulers were becoming centers of homossexual activity; the shoguns of the Muromachi period (1333-1573) were as apt to retain male lovers as the Former Han emperors had been.\u201d (LEUPP, 1995, p. 27).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br><sup>5<\/sup> Son of a successful Osaka merchant, Saikaku used his powers of observation, finely honed after years of haikai poetic composition, and crafted highly readable and visually compelling stories of longing and lust, martial honor and justice (often from a perspective of homoerotic loyalty between samurai). (TSUTSUI, 2007, p. 128)<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p>REFER\u00caNCIAS<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>GREENBERG, David. <strong>The Construction of Homosexuality<\/strong>. Chicago: The University of Chicago, 1988.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>HANE, Mikiso. <strong>Reflections on the Way to the Gallows<\/strong>: Rebel Women in Prewar Japan. University of California Press, 1988.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>HASTINGS, Sally A. Gender and Sexuality in Modern Japan. In: TSUTSUI, William M. <strong>A Companion to Japanese History<\/strong>. Oxford: Blackwell Publishing, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>HENSHALL, Kenneth. <strong>Hist\u00f3ria do Jap\u00e3o<\/strong>. Edi\u00e7\u00f5es 70, 2008.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>J\u00d1ANAVIRA, Dharmachari. <strong>Homosexuality in the Japanese buddhist tradition<\/strong>. 2000. Dispon\u00edvel em: www.talawas.org\/talaDB\/showFile.php?res=1067&amp;rb=0503.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>LEUPP, Gary P. <strong>Male Colors<\/strong>: The Construction of Homossexuality in Tokugawa Japan. Berkeley and Los Angeles: University of California Press, 1995.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>PFLUGFELDER, Gregory M. <strong>Cartographies of desire: Male-male sexuality in japanese discourse, 1600-1950<\/strong>. Berkeley and Los Angeles: University of California Press, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p><br>SAEKI, Junko. From nanshoku to homosexuality: A comparative study of Mishima Yukio&#8217;s Confessions of a mask. <strong>Nichibuken Japan Review<\/strong>, v. 8, 1997, p. 127-142. Dispon\u00edvel em: https:\/\/nichibun.repo.nii.ac.jp\/action=pages_view_main&amp;active_action=repository_view_main_item_detail&amp;item_id=340&amp;item_no=1&amp;page_id=41&amp;block_id=63.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>SMITS, Gregory. <strong>The World of Sex in Tokugawa and Meiji Japan<\/strong>. 1997. Dispon\u00edvel em: http:\/\/figal-sensei.org\/hist157\/Textbook\/ch7.htm. Acesso em 27 nov. 2020.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>TSUTSUI, William M. <strong>A companion to Japanese history<\/strong>. Oxford: Blackwell Publishing Ltd, 2007.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ELIC | Curadoria de Assuntos do Jap\u00e3o Reda\u00e7\u00e3o: Amanda de Morais (amndmorais@gmail.com) e S\u00e1tiro (satirorayane9@gmail.com)Revis\u00e3o: Camila Machado (camila.machado712@gmail.com), Patr\u00edcia Milet (miletpati@gmail.coml) e Su\u00e9llen Gentil (suellen.gentil@gmail.com) A discuss\u00e3o a respeito dos pap\u00e9is de g\u00eanero ao longo da hist\u00f3ria do Jap\u00e3o tomou rumos diversos na constru\u00e7\u00e3o de uma identidade feminina e de uma identidade masculina que destoavam [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5713,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_editorskit_title_hidden":false,"_editorskit_reading_time":8,"_editorskit_is_block_options_detached":false,"_editorskit_block_options_position":"{}","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0},"categories":[111,16],"tags":[40,54],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5635"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=5635"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5635\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5761,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/5635\/revisions\/5761"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/5713"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=5635"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=5635"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=5635"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}