{"id":4609,"date":"2021-10-14T16:19:08","date_gmt":"2021-10-14T19:19:08","guid":{"rendered":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/?p=4609"},"modified":"2021-10-15T10:58:10","modified_gmt":"2021-10-15T13:58:10","slug":"artigo-de-opiniao-kojiki-a-criacao-divina-do-japao-e-a-legitimacao-imperial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/?p=4609","title":{"rendered":"ARTIGO DE OPINI\u00c3O | Kojiki: A cria\u00e7\u00e3o divina do Jap\u00e3o e a legitima\u00e7\u00e3o imperial"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-right\" style=\"font-size:13px\">Maur\u00edcio Luiz Borges Ramos Dias &#8211; mauriciolbrdias@gmail.com<br>Rayane S\u00e1tiro &#8211; satirorayane9@gmail.com<br>Su\u00e9llen Gentil &#8211; suellen.gentil@gmail.com<br>Revis\u00e3o especializada:<br>Maria Oliveira &#8211; mary.oliveirasilvan@gmail.com<br>Larissa Redditt &#8211; lariredditt@gmail.com<br><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Compilados, respectivamente, em 712 e 720, o <em>Kojiki<\/em> (Relatos de Fatos Antigos) e o <em>Nihon Shoki<\/em> (Cr\u00f4nicas do Jap\u00e3o) s\u00e3o obras preciosas que nos permitem compreender a forma\u00e7\u00e3o dos antigos credos cosmog\u00f4nicos<sup>1<\/sup> japoneses, cujos vest\u00edgios est\u00e3o evidentes at\u00e9 hoje na vida cotidiana da Terra do Sol Nascente. Ambos confeccionados em meio ao processo de unifica\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e estratifica\u00e7\u00e3o social do Jap\u00e3o que se conclu\u00edram em 710, o <em>Nihon Shoki<\/em> foi escrito em chin\u00eas e apresenta uma narrativa detalhada do dia a dia, enquanto o <em>Kojiki<\/em> foi redigido no idioma japon\u00eas e tinha como atribui\u00e7\u00e3o proporcionar a congrega\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica e ideol\u00f3gica do Estado (MIETTO, 1995; ANTONI, 2016). Em um contexto dom\u00e9stico no qual o imperador Tenmu (672-686) subiu ao trono ap\u00f3s destituir o imperador Kobun (672) na Guerra Jinshin, essas obras foram um esfor\u00e7o para a elabora\u00e7\u00e3o de uma narrativa oficial compartilhada nacionalmente e capaz de legitimar o processo de hegemoniza\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico centralizado sob as m\u00e3os da institui\u00e7\u00e3o imperial.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Nessa perspectiva, sendo finalizado em 712 sob ordena\u00e7\u00e3o da imperatriz Genmei (707-715), as poss\u00edveis fontes que teriam permitido o desenvolvimento do <em>Kojiki<\/em> foram o registro geneal\u00f3gico da fam\u00edlia real, colet\u00e2nea de can\u00e7\u00f5es, mitos e lendas, tradi\u00e7\u00f5es orais, manuscritos estrangeiros e a pr\u00f3pria corte que seria beneficiada pelo conte\u00fado cosmog\u00f4nico dessa obra (MIETTO, 1993). Dessa maneira, tr\u00eas cap\u00edtulos foram produzidos, sendo o segundo e o terceiro concentrados em registros sobre os reinados e as sucess\u00f5es imperiais, ao passo que o primeiro, principal objeto de estudo deste artigo, esteve envolto pelo arcabou\u00e7o cosmog\u00f4nico que buscava explicar&nbsp; a origem divina do universo e do arquip\u00e9lago japon\u00eas, bem como a origem m\u00edstica do imperador Jinmu, descendente de Amaterasu, a deidade solar. Como resultado, o <em>Kojiki<\/em> representou o culto a m\u00faltiplas deidades (<em>kami<\/em>) (TANAKA, 2017) e possibilitou a eleva\u00e7\u00e3o da base espiritual nip\u00f4nica ao redor da na\u00e7\u00e3o a partir dos prim\u00f3rdios cosmog\u00f4nicos considerados como a representa\u00e7\u00e3o dos fatos hist\u00f3ricos (ANTONI, 2016).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">\u00a0Sendo assim, come\u00e7a-se esse artigo de opini\u00e3o apresentando o surgimento dos Deuses e o processo de cria\u00e7\u00e3o divina do Jap\u00e3o narrados ao longo do primeiro cap\u00edtulo do <em>Kojiki<\/em>. Em seguida, a partir da separa\u00e7\u00e3o de Izanami e Izanagi, demonstra-se como se deu o nascimento de Amaterasu e qual a sua rela\u00e7\u00e3o com o primeiro imperador do Jap\u00e3o, almejando, nas considera\u00e7\u00f5es finais, constatar a perpetua\u00e7\u00e3o de cren\u00e7as originadas do <em>Kojiki <\/em>na contemporaneidade japonesa.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/KrLyW-FrvZfqx5Axbexd2tCjGaszbmA7vXvIZXzzNfG8ycoKL1oW1vye9hwyQyK4MOg9G8O2XYcZJm4V_PMraxG5-MV4Web0qq5cvk9rYTh7J6Bj-r81E5vQqphfUFWVn7tzJlg=s0\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0Izanami e Izanagi criando o Jap\u00e3o. Fonte:<em> World History Encyclopedia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Surgimentos dos Deuses e do Jap\u00e3o no Kojiki<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Como explica Croatto: \u201cO mito \u00e9 o relato de um acontecimento origin\u00e1rio, no qual os Deuses agem e cuja finalidade \u00e9 dar sentido a uma realidade significativa\u201d (2010, p. 209 <em>apud<\/em> LIRA, 2015, p. 27). Portanto, pode-se afirmar que no <em>Kojiki<\/em> temos uma narrativa cosmog\u00f4nica que fala da origem do universo a partir do caos e o surgimento dos Deuses e suas primeiras a\u00e7\u00f5es. O <em>Kojiki<\/em> descreveu que os Deuses primordiais eram Amenominakanushi<sup>2<\/sup>, Takamimusubi<sup>3<\/sup>, Kamimusubi<sup>4<\/sup>, Umashiashikabihikoji<sup>5<\/sup> e Amenotokotachi<sup>6<\/sup>: eles s\u00e3o divindades \u00e0 parte, numa posi\u00e7\u00e3o ainda mais elevada que os seguintes (MIETTO, 1995).\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ap\u00f3s eles, surgiram mais sete gera\u00e7\u00f5es de Deuses e na s\u00e9tima originaram-se Izanagi no Mikoto e Izanami no Mikoto, tamb\u00e9m chamados apenas de Izanagi e Izanami. Segundo Mietto, em ambos os nomes \u201ciza tem o mesmo significado que <em>izanau<\/em> (convidar, conduzir), na \u00e9 uma particula que [&#8230;] expressa o genitivo, ki \u00e9 um sufixo que indica ser do sexo masculino e mi \u00e9 um sufixo que indica ser do sexo feminino\u201d (MIETTO, 1995, p. 72). Diversos acad\u00eamicos discordam se Izanagi e Izanami s\u00e3o irm\u00e3os ou n\u00e3o. Enquanto alguns afirmam que a rela\u00e7\u00e3o deles \u00e9 de Deuses casados, outros argumentam que a palavra utilizada para referir-se a Izanami pode ser interpretada como irm\u00e3 e tamb\u00e9m como esposa, sendo esta ambiguidade um dos argumentos utilizados pelos que afirmam que eles s\u00e3o irm\u00e3os, segundo Murakami (1988, p. 456).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Ainda assim, os cinco deuses citados anteriormente incumbem Izanagi e Izanami na fun\u00e7\u00e3o de concluir a cria\u00e7\u00e3o do mundo. Dessa maneira, eles receberam o bast\u00e3o celeste que \u00e9 cravejado de pedras preciosas e, enquanto estavam em p\u00e9 sobre uma ponte flutuante celeste, Izanagi e Izanami tocaram a superf\u00edcie da \u00e1gua com o bast\u00e3o, num movimento circular. Assim, misturaram a \u00e1gua do oceano, e, quando levantaram o artefato, as gotas que dele ca\u00edram de volta \u00e0 \u00e1gua se acumularam e formaram uma ilha, que passaria a se chamar Onokoroshima, mesmo local onde Izanagi sugere que os dois se unam em matrim\u00f4nio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Da uni\u00e3o desse casal surgiram v\u00e1rias ilhas e essa seria, portanto, a explica\u00e7\u00e3o da origem do arquip\u00e9lago japon\u00eas. Depois de gerar as ilhas, o casal passou a conceber novos Deuses. Foram diversos descendentes, por\u00e9m, ao dar a luz \u00e0 divindade Hinoyagihayao, cujo nome significa literalmente \u201co Deus intr\u00e9pido e veloz da for\u00e7a destruidora do fogo\u201d (MIETTO, 1995, p. 76), Izanami adoeceu, queimada pelo poder de seu pr\u00f3prio filho. De seus fluidos surgiram ainda novos Deuses, todavia, ela morreu e desceu \u00e0 terra de Yomi, que seria o outro mundo para o qual todos v\u00e3o ap\u00f3s a morte, inclusive os Deuses. Izanagi no Mikoto ent\u00e3o pranteou e lamentou a morte de sua esposa e a enterrou, e logo ap\u00f3s decapitou seu filho, o Deus do fogo, culpando-o pela morte de sua mulher, e do sangue e corpo do Deus morto nasceram novos Deuses.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Incidente em Yomi, surgimento de Amaterasu e o primeiro imperador do Jap\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Na \u00e2nsia de rever sua esposa, Izanagi desceu \u00e0 terra de Yomi e suplicou para que Izanami\u00a0 retornasse. A Deusa, que j\u00e1 havia comido da terra daquele lugar, respondeu que consultaria os Deuses locais para ver se podia atender ao pedido do marido, enfatizando que ele n\u00e3o poderia observ\u00e1-la enquanto isso. No entanto, Izanagi descumpriu sua ordem e, ao visualizar o cad\u00e1ver de sua esposa em decomposi\u00e7\u00e3o, fugiu assustado. Ap\u00f3s uma longa persegui\u00e7\u00e3o, envolvendo as <em>Yomotsushikome<\/em><sup>7<\/sup> e a pr\u00f3pria Izanami, ele conseguiu escapar da terra dos mortos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">J\u00e1 em <em>Takamagahara<\/em><sup>8<\/sup>, Izanagi decidiu que precisava se purificar e iniciou esse ritual nas \u00e1guas do rio Tachibana (MIETTO, 1995, p. 71). Desse evento, nasceram diversas divindades, incluindo a Deusa Amaterasu\u00f4mikami<sup>9<\/sup>, mais conhecida como Amaterasu, que teria nascido ap\u00f3s o Deus lavar seu olho esquerdo. Izanagi a considerou uma das tr\u00eas crian\u00e7as nobres que conseguiu gerar no processo de purifica\u00e7\u00e3o e a designou para governar <em>Takamagahara<\/em>, presenteando-a com o colar de contas de seu pesco\u00e7o.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Diversos acontecimentos importantes advieram do nascimento da Deusa do Sol, como o c\u00e9lebre conflito entre ela e o Deus Susanoo<sup>10<\/sup>, seu irm\u00e3o mais novo, no qual Amaterasu, aborrecida com as maldades do irm\u00e3o, se enclausurou em uma gruta, condenando o mundo \u00e0 escurid\u00e3o. Nessa gruta, foram criados o Espelho <em>Kagami <\/em>e a joia <em>Magatama, <\/em>que<em> <\/em>junto com a Espada <em>Kusanagi Tsurugi<\/em><sup>11<\/sup> s\u00e3o s\u00edmbolos imperiais existentes at\u00e9 os dias atuais. Outro importante evento foi a reivindica\u00e7\u00e3o de Amaterasu do mundo terrestre<sup>12<\/sup>, at\u00e9 ent\u00e3o comandado por <em>Okuninushi<\/em><sup>13<\/sup>. Estando esse mundo desregrado, a Deusa enviou, para governar e organizar suas terras, seu neto, Ninigi, para o qual entrega as j\u00f3ias imperiais. O filho de Ninigi se tornaria, sob o nome de Jimmu, o primeiro imperador do Jap\u00e3o em 660 a.C., e, por ser descendente direto da Deusa do Sol, a linhagem imperial s\u00f3 poderia vir dessa mesma fam\u00edlia, o que justificaria a linhagem \u00fanica, sagrada e incontest\u00e1vel da Fam\u00edlia Imperial japonesa, bem como legitimaria a soberania do imperador.<br><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter\"><img src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/g4SdyPvd_y-NXl3TfIDw_Hlt3akmHDm5ZMka2l_aSvYMeKIWwO-1baagk1hX6HVbsydpNwuVXC57c_9nKWGOa4RspNFns_tcXwIhYcKE68WIIuwxxHWJ4h1XqM1AjRUVPUk9ztw=s0\" alt=\"\"\/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Imperador Jimmu. Fonte: New World Encyclopedia.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>Atrav\u00e9s de todo o contexto hist\u00f3rico e s\u00f3cio-cultural do Jap\u00e3o antigo e da narrativa presente no <em>Kojiki<\/em> percebeu-se a liga\u00e7\u00e3o da obra com os interesses pol\u00edticos dos governantes da \u00e9poca, dada a necessidade de uma justificativa para que a popula\u00e7\u00e3o fosse submetida a um \u00fanico governante sempre vindo de uma mesma linhagem. Ora, se a fam\u00edlia imperial descende da pr\u00f3pria Deusa do Sol, Amaterasu Oomikami, por que haveriam os outros de questionar a vontade da divindade suprema?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A manuten\u00e7\u00e3o desse modo de pensar entre a sociedade japonesa pode ser vista ainda nos dias de hoje, pois diz-se que a fam\u00edlia imperial permanece a mesma desde a unifica\u00e7\u00e3o do Jap\u00e3o em 710 no in\u00edcio do per\u00edodo Nara. Ademais, \u00e9 interessante notar que mesmo os arque\u00f3logos japoneses interpretaram seus achados e estudos de acordo com o conte\u00fado descrito no <em>Kojiki<\/em> e no <em>Nihon Shoki<\/em> (HENSHALL, 2008), demonstrando que a partir da cosmogonia, a realidade material era interpretada tal como, por exemplo, a cria\u00e7\u00e3o do Jap\u00e3o. Em uma reflex\u00e3o sobre a manuten\u00e7\u00e3o do teor cosmog\u00f4nico na contemporaneidade nip\u00f4nica, os tr\u00eas tesouros sagrados enviados por Amaterasu atrav\u00e9s de seu neto s\u00e3o de extrema relev\u00e2ncia por <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/world-asia-47931671\">serem uma liga\u00e7\u00e3o do passado com o presente e serem s\u00edmbolos de representa\u00e7\u00e3o do poder imperial visto que no jap\u00e3o n\u00e3o h\u00e1 coroas<\/a>. Por esse motivo, esses permanecem preservados em santu\u00e1rios onde s\u00e3o reverenciados, como \u00e9 o caso do espelho das tr\u00eas rel\u00edquias no grande santu\u00e1rio de Ise, embora eles normalmente sejam mantidos em locais reservados aos sacerdotes e ao imperador. Sendo assim, para al\u00e9m do s\u00e9culo VIII, o conte\u00fado encontrado em <em>Kojiki<\/em> atravessou e continua presente na hist\u00f3ria e na cultura do Jap\u00e3o.\u00a0\u00a0<br><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">1- \u00a0Conforme Correia (2018), a cosmogonia \u00e9 um conceito que busca explicar o surgimento do cosmo em uma no\u00e7\u00e3o de origem, \u201cg\u00eanese\u201d, estando presente em variadas narrativas m\u00edticas que, a partir de suas matrizes culturais, explicam a cria\u00e7\u00e3o do universo.<\/p>\n\n\n\n<p>2- \u00a0Lit\u201d \u201cdivindade suprema que do centro do c\u00e9u preside o universo\u201d. Trata-se de uma divindade conceituada como ponto de partida para as divindades posteriores. (MIETTO, 1995, p. 71)<\/p>\n\n\n\n<p>3- \u00a0Lit\u201d \u201ca suprema divindade da for\u00e7a criadora\u201d (MIETTO, 1995, p. 71).<\/p>\n\n\n\n<p>4- \u00a0Lit\u201d \u201ca suprema divindade criadora\u201d. (MIETTO, 1995, p. 71).<\/p>\n\n\n\n<p>5- \u00a0Lit\u201d \u201co deus supremo dos brotos de junco\u201d. (MIETTO, 1995, p. 71).<\/p>\n\n\n\n<p>6- \u00a0Lit\u201d a \u201cdivindade de perman\u00eancia eterna nos c\u00e9us\u201d. (MIETTO, 1995, p. 71).<\/p>\n\n\n\n<p>7- \u00a0Lit. \u201cmulheres horrendas de Yomi\u201d. Segundo Mietto (1995, p. 79), \u00e9 uma prov\u00e1vel refer\u00eancia ao estado de morte.<\/p>\n\n\n\n<p>8- \u00a0Lit. \u201calta campina celeste\u201d, \u00e9 o mundo celeste onde as divindades vivem. (MIETTO, 1995,\u00a0 p. 71).<\/p>\n\n\n\n<p>9- \u00a0Lit\u201d \u201ca divindade suprema que resplandece no alto dos c\u00e9us&#8221; (MIETTO, 1995, p.82), tamb\u00e9m conhecida como Deusa do Sol, umas das figuras mais importantes da cultura japonesa.<\/p>\n\n\n\n<p>10- \u00a0Hayasusanoono Mikoto, lit. \u201co deus intr\u00e9pido e veloz que traz a destrui\u00e7\u00e3o\u201d tamb\u00e9m conhecido como \u201cDeus do Trov\u00e3o\u201d ou \u201cDeus das Tempestades\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>11- \u00a0Entregue \u00e0 Amaterasu pelo Deus Susanoo como pedido de perd\u00e3o por suas maldades.<\/p>\n\n\n\n<p>12- \u00a0Ao passo que o mundo celeste se referia ao local habitado pelos seres divinos, o mundo terrestre pode ser interpretado como sendo o Jap\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>13- \u00a0Lit;\u201do grande senhor das terras\u201d (MIETTO, 1995, p.90).<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\"\/>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>ANTONI, Klaus. <strong>Kokutai \u2013 Political Shint\u00f4 from Early-Modern to Contemporary Japan<\/strong>. T\u00fcbingen: Eberhard Karls University T\u00fcbingen. 2016.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>CORREIA, Carlos Jo\u00e3o. Cosmogonia. Estudo de Mitologia Comparada. <strong>Philosophica &#8211; International Journal for the History of Philosophy<\/strong>, Lisboa, 53, p.11-19, 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>HENSHALL, Kenneth. <strong>Hist\u00f3ria do Jap\u00e3o<\/strong>. Lisboa: Edi\u00e7\u00f5es 70, 2008. Tradu\u00e7\u00e3o de Victor Silva.<\/p>\n\n\n\n<p><br>LIRA, David. O Mito de \u0398\u03b5\u03cd\u03d1 [Theuth]: Estudos Mitopoi\u00e9ticos do Di\u00e1logo Plat\u00f4nico de Ph\u00e6drus 274c-275b. <strong>Eutomia<\/strong>, Recife, v. 1, n. 16, p. 22-45, dez. 2015. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/periodicos.ufpe.br\/revistas\/EUTOMIA\/article\/view\/2049\">https:\/\/periodicos.ufpe.br\/revistas\/EUTOMIA\/article\/view\/2049<\/a>. Acesso em: 5 set. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>MIETTO, Luis F\u00e1bio M. Rogado. ESTUDOS PRELIMINARES ACERCA DO PROCESSO DE ELABORA\u00c7\u00c3O DA OBRA KOJIKI. <strong>Estudos Japoneses<\/strong>, S\u00e3o Paulo, n. 13, p. 99-109, 1993. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/www.revistas.usp.br\/ej\/article\/view\/142631\">https:\/\/www.revistas.usp.br\/ej\/article\/view\/142631<\/a>. Acesso em: 06 ago. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>MIETTO, Luis F\u00e1bio M. Rogado. O Kojiki e o universo mitol\u00f3gico japon\u00eas da antig\u00fcidade. <strong>Estudos Japoneses<\/strong>, S\u00e3o Paulo, n. 15, p. 67-93, 1995. Dispon\u00edvel em: https:\/\/www.revistas.usp.br\/ej\/article\/view\/142715. Acesso em: 27 ago. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>MURAKAMI, Fuminobu. Incest and Rebirth in Kojiki. <strong>Monumenta Nipponica<\/strong>, T\u00f3quio, v. 43, n. 4, p. 455-463, 1988.<\/p>\n\n\n\n<p>TANAKA, Michiko. \u00c9POCA MODERNA TEMPRANA. In: TANAKA, Michiko (Org.). <strong>Historia M\u00ednima de Jap\u00f3n<\/strong>. 1ed., Cidade do M\u00e9xico: El Colegio de M\u00e9xico, 2017, p. 123- 180.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maur\u00edcio Luiz Borges Ramos Dias &#8211; mauriciolbrdias@gmail.comRayane S\u00e1tiro &#8211; satirorayane9@gmail.comSu\u00e9llen Gentil &#8211; suellen.gentil@gmail.comRevis\u00e3o especializada:Maria Oliveira &#8211; mary.oliveirasilvan@gmail.comLarissa Redditt &#8211; lariredditt@gmail.com Compilados, respectivamente, em 712 e 720, o Kojiki (Relatos de Fatos Antigos) e o Nihon Shoki (Cr\u00f4nicas do Jap\u00e3o) s\u00e3o obras preciosas que nos permitem compreender a forma\u00e7\u00e3o dos antigos credos cosmog\u00f4nicos1 japoneses, cujos vest\u00edgios [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4611,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_editorskit_title_hidden":false,"_editorskit_reading_time":8,"_editorskit_is_block_options_detached":false,"_editorskit_block_options_position":"{}","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0},"categories":[3,16],"tags":[29,40,54],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4609"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=4609"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4609\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4628,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/4609\/revisions\/4628"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/4611"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=4609"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=4609"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=4609"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}