{"id":4225,"date":"2021-09-17T18:24:02","date_gmt":"2021-09-17T21:24:02","guid":{"rendered":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/?p=4225"},"modified":"2021-09-24T19:50:34","modified_gmt":"2021-09-24T22:50:34","slug":"serie-pernambuco-e-o-japao-o-iate-dos-fulnios-de-aguas-belas-e-a-lingua-japonesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/?p=4225","title":{"rendered":"S\u00c9RIE | Pernambuco e o Jap\u00e3o: o iat\u00ea dos fulni\u00f4s de \u00c1guas Belas e a l\u00edngua japonesa"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-text-align-justify\">Escrita por Rafael Cavalcanti Lemos, a s\u00e9rie de textos &#8220;Pernambuco e o Jap\u00e3o&#8221;,  promete atrav\u00e9s de textos breves, tra\u00e7ar uma interessante aproxima\u00e7\u00e3o entre o Pa\u00eds do Sol Nascente e esse famoso estado Nordestino.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A s\u00e9rie \u00e9 composta por 3 textos, os quais j\u00e1 foram publicados no Jornal O Di\u00e1rio de Pernambuco na se\u00e7\u00e3o Opini\u00e3o, e tratam dos seguintes temas: A embaixada brasileira em T\u00f3quio, a migra\u00e7\u00e3o japonesa no Brasil e a import\u00e2ncia do escritor recifense Oliveira Lima nas rela\u00e7\u00f5es Brasil-Jap\u00e3o; uma aproxima\u00e7\u00e3o entre a l\u00edngua falada pelos fulni\u00f4s, uma das poucas l\u00ednguas nativas ainda existentes no nordeste, o iant\u00eas, e os japon\u00eas; e, por fim, a apreens\u00e3o do bai\u00e3o, ritmo caracter\u00edstico do nordeste, pelo Jap\u00e3o, atrav\u00e9s do bai\u00e3o Japon\u00eas de Keiko Ikuta.<\/p>\n\n\n\n<p> O segundo texto da s\u00e9rie nos conta a interessante aproxima\u00e7\u00e3o entre a l\u00edngua japonesa e o iat\u00ea, dos fulni\u00f4s (palavra que significa \u00edndios agrupados na beira do rio) de \u00c1guas Belas, munic\u00edpio a 314km do Recife.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/SERIE-4-1024x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4234\" srcset=\"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/SERIE-4-1024x1024.png 1024w, https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/SERIE-4-300x300.png 300w, https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/SERIE-4-150x150.png 150w, https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/SERIE-4-768x768.png 768w, https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/SERIE-4-88x88.png 88w, https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/SERIE-4-816x816.png 816w, https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/wp-content\/uploads\/2021\/09\/SERIE-4.png 1080w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-small-font-size\"> Texto por: Rafael Cavalcanti Lemos, Juiz de Direito do Tribunal de Justi\u00e7a de Pernambuco)   e membro da Curadoria de Assuntos do Jap\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left has-small-font-size\">Colagem: Assucena Maria (assucena.ms@hotmail.com). Foto: Daniel Caron\/FAS.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">\u2736<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Em 1543 deu-se o primeiro contato duradouro dos japoneses com ocidentais: o Imp\u00e9rio Portugu\u00eas, que algumas d\u00e9cadas antes aportara em praias brasileiras, chegava (por seus s\u00faditos Ant\u00f4nio da Mota, Francisco Zeimoto e Ant\u00f4nio Peixoto) tamb\u00e9m ao Jap\u00e3o (como em 1572 nos conta &#8211; ou canta &#8211; Cam\u00f5es na estrofe 131 do canto X d&#8217;Os Lus\u00edadas), tendo os portugueses ali permanecido at\u00e9 sua expuls\u00e3o em 1639. Foram chamados \u201cnamban\u201d (\u201cb\u00e1rbaros do sul\u201d) e &#8211; escreveu em 1606 Bunshi Nambo &#8211; tinham \u201co h\u00e1bito de vagar de lugar em lugar, permutando as coisas que t\u00eam pelas que n\u00e3o t\u00eam\u201d (algumas das que tinham foram as primeiras armas de fogo no Jap\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Diversas palavras da l\u00edngua portuguesa incorporaram-se entrementes \u00e0 japonesa: dentre outras, \u201cfrasco\u201d tornou-se \u201cfurasuko\u201d; \u201cgib\u00e3o\u201d, \u201cjuban\u201d; \u201ccapit\u00e3o\u201d, \u201ckapitan\u201d; \u201ccrist\u00e3o\u201d, \u201ckirishitan\u201d; \u201cCristo\u201d, \u201cKirisuto\u201d; \u201cconfeito\u201d, \u201ckonpeit\u00f4\u201d; \u201cp\u00e3o\u201d, \u201cpan\u201d; \u201csab\u00e3o\u201d, \u201cshabon\u201d; \u201ctabaco\u201d, \u201ctabako\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">A gram\u00e1tica e o dicion\u00e1rio de japon\u00eas em l\u00edngua ocidental mais antigos foram redigidos em portugu\u00eas pelos jesu\u00edtas (aquela por Jo\u00e3o Rodrigues, intitulada \u201cArte da l\u00edngua do Jap\u00e3o\u201d) nos primeiros anos do s\u00e9culo XVII.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">O iat\u00ea, falado pelos fulni\u00f4s na agrestina \u00c1guas Belas, \u00e9 a \u00fanica l\u00edngua nativa do Nordeste brasileiro sobrevivente fora do Maranh\u00e3o. Os primeiros registros conhecidos sobre os fulni\u00f4s (referidos como \u201ccarnij\u00f3s\u201d) deram-se no in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Parecen\u00e7as entre a l\u00edngua iat\u00ea e a japonesa foram descobertas pelo ent\u00e3o mestrando Araken Guedes Barbosa ao lhes comparar o vocabul\u00e1rio. Como se l\u00ea do Jornal do Brasil em 22 de abril de 1989, \u201c[a] pesquisa de Araken Barbosa come\u00e7ou a partir do estudo &#8216;Estrutura da l\u00edngua iat\u00ea&#8217;, do professor pernambucano Geraldo Lapenda. [&#8230;] [O]s fonemas e os sentidos s\u00e3o quase id\u00eanticos em iat\u00ea e em japon\u00eas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Segundo Geraldo Lapenda, \u201c[o]s fulni\u00f4s teriam chegado aqui em tempo relativamente recente, porque deles n\u00e3o h\u00e1 tra\u00e7os topon\u00edmicos nem vest\u00edgios de nomes de animais, de \u00e1rvores, de comidas, de utens\u00edlios, etc. no portugu\u00eas regional (o que n\u00e3o sucede com o cariri e principalmente com o tupi), e sua l\u00edngua quase nenhuma influ\u00eancia recebeu das na\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas que j\u00e1 habitavam a regi\u00e3o, e, por outro lado, em nada influiu nelas\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">Embora japoneses (possivelmente milhares) tenham sido escravizados pelos portugueses e j\u00e1 em 1573 se hajam mesmo casado entre si (ano em que Jacinta de S\u00e1 e Guilherme Brand\u00e3o, japoneses apesar dos nomes, uniram-se em matrim\u00f4nio em Lisboa), n\u00e3o se sabe que algum deles (japoneses escravizados) haja sido trazido ao Brasil. As semelhan\u00e7as entre o iat\u00ea (e outras l\u00ednguas amer\u00edndias) e o japon\u00eas decorreriam portanto de migra\u00e7\u00e3o antiga da \u00c1sia \u00e0 Am\u00e9rica do Sul, n\u00e3o necessariamente do Jap\u00e3o, que teria sido tamb\u00e9m destino migrat\u00f3rio a partir da Sib\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"> \u2736 <\/p>\n\n\n\n<p>Confira a <a href=\"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/?p=4056\" class=\"ek-link\">primeira parte<\/a> e a <a href=\"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/?p=4459\" class=\"ek-link\">\u00faltima parte <\/a>da s\u00e9rie!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escrita por Rafael Cavalcanti Lemos, a s\u00e9rie de textos &#8220;Pernambuco e o Jap\u00e3o&#8221;, promete atrav\u00e9s de textos breves, tra\u00e7ar uma interessante aproxima\u00e7\u00e3o entre o Pa\u00eds do Sol Nascente e esse famoso estado Nordestino. 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