{"id":1975,"date":"2021-03-24T15:36:16","date_gmt":"2021-03-24T18:36:16","guid":{"rendered":"https:\/\/ceasiaufpe.wordpress.com\/?p=1975"},"modified":"2021-09-20T10:42:42","modified_gmt":"2021-09-20T13:42:42","slug":"artigo-de-opiniao-o-espelho-e-a-sombra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/?p=1975","title":{"rendered":"ARTIGO DE OPINI\u00c3O | O Espelho e A Sombra"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p class=\"has-text-align-right has-small-font-size\">Por  <em>Amanda de Morais<br>        Amanda Serafim<br>       Camila Machado<br>       Maria Gabriela Pedrosa<br>       Rayane S\u00e1tiro<br>       Su\u00e9llen Gentil<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-right\">Curadoria Assuntos do Jap\u00e3o<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns\">\n<div class=\"wp-block-column\" style=\"flex-basis:100%\">\n<p class=\"has-text-align-justify\"><br>     Come\u00e7ar um texto n\u00e3o \u00e9 uma das tarefas mais f\u00e1ceis. Ent\u00e3o, enquanto pens\u00e1vamos numa maneira de introduzir aos leitores o assunto do tecno-orientalismo e o Jap\u00e3o, abordado nessas brev\u00edssimas p\u00e1ginas, duas imagens pulularam em nossas mentes: o espelho e a sombra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">   Em primeiro lugar, vamos ao espelho. As lendas nip\u00f4nicas antigas falam sobre o <em>yata no kagami <\/em>, um espelho sagrado que faz parte do desfile de objetos sagrados da era imperial japonesa. O significado do espelho para essa tradi\u00e7\u00e3o significa revelar a verdade, \u00e9 o objeto do conhecimento. No entanto, se esse espelho est\u00e1 coberto de p\u00f3, significa que o conhecimento est\u00e1 sendo escondido. Essa imagem nos levou, por meio de caminhos sinuosos, ao v\u00eddeo de Chimamanda Ngozi Adichie: <em>O perigo da hist\u00f3ria \u00fanica<\/em>. Quando esbarramos nessa fala da autora nigeriana, nos perguntamos qual a raz\u00e3o de sermos t\u00e3o suscet\u00edveis \u00e0 hist\u00f3ria \u00fanica de um povo. Chimamanda tem uma fala poderosa e cir\u00fargica quando diz que quando um povo \u00e9 mostrado \u00e0s pessoas como uma coisa s\u00f3 incont\u00e1veis vezes, ele se torna apenas isso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">     Nesse sentido, a nossa inten\u00e7\u00e3o \u00e9 mostrar ao leitor que o perigo da hist\u00f3ria \u00fanica \u00e9 o mesmo que a de um espelho encoberto de p\u00f3: n\u00e3o \u00e9 que a hist\u00f3ria \u00fanica crie mentiras, mas s\u00e3o incompletas, n\u00e3o revelam a verdade completa de um povo, ou seja, fomenta estere\u00f3tipos. O tecno-orientalismo <strong>\u2015 <\/strong>termo cunhado em 1995 por David Morley e Kevin Robins que, brevemente, significa um fen\u00f4meno que enxerga a tecnologia, avan\u00e7os industriais e empresariais como condi\u00e7\u00f5es essenciais da identidade japonesa <strong>\u2015 <\/strong>e foi usado como um meio de criar estere\u00f3tipos por certas estruturas de poder para contar a hist\u00f3ria do povo asi\u00e1tico, principalmente a do Jap\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">   O tecno-orientalismo dos anos 80 e 90 deixou marcas especialmente na cultura pop, com os filmes de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e a est\u00e9tica <em>cyberpunk <\/em>, criando a imagem da comunidade japonesa como seres desumanizados: uma mescla do corpo humano e da m\u00e1quina. \u00c9 da\u00ed que vem a imagem da sombra, pois \u00e9 corrente a imagem do ser humano que vende a alma ao diabo. \u00c9 sobre a perda da ess\u00eancia humana, e isto podemos notar em alguns filmes, m\u00fasicas ou livros feitos por determinados artistas ocidentais: do povo japon\u00eas \u00e9 retirado a sua sombra, o seu car\u00e1ter humano, e a esse povo \u00e9 dado apenas o direito de uma hist\u00f3ria \u00fanica, um espelho coberto de p\u00f3.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">     No entanto, se essa narrativa \u00fanica foi persistente durante d\u00e9cadas, os artistas japoneses tais como Masamune Shirow (pseud\u00f4nimo de Masanari Ota), criador do mang\u00e1 <em>Ghost in the Shell, <\/em>e, mais recentemente, Haro Aso, criador do mang\u00e1 <em>Alice in Borderland<\/em>, por exemplo, foram gradualmente tomando as r\u00e9deas e iniciando rumorejos: e se o p\u00f3 fosse retirado do espelho pelas nossas m\u00e3os? E se pud\u00e9ssemos resgatar a nossa sombra? De forma que come\u00e7amos a testemunhar, em diversas produ\u00e7\u00f5es contempor\u00e2neas, esses criadores nip\u00f4nicos retomando o conceito do tecno-orientalismo, por\u00e9m, dando uma nova cor ao assunto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>O CONCEITO DE ORIENTALISMO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">     Para compreendermos o tecno-orientalismo, faz-se necess\u00e1rio conhecer o conceito que serviu como pano de fundo para seu surgimento: o Orientalismo. Este termo foi popularizado pelo intelectual palestino Edward Said, em 1978, atrav\u00e9s da publica\u00e7\u00e3o de seu livro <em>Orientalismo: A Inven\u00e7\u00e3o do Oriente pelo Ocidente <\/em>, que viria a ser sua obra mais importante, servindo de pilar para os estudos p\u00f3s-coloniais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">     Em sua an\u00e1lise, Said detalha como o discurso europeu do s\u00e9culo XIX criou um lugar imagin\u00e1rio, chamado Oriente, para encaixar todos os pa\u00edses da parte leste do globo e estereotip\u00e1-los como b\u00e1rbaros, ex\u00f3ticos e inferiores. Isso permitia que a Europa se colocasse no mundo como a cultura oposta, ou seja, civilizada e superior. Para sustentar seu argumento e comprovar a amplitude do orientalismo, Said n\u00e3o se deteve apenas na an\u00e1lise de discursos pol\u00edticos, mas incluiu obras liter\u00e1rias e culturais, evidenciando que a cria\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o distorcida do \u201coriente\u201d tinha rela\u00e7\u00e3o direta com os interesses colonialistas europeus.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized is-style-default\"><a href=\"https:\/\/ceasiaufpe.files.wordpress.com\/2021\/03\/image-1.png\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/ceasiaufpe.files.wordpress.com\/2021\/03\/image-1.png?w=567\" alt=\"\" class=\"wp-image-2002\" width=\"845\" height=\"572\"\/><\/a><figcaption>O quadro The Snake Charmer,1870, de Jean- L\u00e9on G\u00e9r\u00f4me foi capa do livro de Edward Said e se tornou refer\u00eancia sore o orientalismo em pinturas. Foto: Dom\u00ednio P\u00fablico.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">     As consequ\u00eancias catastr\u00f3ficas do orientalismo s\u00e3o vis\u00edveis at\u00e9 os dias atuais, onde grandes pot\u00eancias ainda se utilizam desse discurso para invadir um pa\u00eds ou promover xenofobia e racismo contra uma cultura. Em se tratando de Jap\u00e3o, a estereotipiza\u00e7\u00e3o europeia data desde a chegada dos primeiros europeus no arquip\u00e9lago, em torno de 1543, e foi desde <em><a href=\"https:\/\/silo.tips\/download\/relaoes-luso-niponicas-nos-secs-xvi-e-xvii-2-parte\">gente muito soberba e escandalosa<\/a> <\/em>at\u00e9 a representa\u00e7\u00e3o de uma <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0102-69092011000100006\">cultura violenta e amea\u00e7adora<\/a>. Como diria Chloe Gong em seu texto <em><a href=\"https:\/\/thechloegong.com\/2019\/12\/28\/techno-orientalism-in-science-fiction\/\">Techno-Orientalism in Science Fiction<\/a><\/em>, o que o \u201cocidente\u201d parece ignorar <strong>\u2015 <\/strong>intencionalmente, muitas vezes <strong><em>\u2015 <\/em><\/strong>\u00e9 que a comunidade japonesa, assim como diversas outras sociedades estereotipadas pelo discurso hegem\u00f4nico, vivem de forma muito parecida com qualquer outra popula\u00e7\u00e3o do planeta. Possui uma cultura plural e vasta que merece ser reconhecida por suas pr\u00f3prias lentes e seu pr\u00f3prio discurso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>TECNO-ORIENTALISMO: EXPRESS\u00d5ES DE UMA MODERNIDADE SELVAGEM<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">     Tecno-orientalismo \u00e9 um termo cunhado por David Morely e Kevin Robins em sua contribui\u00e7\u00e3o ao editorial <em>Spaces of Identity: Global Media, Electronic Landscapes, and<\/em> <em>Cultural Boundaries <\/em>(Routledge, 1995), e refere-se \u00e0s representa\u00e7\u00f5es orientalistas relacionadas ao Jap\u00e3o a partir da d\u00e9cada de 80. \u00c9 preciso, primeiramente, entender o contexto no qual os nip\u00f4nicos estavam inseridos: no auge do \u201cmilagre japon\u00eas\u201d. O Jap\u00e3o ocupado no p\u00f3s-guerra de 1945 investiu pesadamente em tecnologia e educa\u00e7\u00e3o visando a reestrutura\u00e7\u00e3o de seu pa\u00eds devastado pela Guerra, as d\u00e9cadas de 80 e 90 viram os resultados deste esfor\u00e7o ao ascenderem como a 2\u00ba maior economia do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">     Por esta guinada no cen\u00e1rio pol\u00edtico-econ\u00f4mico, alguns aspectos do orientalismo tradicional s\u00e3o deixados em segundo plano, tal como a centralidade na oposi\u00e7\u00e3o ao \u201cocidente\u201d que caracteriza o exotismo do povo \u201coriental\u201d. O enfoque d\u00e1-se ent\u00e3o \u00e0 \u201csingularidade japonesa\u201d, transpassando para um cen\u00e1rio no qual a imagem predominante \u00e9 focada na soberania t\u00e9cnica, por\u00e9m guardando ainda conota\u00e7\u00f5es negativas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">     A expans\u00e3o em \u00e1reas como alimenta\u00e7\u00e3o, comunica\u00e7\u00e3o e medicina come\u00e7ava a firmar novos tra\u00e7os da identidade japonesa na afirma\u00e7\u00e3o como Estado-na\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, o pa\u00eds passou a contrapor os ideais hegem\u00f4nicos europeus e estadunidenses de civiliza\u00e7\u00e3o. Estas na\u00e7\u00f5es n\u00e3o viram a ascens\u00e3o japonesa com bons olhos, mas sim, com certo receio; discutia-se como era poss\u00edvel t\u00e3o acelerada industrializa\u00e7\u00e3o e a resposta era somente uma: apenas tornou-se poss\u00edvel gra\u00e7as a unicidade nip\u00f4nica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">     Deste ponto em diante, estere\u00f3tipos contradit\u00f3rios representavam o Jap\u00e3o, principalmente nos EUA. Se de um lado tinha-se a simbologia cultural pr\u00e9 moderna de samurais e <em>geishas, <\/em>do outro havia o ineg\u00e1vel reconhecimento de sua posi\u00e7\u00e3o na contemporaneidade como precursor de avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos. O Jap\u00e3o passa a ser representado (principalmente em refer\u00eancias de cultura de massa) ambiguamente: de forma positiva, ao referenciar seu potencial intelectual, e de forma pejorativa, ao utilizar sua \u201cheran\u00e7a oriental\u201d como cr\u00edtica e associa\u00e7\u00e3o de seu povo \u00e0s m\u00e1quinas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>O USO DO TECNO-ORIENTALISMO COMO UM DIFUSOR DE ESTERE\u00d3TIPOS E DISCRIMINA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">     Na d\u00e9cada de 80, o Jap\u00e3o passou a existir dentro do inconsciente pol\u00edtico e cultural como uma figura de perigo, ao questionar os princ\u00edpios da modernidade ocidental. Na concep\u00e7\u00e3o do Ocidente, o Jap\u00e3o deveria ser pr\u00e9 ou n\u00e3o moderno, nunca ultrapassando-o. Nesse sentido, as tecnologias se tornam cada vez mais estruturadas nos discursos racistas. Agora, as tecnologias passam a ser sin\u00f4nimos da identidade e etnia japonesa. Essa associa\u00e7\u00e3o cria estere\u00f3tipos de uma cultura autorit\u00e1ria, fria e impessoal, semelhante a uma m\u00e1quina. Como resultado disso, os japoneses s\u00e3o cada vez mais vistos como <em>workaholics, <\/em>perseguindo a todo custo um crescimento econ\u00f4mico sob a governan\u00e7a de um Jap\u00e3o <em>Inc <\/em>. Nesse sentido, o imagin\u00e1rio ocidental trabalha para consolidar velhas mistifica\u00e7\u00f5es e estere\u00f3tipos orientalistas: eles s\u00e3o b\u00e1rbaros e n\u00f3s somos civilizados, eles s\u00e3o rob\u00f4s e n\u00f3s permanecemos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">     Atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o de massa \u2014 principalmente nas obras de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica do g\u00eanero <em>cyberpunk <\/em>\u2014 que o conceito de tecno-orientalismo se torna bastante difundido. Nesse ponto, \u00e9 preciso ressaltar que <em>cyberpunk <\/em>ocidental provavelmente n\u00e3o surgiu como uma rea\u00e7\u00e3o direta ao techno-orientalismo, mas que certamente suas ideias se refletiram no g\u00eanero. Segundo Ursula K. Le Guin, a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica n\u00e3o prev\u00ea o futuro, ela descreve a realidade. Logo, o reflexo dos temores da \u00e9poca est\u00e3o presentes nessas obras.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><a href=\"https:\/\/ceasiaufpe.files.wordpress.com\/2021\/03\/b.jpg\"><img loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/ceasiaufpe.files.wordpress.com\/2021\/03\/b.jpg?w=430\" alt=\"\" class=\"wp-image-2021\" width=\"840\" height=\"473\"\/><\/a><figcaption> <strong>Fonte <\/strong>: Captura de tela do jogo Cyberpunk 2077 <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">     Nas narrativas <em>cyberpunk <\/em>ocidentais, dois elementos com reflexos tecno-orientalistas se destacam: a cidade e o papel do antagonista. A paisagem urbana \u00e9 formada por um conjunto de sinais orientalizados, que transmitem um aspecto visual de diversas capitais asi\u00e1ticas como Hong Kong, Seul e Pequim, mas principalmente de Tokyo. A iconografia da cidade \u00e9 marcada por enormes arranha-c\u00e9us, letreiros neon com ideogramas, propagandas, aglomera\u00e7\u00e3o urbana, pobreza, multiculturalismo, alta tecnologia e distin\u00e7\u00e3o muito forte das classes sociais. S\u00e3o metr\u00f3poles descentralizadas, onde o indiv\u00edduo nunca se orienta. Para <a href=\"https:\/\/www.routledge.com\/Cybertypes-Race-Ethnicity-and-Identity-on-the-Internet\/Nakamura\/p\/book\/9780415938372\">Lisa Nakamura<\/a>, as narrativas <em>cyberpunk <\/em>com seus trabalhadores rob\u00f3ticos e conspira\u00e7\u00f5es sombrias, s\u00e3o uma vers\u00e3o de alta tecnologia do estere\u00f3tipo racial com uma roupagem de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">     Outro elemento importante \u00e9 o papel do antagonista, que \u00e9 comumente apresentado de duas maneiras: o androide e as corpora\u00e7\u00f5es. De acordo com Alexandra Young, em seu trabalho<a href=\"https:\/\/skemman.is\/handle\/1946\/17175\"> <em>\u201cMore human than human\u201d: Race, Culture and Identity in Cyberpunk\u201d<\/em><\/a>, os&nbsp; andr\u00f3ides podem ser lidos como representa\u00e7\u00f5es das mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas e culturais, que despertam o nosso medo do desconhecido. Por\u00e9m, a capacidade dos androides em parecer com os humanos, enfatiza a linha t\u00eanue entre o familiar e o desconhecido. Apesar de termos mais semelhan\u00e7as do que diferen\u00e7as, durante o desenvolvimento narrativo, somos constantemente lembrados da inferioridade e da falta de empatia dos androides. Para Young, os androides s\u00e3o uma analogia \u00e0s minorias e ao preconceito racial. As grandes corpora\u00e7\u00f5es, por outro lado, n\u00e3o possuem um rosto. S\u00e3o apenas conglomerados massivos, que buscam nas sombras dominarem tudo o que puderem e seus objetivos nunca s\u00e3o claros.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\">     Sendo assim, \u00e9 importante refletir sobre os tipos de discursos inseridos nas narrativas que consumimos, sejam essas narrativas em formato de produ\u00e7\u00f5es culturais ou not\u00edcias veiculadas na m\u00eddia. \u00c9 preciso pensar sobre o tipo de filtro que foi aplicado \u00e0quela narrativa que est\u00e1 sendo contada e a quais interesses ela atende, para n\u00e3o cairmos na armadilha de que um povo se resume a uma \u00fanica hist\u00f3ria, quando, na verdade, h\u00e1 uma pluralidade de hist\u00f3rias, cultura e, principalmente, humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h3>Refer\u00eancias<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">CHEVALIER, Jean; GHEERBRANT, Alain. <strong>Dicion\u00e1rio de S\u00edmbolos: (mitos, sonhos, costumes, gestos, formas, figuras, cores, n\u00fameros)<\/strong>; tradu\u00e7\u00e3o: Vera da Costa e Silva &#8211; 27\u00b0 ed. &#8211; Rio de Janeiro: Jos\u00e9 Olympio, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">GONG, Chloe. <strong>Techno-Orientalism in Science Fiction<\/strong>. 2019. Dispon\u00edvel em: https:\/\/thechloegong.com\/2019\/12\/28\/techno-orientalism-in-science-fiction\/. Acesso em: 10 mar. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">JACA, Carlos. <strong>Rela\u00e7\u00f5es Luso \u2013 Nip\u00f3nicas nos s\u00e9cs. XVI e XVII. (2\u00aa Parte)<\/strong>. 2005. Publicado no \u201cDI\u00c1RIO DO MINHO\u201d. Dispon\u00edvel em: https:\/\/silo.tips\/download\/relaoes-luso-niponicas-nos-secs-xvi-e-xvii-2-parte#. Acesso em: 10 mar. 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">KAJIWARA, Kelly. Aprenda o que s\u00e3o os tesouros do Imp\u00e9rio do Jap\u00e3o. <strong>Coisas do Jap\u00e3o<\/strong>. Dispon\u00edvel em : <a href=\"https:\/\/coisasdojapao.com\/2019\/05\/aprenda-o-que-sao-os-tesouros-do-imperio-do-japao\/\">https:\/\/coisasdojapao.com\/2019\/05\/aprenda-o-que-sao-os-tesouros-do-imperio-do-japao\/<\/a> Acesso em: 4 de mar. de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">LE GUIN, Ursula K. <strong>A m\u00e3o esquerda da escurid\u00e3o<\/strong>. Aleph, 2015.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">M\u00c9NDEZ, Artur Lozano. <strong>Genealog\u00eda del Tecno-orientalismo<\/strong>. Inter Asia Papers, n. 7, p. 1-64, 2009.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">MCNEILL, Dougal. <strong>Future City: Tokyo After Cyberpunk<\/strong>. Review of Asian Pacific Studies, Oregon (EUA), n.44, p.89 &#8211; 108, 2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">MORLEY, David; ROBINS, Kevin. <strong>Spaces of identity: Global media, electronic landscapes and cultural boundaries<\/strong>. Routledge, 2002.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">NAKAMURA, Lisa. <strong>Cybertypes: Race, ethnicity, and identity on the Internet<\/strong>. Routledge, 2013.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">ODA, Ernani. <strong>Interpreta\u00e7\u00f5es da &#8220;cultura japonesa&#8221; e seus reflexos no Brasil.<\/strong> Rev. bras. Ci. Soc.,&nbsp; S\u00e3o Paulo ,&nbsp; v. 26, n. 75, p. 103-117,&nbsp; Feb.&nbsp; 2011 .&nbsp;&nbsp; Available from &lt;http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0102-69092011000100006&amp;lng=en&amp;nrm=iso&gt;. access on&nbsp; 22&nbsp; Mar.&nbsp; 2021.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">PARK, Chi Hyun. <strong>Orientalism in US cyberpunk cinema from Blade runner to the Matrix<\/strong>. 2004 Tese (Doutorado em Filosofia) &#8211; The University of Texas at Austin, Austin (EUA), 2004.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">RIKID\u00d5ZAN. <strong>Techno-Orientalism: Contrarian stereotypes and the \u2018Japan Panic\u2019<\/strong>. 2019. Rethinking the World in East Asia 1850s-1990s. Dispon\u00edvel em: https:\/\/transnationalhistory.net\/world\/2019\/04\/techno-orientalism-contrarian-stereotypes-and-the-japan-panic\/. Acesso em: 11 mar. 2011.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">SAID, Edward.<strong> Orientalismo: A Inven\u00e7\u00e3o do Oriente pelo Ocidente<\/strong>. Tradu\u00e7\u00e3o de Rosaura Eichenberg. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 2007.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">YOUNG, Alexandra Mj\u00f6ll. <strong>\u201cMore Human than Human.\u201d Race, Culture, and Identity in Cyberpunk<\/strong>. University of Iceland, Centre of Research in the Humanities, Reykjav\u00edk (IS), 2004.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-justify\"><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Amanda de Morais Amanda Serafim Camila Machado Maria Gabriela Pedrosa Rayane S\u00e1tiro Su\u00e9llen Gentil Curadoria Assuntos do Jap\u00e3o Come\u00e7ar um texto n\u00e3o \u00e9 uma das tarefas mais f\u00e1ceis. Ent\u00e3o, enquanto pens\u00e1vamos numa maneira de introduzir aos leitores o assunto do tecno-orientalismo e o Jap\u00e3o, abordado nessas brev\u00edssimas p\u00e1ginas, duas imagens pulularam em nossas mentes: [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_editorskit_title_hidden":false,"_editorskit_reading_time":0,"_editorskit_is_block_options_detached":false,"_editorskit_block_options_position":"{}","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0},"categories":[2,3],"tags":[29,40,76],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1975"}],"collection":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1975"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1975\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3284,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1975\/revisions\/3284"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1975"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1975"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ceasiaufpe.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1975"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}